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  • @luigienricky

Análise | 13 Reasons Why

Atualizado: 27 de out. de 2020

Depois de quatro temporadas (finalmente) chega ao fim uma das séries mais polemicas dos últimos anos. Com muitos altos e baixos (mais baixos do que altos) nos despedimos de uma série que foi muito importante e trouxe a tona debates que muitas vezes evitamos falar por serem grandes tabus atualmente, como: Depressão, suicídio, estupro, sexualidade e tudo mais que existe no mundo e normalmente ignoramos.


TORTURA EM QUATRO TEMPORADAS

Depois das duas primeiras temporadas, a série caiu em uma sequencia de close errado completamente contrária ao seu propósito inicial. Você precisa ter muita falta de amor próprio pra conseguir acompanhar as situações absurdas que acontecem após o arco da segunda temporada, principalmente na temporada quatro que até o sexto episódio, parece não saber o tipo de mensagem que pretende passar, mas, se você conseguir passar por esse tormento poderá se surpreender com o desfecho incrivelmente acima do esperado que a trama trouxe.

Mesmo com o último episódio de quase duas horas de duração. Coraaaagem!!!


Tem tanta coisa ruim assim?


Tem!

Nem sei por onde começar... Então vamos falar de tudo que existe de errado na temporada final. Prepare seu estomago por que é muita coisa.

Essa última temporada conseguiu transformar até os personagens mais interessantes em uma fonte inesgotável de tédio. Principalmente a Jéssica e o Padre Marcelo Ros... Digo... Tyler, que parece terem perdido toda a profundidade que foi trabalhada até aqui. Foram justamente esses personagens que conseguiram tornar as temporadas anteriores suportáveis, porque se dependêssemos do protagonista...


A verdade é que a temporada final, pelo menos até a metade, se afasta completamente do que foi 13 Reasons Why, parece que você está assistindo uma série paralela com o mesmo elenco, chega a ser bizarro, como uma mistura de Scooby Doo com Supernatural (Onde será que já vi isso?), literalmente!

Além daquele mistério todo sobre quem matou quem, quem foi o novo personagem que morreu (como morre gente nessa escola, cadê os pais desse povo?), ainda temos um elenco esquizofrênico que vê fantasmas de gente morta o tempo todo e isso parece super normal para eles. E fiquem sabendo que essa esquizofrenia continua até o final da série. ¬¬'

(O elenco vendo as notas da série nos sites especializados)


Problemas e mais problemas


Não acredito que você achou que era só isso!

Vamos pontuar mais algumas coisas para que vocês possam pensar 13x (ba dum tss) antes de começar a maratona (se é que é possível).

A série tenta fazer discursos motivacionais, de inclusão, representatividade e tudo mais o tempo todo a ponto de não fazer sentido. Varias vezes me peguei olhando pra tela e pensando: "Alá! Já vai militar e mostrar o quanto é importante prevenir as crianças contra o bully, tinha que ser!"


Também temos muitos diálogos pobres e encheção de linguiça só pra poder chegar a 10 episódios (Graças a Nossa Senhora do Streeming, não temos 13 episódios dessa vez). Os adultos são ainda mais tapados que nas temporadas anteriores, mesmo tendo mais participação nesse desfecho, parece que alguém andou lendo os sites de críticas.


Tem um personagem muito querido que passa a série toda cheio de perebas na cara, vive passando mal e doente e ninguém dá importância pra ele até o final, da muita raiva de assistir. O psicólogo do Clay é outro que da vontade de dar uns tapas pra ver se perde aquela cara de pateta. Já a intrometida da Any, que entrou na temporada 3 sem ninguém pedir, da uma de mestre dos magos e aparece e desaparece do nada e o melhor é que, assim como os espectadores, nenhum dos amigos dela se importa!


Uma outra coisas recorrente em séries adolescentes e que já encheu o saco, é esse drama de faculdade. Parece que começar a vida universitária é sempre uma tortura pra eles, que todo mundo que vai pra faculdade está indo pro abate, deprimente. Para uma série como 13 Reasons Why que começou com a ideia de prevenir e conscientizar, termina com a ideia que nenhum adolescente terá um futuro bom.


Deixa a Hannah descansar em paz!

