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  • Giulia K. Rossi

Análise | A Jornada de Vivo - Uma emocionante aventura ao som da música!

O mundo das animações vem crescendo mais e mais, com novos estúdios competindo com a gigante Pixar e ameaçando sua dominância no pódio. Após recentes sucessos, como A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, a Sony provou que não está para brincadeiras e ataca novamente com A Jornada de Vivo, filme animado da Netflix, que conta com músicas originais de nada menos que Lin-Manuel Miranda!


O longa segue a história de Vivo, um jupará apaixonado por música, que vê sua vida mudar drasticamente quando precisa sair de Cuba e ir até Miami para entregar uma canção de amor em nome de um grande amigo. No caminho, ele precisa se aliar com a pessoa que menos imaginava: Gabi, uma garotinha que segue o seu próprio ritmo.


Lin-Manuel Miranda, você nunca falha


Para os fãs de Miranda, A Jornada de Vivo começa do melhor jeito imaginável: com muita música, dança e rimas! Após a trajetória do artista em obras como Hamilton e Moana, ele impõe mais uma vez seu característico estilo musical e traz um diferencial para o filme que vale a pena conferir! Mesmo em uma história relativamente previsível, as canções trazem vida para as cenas, e dialogam perfeitamente com os personagens e a trama. É uma carta de amor a própria música.


Nesse quesito, as músicas servem como muito mais do que somente um artificio para fazer o público sair cantando (e, acredite, você não vai resistir!). As melodias movem o enredo e conversam com as personalidades dos dois protagonistas, que não podiam ser mais diferentes. Enquanto Vivo segue a sonoridade de Miranda (para o choque de zero pessoas: seu dublador), Gabi surpreende com um estilo pouco convencional, que é ao mesmo tempo estridente e envolvente, igualzinho a garota.

Ninguém vai parar essa dupla!

Uma explosão de cores!


Fora explorar o gênero musical da melhor forma possível, se tem uma coisa que A Jornada de Vivo consegue fazer, é transportar o telespectador para um mundo fantástico que desafia o espaço e o tempo. Abusando de cores, o longa cria um espetáculo para os olhos, com tons vivos e cenas de tirar o fôlego. O estilo caricato de cada personagem pode até não ser dos mais convencionais, mas a qualidade da animação impressiona logo de cara.


Além disso, o filme faz excelente uso de diferentes técnicas de animação para complementar as músicas e carregar a carga emocional da história. A trama explora o nosso imaginário em uma brincadeira entre 2D e 3D e, ainda que de forma sutil, apresenta uma narrativa bem mais sensível do que o esperado, retratando assuntos como amizade, primeiros amores, e especialmente perda.


Um pouco fora do ritmo...


Entretanto, como é típico de animações voltadas para o público infantil, a animação de Kirk DeMicco se deixa levar pelas suas próprias situações absurdas, que prejudicam a trama como um todo. No mundo animado, é de se esperar que alguns momentos pouco convencionais apareçam no caminho, afinal, tudo é possível, mas isso nem sempre é positivo.


Entre algumas cenas mais cômicas e outras mais sem noção, o filme perde um pouco de todo o seu potencial criando situações que fogem da realidade como justificativa para introduzir e desenvolver personagens que já são levemente desnecessários para começo de conversa, ainda que sejam carismáticos e rendam algumas risadas (meninas escoteiras e pássaros apaixonados, cof, cof).

E alguém pode tirar essas crianças desse pântano perigoso por favor!

Prepare as cordas vocais!


Disney ou não, com falhas ou sem, A Jornada de Vivo se sustenta como uma animação de qualidade, que brilha nas suas canções originais e em seu visual colorido. Ao todo, o filme é uma emocionante aventura para todas as idades e, mesmo que em alguns momentos a narrativa desafine, as músicas contagiantes encontram uma forma de continuar a melodia, da maneira mais viva possível!



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