Buscar
  • @luigienricky

Análise | A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas - Um Marco para as Animações

Se você perguntar para os fãs de animação espalhados pelo mundo todo se já está na hora das grandes empresas de animação começarem a se atualizar e se engajar mais nas causas sociais, a grande maioria irá concordar que sim! Como exemplos disso temos animações com protagonistas pretos como Soul e Hair Love ganhando o mundo com suas necessárias porções de representatividade.


Felizmente isso tem se tornado frequente e com certeza é um avanço para o desenvolvimento da nossa sociedade, contudo, animações com protagonistas LGBT voltadas para todos os públicos ainda são raras e é por isso que A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas se torna um marco na história da animação a partir de agora.

Os personagens mais cativantes que conheci nos últimos tempos

Quem são os Mitchell's?


Será muito fácil para você se conectar com os personagens pois eles são reais, literalmente, pois são baseados em uma família real que você poderá conhecer nos créditos finais do filme. Mas mesmo sem saber disso, a sensibilidade do filme torna essa conexão natural e fluida, o que é muito legal. A família Mitchell é composta por cinco membros:


Rick Mitchell é o pai que pode consertar tudo, resolver todos os problemas da família usando apenas uma chave de fenda e que detesta tecnologia com todas as suas forças.


Linda Mitchell é a mãe super protetora (vocês não fazem ideia do quão super protetora ela é) e que faz de tudo para manter a família unida mesmo diante de todas as adversidades. Se você já teve atrito com um membro da família e a sua mãe tentou resolver, com certeza sentirá um carinho especial pela Linda.


Aaron Mitchell é o filho caçula, super apegado a irmã mais velha e apaixonado por dinossauros. Também é o guardião principal do Cachorrinho da família, Monchi, que deve fazer parte dos seleto grupo de personagens mais estúpidos da história e que arrancará muita gargalhada de você.

Um Cachorro, Um Porco ou Um Pão de Forma?

Katie Mitchell, você quer meu coração? É seu!


Todos os membros da Família Mitchell são interessantes de acompanhar e conhecer, entretanto, a cola que une todos eles em uma super aventura é a nossa protagonista Katie, que após ser aprovada na faculdade de cinema tem uma discussão feia com seu pai que não vê futuro na carreira da filha (se identificou? Eu sim!).


Para tentar resolver a situação, a matriarca da família sugere que eles conversem e passem um tempo juntos antes de Katie ir embora "para sempre" (eu me identifico muito). Como uma pessoa que tem muita dificuldade de se comunicar, o pai entende tudo errado, cancela a viagem de avião da filha e resolve que a família toda irá acompanhá-la até a faculdade em uma viagem de carro cruzando o país. É aqui que a caca acontece, pois em meio a todos os problemas familiares, uma revolta das maquinas acontece.

Desenhista, cineasta e LGBT. Katie arrasa demais!!!

Tecnicamente impecável


Antes de falar do que eu não curti, quero exaltar a parte técnica e criativa desse filme começando pela animação Impecável no melhor estilo Homem Aranha no Aranhaverso (inclusive é o mesmo estúdio). Esse tipo de animação casou muito bem com o roteiro e linguagem visual modernos. Cada emoji que aparece durante as falas de Katie ou as sutis animações feitas a mão, enriquecem a história em um nível totalmente único.


O roteiro também é incrível quando se trata de desenvolver relações. Seja do amor fraterno entre Katie e Aaron (eu como irmão mais velho com um caçula grudado em mim o tempo todo super me identifiquei) ou da relação conturbada com o pai que vai se desenvolvendo e melhorando no decorrer do filme. Tudo é muito fofo e sensível, nota 10!

Que LGBT nunca se estranhou com o pai, não é mesmo?

A revolta das Máquinas...


Até agora, falamos da parte boa do filme, A Família Mitchell. Porém, a parte que me incomoda é a segunda parte do título do filme. Não me entenda mal, a parte que envolve as maquinas é muito divertida e assim como o filme todo, fiquei com um sorriso bobo carimbado no rosto, entretanto, é um tema muuuuuuito, mas muuuuuito batido, mesmo que bem trabalhado pelo roteiro.


Na história, após desenvolver um novo sistema de assistente pessoal para a humanidade, o CEO da empresa PAL acaba descantando sua assistente anterior diante de milhares de pessoas durante uma conferência de apresentação do novo produto, revoltada com essa audácia do seu antigo "amigo" a Alexa do Mal se revolta contra a humanidade e traça um plano maligno para eliminar todos os seres humanos do mundo.


Sem parar para pensar muito, posso citar uns 5 filmes com a mesma temática. Acredito que a trama poderia ser outra, algo mais mirabolante como pano de fundo para unir a família novamente, entende? Mesmo assim, isso não deve atrapalhar sua experiência assistindo ao filme, eu que sou cri cri mesmo!

Robôs que se voltam contra a humanidade, que original!!!

Representatividade Importa!


Como dito no inicio dessa análise (se é que você chegou até aqui), A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é um filme muito importante por trazer uma protagonista LGBT em um filme de classificação indicativa livre. Mesmo que o filme não tenha beijo na boca e nem momentos explícitos de representatividade LGBTQIA+, ela está alí!


Isso é tão importante para mim que cresci sem ver pessoas como eu sendo tratadas com respeito e dignidade na televisão como para a nova geração que está crescendo, tanto para quem é LGBT quanto para quem não é, pois só assim as pessoas aprenderão a respeitar todas as classes, raças, condições sexuais e gênero das pessoas!


0 comentário