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  • marianafrancomague

Análise| America: The Motion Picture - Uma grande zoação, mas com poderosa crítica social

Ontem, dia 4 de julho, marcou o dia da independência dos Estados Unidos, quando as 13 colônias ganharam sua liberdade da Grã Bretanha, e quando a Constituição foi assinada na Convenção da Filadélfia. Mas, se você quer saber da história americana, não é aqui que você vai encontrar (dá um conferida na nossa análise de Hamilton), pois o filme de animação America: The Motion Picture não leva nem a si mesmo a sério, que dirá a história real.


O que rolou?


Aqui vamos ver uma trama levemente inspirada nos acontecimentos reais da fundação dos EUA, então se você não prestou muita atenção na aula de História, eu recomendo ficar com o senhor Google aberto no celular! Contudo, apenas um breve contexto dos personagens vai bastar, pois a última coisa que o filme faz é se apegar a realidade dos fatos.


Pra começar, Abraham Lincoln é morto por um Benedict Arnold lobisomem, e seu melhor amigo George Washington assume sua missão de libertar as colônias. Ele, então, recruta um grupo pra lá de inusitado, composto por Sam Adams, um líder de fraternidade machista e racista louco por cerveja, Thomas Edson (melhor personagem, só digo isso), Paul Revere, um cavaleiro com uma relação bem esquisita com seu cavalo, e o líder indígena Gerônimo.


Vale dizer que é uma animação para adultos, então você pode esperar muito sangue e uma infinidade de palavrões, que chegam a irritar, mas já, já falamos disso.... O que importa saber é: estamos falando de uma sátira a tudo que a cultura americana representa, então não espere profundidade e complexidades no roteiro. Porém, o longa se sustenta em outros aspectos.


É tanto esforço pra ser engraçado, que não é...


No início, é difícil de se acostumar com a dinâmica da narrativa, pois são piadas e situações bizarras, uma jogada em cima da outra, ficando forçadas em muitas ocasiões. Mas, no final das contas, o motivo de risada é o resultado final desse amontoado de acontecimentos.


Depois de alguns minutos de filme, além de você se acostumar ao ritmo estabelecido, a trama ganha contornos mais lineares e menos frenéticos. Só abraça a bizarrice e se divirta!


Hora da parte boa!


Tirando do caminho os pontos negativos, vamos a parte boa que torna America: The Motion Picture uma aventura divertida e descontraída, recheada de referências a cultura pop, que vão da presença de Lin Manuel Miranda no funeral de Abraham Lincoln, até o Rei James da Inglaterra ao estilo Palpatine de Star Wars,


Entretanto, com certeza o maior ponto positivo do longa é a crítica social, que infelizmente fica esquecida em alguns momentos ao se misturar com os exageros que já citei. Mas, quando o filme se dedica a isso, ele entrega uma critica forte as piores qualidades do povo americano, falando sobre racismo, imigração, povos indígenas, armamento, entre outros assuntos.


Portanto, America: The Motion Picture, não é só o programa ideal para o dia 4 de julho, como também é perfeito caso você queira rir, tirar um sarro do povo americano e, de quebra, aprender algumas lições importantes.



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