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  • Giulia K. Rossi

Análise | Amor Sem Medida - Grande ideia, Grande desperdício

Abusando daquele típico humor brasileiro, a nova comédia romântica da Netflix, Amor Sem Medida, busca quebrar alguns estigmas sobre relacionamentos e trazer uma importante mensagem sobre aceitação. Estrelada por Leandro Hassum (ator já queridinho do streaming), será que a nova aposta nacional cumpre o que propõe?


Baseado no longa argentino Corazón de León, a comédia acompanha Ivana (Juliana Paes), uma mulher recém divorciada, e Ricardo Leão (Hassum), um renomado cardiologista, que possui nanismo. Ambos engatam em um romance inesperado, porém, a diferença de altura entre os dois será um desafio maior do que imaginavam.


Carisma na medida certa


Já não cansamos de ouvir que a pressa é a inimiga da perfeição? Pois a produção de Alê McHaddo parece que esqueceu dessa regrinha básica. O roteiro corrido atrapalha o desenvolvimento de seus dois protagonistas e, principalmente, a construção do relacionamento entre eles. Em apenas cinco minutos de filme, Ivana já aparenta a típica adolescente apaixonada (vale ressaltar que isso não é um filme teen), antes mesmo de conhecer Leão pessoalmente.


Por sorte, apesar do início um tanto duvidoso (ou muito!), o casal gradativamente vai conquistando o coração do público, ou pelo menos o suficiente para torcermos por eles no final. O carisma de Hassum e de Paes é o principal responsável por isso, mas ainda assim está valendo. Entre diversas situações cômicas e encontros inusitados, o romance de Ivana e Leão vai tomando forma, ao mesmo tempo que começa a levantar importantes questões sobre o preconceito.


Sucesso internacional?


Em recentes obras brasileiras, principalmente as que preenchem o catálogo da rainha dos streamings, nos acostumamos a ver aspectos da narrativa que também dialogam com o público internacional (tá explicado os desnecessários diálogos em inglês). Porém, o maior problema do longa não é a sua tentativa de conquistar fãs ao redor do mundo, mas sim, a ironia de abordar o nanismo com um ator que, na verdade, possui 1,80 metros de altura.


Depois do sucesso de Tudo bem no Natal que vem, o protagonismo de Hassum pareceu uma aposta segura mais uma vez. E, de certo modo, é. Afinal, a gente adora ver os mais variados filmes com os nossos atores preferidos, mesmo aqueles que não parecem tão promissores. Contudo, por mais que a escalação do comediante chame a atenção, e ele saiba entreter (como de costume), não é ele quem deveria estar discutindo sobre o tema principal do filme. Que tipo de representatividade é essa, dona Netflix?


Altos e baixos


Assim como Crush à Altura, produção adolescente da Netflix, o filme de McHaddo chega com uma proposta muito clara. Entretanto, junto com o seu parceiro, a comédia nacional se prendeu ao exagero e, no fim das contas, deixou a desejar. É claro que estamos falando de um filme humorístico, então grande parte da narrativa não pode ser levada muito a sério (e nem deve!), mas é decepcionante quando uma mensagem tão importante é prejudicada a troco de algumas piadas sem graça e, pior ainda, a sede por visualizações.


Entre altos e baixos (perdoem o trocadilho), Amor Sem Medida se sustenta como mais uma comédia besteirol nacional com uma trama repleta de clichês, trocadilhos e uma trilha sonora diversificada, para passar duas horas do seu dia sem muito pesar. Entretanto, levando em conta sua mensagem principal, o longa vem com uma boa ideia que, infelizmente, apresenta uma execução longe disso.


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