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  • Giulia K. Rossi

Análise | A Vizinha da Mulher na Janela - Um pouco de tudo, e muito de nada

Se você já não pegou a ideia pelo título da série, o novo lançamento da senhorita Netflix, A Vizinha da Mulher na Janela, é uma sátira de suspense de uma das últimas estreias da própria plataforma. Protagonizada por Kristen Bell, o seriado brinca com os clichês tão presentes nos thrillers psicológicos, com o intuito de não ser levada absolutamente nada a sério. Será que rende boas risadas?


A história segue Anna (Bell), uma mulher que passa os seus dias em casa, combinando vinho com comprimidos e caindo nas armadilhas da sua imaginação fértil. Porém, após a chegada de um misterioso vizinho, Anna se vê obcecada por ele e sua família, até que testemunha um assassinato na casa da frente. Contudo, ela não tem certeza se o que presenciou realmente aconteceu.

Álcool, pílulas, e um livro de suspense... o que poderia dar errado?

Comédia, suspense, drama... e bobagem


Diferente de A Mulher na Janela, filme base do seriado, a adaptação com Kristen Bell chega, de fato, querendo parecer um slash de terror (coisa que o longa também fez, mas sem intenção nenhuma). A trama se sustenta com uma série de estereótipos do gênero, como narrações dramáticas (nas quais Bell brilha desde o início de sua carreira), uma edição ultra exagerada, medos irracionais e reviravoltas absurdas, que ninguém pode prever (simplesmente porque não fazem sentindo algum).


A intenção da obra até pode ter sido boa, afinal, às vezes a gente só quer um thriller besteirol para maratonar em uma noite. Contudo, a execução não beirou nem para um, nem para outro, pecando tanto na comédia quanto no suspense. Com poucas piadas inteligentes, a série rende apenas algumas risadas forçadas e, no fim, entrega um desfecho tão "sem pé nem cabeça" quanto o resto do seu desenvolvimento.


Até Bell não salva essa! (AVISO DE SPOILERS)


Além de um desenrolar de acontecimentos "tosco", os personagens também não acrescentam muito em nada na história, apenas preenchendo tempo de tela. A própria personagem principal é pouco memorável, não mostrando nem um terço do charme e carisma da talentosa Kristen Bell, que ganhou destaque na plataforma desde o sucesso de The Good Place (faz falta!). Infelizmente, o seu timing cômico foi pouco aproveitado, brilhando bem timidamente nas poucas narrações que conduzem a trama.


Enquanto a protagonista ainda encontra fôlego dentro da narrativa, os outros personagens estão completamente perdidos no rolê. Entre os secundários pouco aproveitados, temos, é claro, o vizinho bonitão, Neil (Tom Riley), que parece relevante nos primeiros episódios até que quase desaparece e, por fim, encontra o seu desfecho anticlimático (quem disse que ventriloquismo não pode ser perigoso?). O mesmo vale para o criminoso Rex (Benjamin Levy Aguilar), a amiga Sloane (Mary Holland) e até mesmo Emma (Samsara Yett), que apenas ressurge na história para cumprir o seu propósito sádico.

Previsível ou não, esse final só foi bizarro!

Nem tudo está perdido!


O seriado da Netflix nunca veio com o intuito de ser mirabolante, muito pelo contrário. Contudo, a má execução e o roteiro preguiçoso jogam a obra dentro daquela caixa empoeirada junto com outras das várias produções medíocres da plataforma de streaming., inclusive o filme em que se inspira.


Em geral, a série cria uma narrativa, no mínimo, envolvente, que mais uma vez fisga a audiência, não pela excelência em seu conteúdo, mas abusando de artimanhas, como ganchos e reviravoltas malucas. Isso A Vizinha da Mulher na Janela faz muito bem, facilmente te prendendo no sofá do começo ao fim. Agora, cabe ao público decidir se o trajeto vale a pena (talvez a aparição da icônica Glenn Close faça milagres... ou não).


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