Buscar
  • @luigienricky

Análise | Atypical: Temporada Final - A despedida perfeita de uma história perfeita

Depois de quatro temporadas, chegou a hora de nos despedirmos de Sam, Casey, Elsa, Doug, Zahid, Paige e companhia. Para a tristeza de muitos e a alegria de poucos, a produção da Netflix que ajudou a por em pauta debates importantes sobre a vida de pessoas que se encontram no espectro autista e a eliminar tabus e preconceitos foi um marco para a dramaturgia mundial e conseguiu se despedir da mesma forma que chegou: Simples, emocionante e empolgante.

Sentiremos saudades, Sam!

Sam é uma pessoa necessária!


Ao longo das quatro temporadas de Atypical pudemos acompanhar a rotina de Sam que tenta levar a vida mais normal possível mesmo tendo uma mãe super protetora que acaba sendo a maior responsável por ele se achar incapaz de levar uma vida igual à dos seus amigos. Através dos olhos de Sam, vemos como é a vida escolar de uma pessoa no espectro, como pode ser assustador entrar na faculdade, morar sozinho e até mesmo perder a virgindade. O que é mais legal é que a série mostra que mesmo que isso possa ser assustador, não é impossível se ele tiver o apoio necessário para se entender.


Na última temporada, Sam decide que já fez tudo o que podia fazer e ta na hora de respirar novos ares, literalmente, já que ele pretende fazer uma grande viagem (mas tipo, é uma grande viagem meeeeesmo). Mais uma vez sua mãe se mete achando que ele não conseguirá, mas dessa vez, mais pessoas passam a achar que a ideia de Sam é uma loucura quando na verdade estão projetando nele a própria insegurança das suas vidas.

Duas das pessoas mais importantes na vida de Sam têm sérios dilemas para lidar e encontram forças na coragem do protagonista. É lindo de assistir!


Personagens inesquecíveis pedem momentos inesquecíveis!


Na temporada final, todos têm seus momentos para brilhar, até mesmo a personagem mais chata, sem sal e destruidora de relações (sim, Izzie, to falando de você) conseguirá arrancar suspiros e algumas lágrimas até dos corações mais frios e das almas mais sebosas que existem.


Doug, o pai de Sam aprende a lidar melhor com as emoções e os seus sentimentos desconstruindo aquele velho tabu de que homem não chora e não sente, e é através de Ewan e Sam que ele consegue fazer isso. Elsa passa a ser mais confiante e menos ranzinza, ela praticamente troca de função com o marido que passa a ser o chato da relação, mas não se engane e nem subestime a capacidade que Elsa tem de irritar o espectador...


Casey descobre mais sobre si mesma, seu lugar no mundo e novas formas de lutar pelo que acredita e acha certo, além de continuar sendo a pessoa que mais acredita e ama o irmão. Zahid prova mais uma vez que é um amigo de fé, irmão camarada quando mesmo diante de um grave problema se mantém fiel a Sam.


Por fim, eu não poderia dar destaque a todos os personagens sem falar da que mais sofreu em todas essas temporadas, nossa amada Paige!

Embora não seja falado na série, Paige também parece uma pessoa neurodiversa

Dentro todos os personagens da série, a que tem maior desenvolvimento depois do protagonista, na minha opinião, é Paige, sua namorada! Através dela e de tudo que ela preciso relevar para construir uma relação sólida com Sam, conseguimos ver que, embora possa ser desafiador, não é impossível criar relações construtivas e duradouras com uma pessoa no espectro, além de todo seu desenvolvimento pessoal que vai desde a escola, passando pela humilhação de trabalhar como batata e abandonar a faculdade por não se encaixar.


Ainda que a série não diga em nenhum momento (que eu me lembre) sobre Paige ser uma pessoa neurodiversa, acho que fica subentendido pela forma que ela fala, se comporta e pensa, o que torna tudo ainda mais especial pois ela é uma personagem sonhadora, batalhadora e corajosa como dito no encontro final entre ela e Sam que me fez chorar por 30 minutos e que está na minha lista de momentos favoritos de todas as séries que já vi na vida. Prepara o lencinho e, caso não tenha assistido ainda, vai maratonar pois é a série ideal pra isso!


Um final otimista para uma série otimista!

Adeus Sam!

Atypical sempre foi uma série onde as coisas dão certo, mas não significa necessariamente que nada dá errado pra ninguém, muito pelo contrário, a série mostra que mesmo diante das adversidades da vida, tudo pode caminhar para um final feliz. Claro que existem alguns problemas nessa linha de pensamento, principalmente se você levar em consideração a situação socioeconômica dos protagonistas se comparado a Izzie ou a Ewan por exemplo. Ainda assim, é uma obra ficcional, e uma mensagem positiva é sempre bem vinda!


Não espere nenhuma conclusão trágica para nenhum dos personagens do núcleo principal, até porque, nem faria sentido mesmo se acontecesse, afinal, essa é uma série sobre inclusão, normalização e eliminação de tabus, não é um grande drama e cumpre bem sua função de informar e deixar seu coração quentinho!







0 comentário