Nem só a Hannah, mas todo mundo que morreu. Eles já morreram, já tiveram seus arcos encerrados, a gente não quer mais saber dessas histórias exaustivamente exploradas, ainda estamos tentando esquecer que no final a Hannah não era tão boazinha e o Bryce e o Monty não eram não mauzinhos, pelo menos foi isso que o roteiro quis nos fazer pensar. Mas acho que isso serve mais como uma crítica de como a sociedade machista realmente é.


Querem mais problematização? Os palavrões descontrolados só pra parecerem cool. As pessoas perguntam: "Como você ta?" eles respondem com palavrões agressivos. As pessoas tentam ajudar, eles respondem com palavrões agressivos, as pessoas dizem que amam umas as outras e eles respondem com palavrões agressivos. Este realmente é o vocabulário dos jovens de hoje? Correndo risco de parecer um tiozão careta e eu digo que, se for, esse mundo ta perdido (Um minuto de silêncio).


Pra finalizar a parte ruim, ufa!! Temos que falar de dois episódios que, quando você chegar, pode ser que desista da série alí. O 4 e o 9. Em um, eles quiseram transmitir um ar de filme de terror que só conseguiu causar vergonha alheia em quem está assistindo, mas nada supera o outro. O episódio 9 começa com uma viagem ácida deles em um futuro distópico cheio de armas, monstros e guerras, WTF??? Sério isso produção?


NÃO TEM NADA DE BOM NESSA ATROCIDADE?


Tem sim, mas é um spoiler, e vou responder com uma imagem!

(Insira aqui um emoji de coração que você quiser)


Uma das poucas coisas boas que essa série consegue nos presentear é com o relacionamento que nasce entre Alex e Charlie. Cada vez que aparecem juntos você pode esperar momentos de fofura que te farão sentir um adolescente descobrindo o primeiro amor, é sério! Claro que não podemos deixar de lembrar da quantidade de personagens LGBTQIA+ que temos nessa série, ponto positivo pra #Netflix que quase nunca decepciona quando o assunto é representatividade.


Tentando se manter fiel ao tema!


Na última temporada também acontecem coisas bem marcantes e faz com que você se lembre do propósito da série. Um desses momentos é no episódio 6, quando acompanhamos os personagens em uma simulação de atirador invadindo a escola. Num momento angustiante podemos sentir na pele o que o povo americano está acostumado a viver, o preparo que eles têm pra uma situação dessa é realmente assustador.


Já no episódio 9 (sim, o mesmo que começa com aquela introdução bizarra) também temos um momento super marcante quando todos começam um protesto contra a tirania policial que trata pessoas não-caucasianas de forma agressiva tentando impor respeito a força. Foi um episódio gostoso de assistir e quase esqueci que no começo eles estavam no espaço.


O episódio do baile também é bem bonitinho, mesmo que estivesse nos preparando para a grande tragédia dessa temporada, e aí temos momentos fofos com todos os personagens, e olha só, Clay surpreendendo com uma cena cuti cuti com a sua mãe (que ele trata mal o tempo todo desde que essa série existe).

(Foto do Justin só pra gente acalmar o coração)


Depois de tudo isso, pra que vou assistir esse negócio?


Uma coisa que não podemos negar é que o elenco escolhido para viver esses adolescentes problemáticos é muito bom. Eles dão um show de boas atuações, conseguem emocionar quando precisa e são visivelmente bem entrosados, basta acompanhá-los nas redes sociais pra ver, além disso, 13 Reasons Why foi uma série muito importante e que fez muito barulho. Estamos vivendo em uma época sombria em que todo mundo conhece pelo menos uma pessoa que já cometeu suicídio, já sofreu ou praticou bully, já usou drogas ou morreu de alguma doença grave e a série mostra que essas pessoas podem ser ajudadas, podem ter vidas melhores (ignorem o final de que ninguém tem futuro).


É verdade que não da pra passar pano para algumas decisões muito erradas enquanto sociedade, mas podemos pensar que, talvez essas decisões erradas tenham sido com o propósito de despertar em quem assiste justamente este sentimento, para que não permitamos que esse tipo de coisa aconteça ao nosso redor, para que lutemos contra as formas de opressão, sejam pelos motivos que forem. Por isso é injusto avaliar mal uma série que na verdade foi só metade ruim. Recomendo que assistam e tomem suas próprias decisões e se precisarem de ajuda, procurem. A sua saúde mental é muito importante para você e para as pessoas que você ama!


Se fosse dar uma nota para a última temporada, seria "uma estrela" sendo muito generoso. A série como um todo, merece um pouco mais.



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