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  • Giulia K. Rossi

Análise | A Mulher do Viajante no Tempo - Um envolvente romance sci-fi com altos e baixos

A Era das adaptações literárias nos streamings chegou para ficar! Baseado no livro de mesmo nome, a nova série da HBO Max, A Mulher do Viajante no Tempo estreou para alegrar os fãs de um bom romance sci-fi. E aí, será que o best-seller conseguiu brilhar dentro das telinhas?


O drama estrelado por Theo James e Rose Leslie acompanha o relacionamento conturbado entre Henry DeTamble e Clare Abshire, que precisam lidar com um grande problema no decorrer de sua relação e futuro casamento: a condição genética de Henry que o faz viajar pelo tempo, querendo ou não.


Um show de atuação!


Vamos começar falando de coisa boa, do jeitinho que a gente gosta. E é fácil dizer que o maior mérito da série é a sua dupla principal. Além da incrível química entre James e Leslie, os atores entregam uma performance carismática, que muitas vezes é responsável por mover a narrativa até quando o roteiro não faz um bom trabalho.


Enquanto Clare é uma mulher de vinte anos intensa e inteligente, Henry é um jovem de 28 anos que não quer levar nada muito a sério. Entretanto, com uma narrativa não linear, em um "vai e vem" temporal, a produção passa por diferentes períodos da vida dos dois personagens. E, por sorte, os atores cumprem sua função em todas as fases, especialmente James, que convence tanto como o sábio homem mais velho quanto o babaca irresponsável. (E, de bônus, ainda aparece sem roupa algumas milhares de vezes)


Tão perto, Tão longe...


Contudo, nem tudo são flores. Embora a premissa seja envolvente, a série se desenvolve um pouco lentamente, sem aproveitar tudo o que podia da sua própria narrativa e viagens do tempo, talvez por conta dessa troca constante de perspectiva entre os protagonistas e a falta de ritmo para encontrar aquele "ápice".


Assim, os capítulos contam pouco a pouco sobre a história de Henry, Clare, e seu relacionamento desde a primeira vez que se encontram na clareira, até o momento atual, mas para por aí. Mesmo que recheada de momentos intensos, como a conturbada família de Clare e o abuso sexual sofrido por ela quando jovem, a produção chega perto de ir um pouco mais além, mas, infelizmente, não vai.

O mesmo pode ser dito sobre o relacionamento do casal protagonista. Afinal, a química entre os dois não pode salvar todas, e ela apenas amortece a relação um tanto desgastante entre ambos. Embora interessante, a complexidade e intensidade dos personagens pode se tornar cansativa de acompanhar, com muitas brigas e discussões repetidas e desnecessárias ao longo dos capítulos. (Sim, Clare, nós já entendemos que o Henry de 28 anos é um babaca!)


A melhor adaptação?


Desse modo, entre altos e baixos, A Mulher do Viajante no Tempo trabalha um pouco mais a complexidade de sua trama e personagens, se comparado com a sua prévia adaptação no filme de 2009, contudo, também não consegue agradar 100% os fãs do livro. E ao concluir seu primeiro ano (talvez único) de uma maneira um tanto enigmática e superficial, as críticas não são à toa.


Porém, em geral, o seriado também compensa com vários pontos positivos, principalmente por conta da sua escolha de elenco e o seu humor sarcástico e debochado que tira algumas inesperadas risadas do público. Contando com uma proposta interessante, A Mulher do Viajante no Tempo ainda assim é uma envolvente história de amor/sci-fi, e tem muito mais para mostrar. Porém, só o tempo dirá.


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