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  • Giulia K. Rossi

Análise | Bar Doce Lar - Um retrato simples e emocionante sobre amadurecimento

O filme recém lançado na Amazon Prime Video, Bar Doce Lar, é o sexto longa dirigido pelo ator vencedor do Oscar, George Clooney. Entre altos e baixos na sua carreira como diretor, o drama surpreende o público com uma trama simples e tocante sobre amadurecimento, além de atuações conviventes, que entregam os melhores momentos da obra.


Baseado no livro de J.R. Moehringer, a produção acompanha a trajetória de J.R da infância ao mundo adulto, e o que levou o garoto a se tornar um escritor. A trama se inicia quando ele a sua mãe (Lily Rabe) vão morar com o avô por conta de dificuldades financeiras. Na antiga casa, o menino contracena com sua família desequilibrada e encontra uma importante figura paterna em seu tio Charlie (Ben Affleck), que passa grandes ensinamentos em seu bar.


Um elenco brilhante!


Entre os pontos positivos do filme, é fácil destacar o seu elenco. Interpretado quando jovem por Tye Sherudan e por Daniel Ranieri quando criança, os dois atores que dão vida a J.R. são talentosos e carismáticos, facilmente agradando o público. O mesmo pode ser dito sobre Affleck no papel do descolado tio Charlie, que, embora não seja o astro do filme, é quem surpreendentemente rouba a cena.


Todo o elenco parece confortável em seus papéis e entregam interações emocionantes, mesmo sem forçar muito a barra. Os diálogos não são muito sentimentais e dramáticos, mas ainda assim transmitem uma poderosa e sincera carga emocional, especialmente nos momentos contracenados entre J.R. e seu tio, ou ainda J.R. e sua mãe.


Simples Vs. Lento


De modo geral, Bar doce Lar é uma narrativa simples, que prende o telespectador sem fazer muito esforço. Diferente das grandes produções hollywoodianas, o filme não aposta em grandes reviravoltas e cenas intensas e pesadas, que fazem os emocionados (como eu!) sair derrubando lágrimas.


Ainda que considerado como um longa "coming of age", este aposta mais nas relações familiares de J.R., que vão além dos comuns problemas que vemos em tal transição da infância para a adolescência, como bullying, paixões secretas e problemas de autoestima. O interesse amoroso do protagonista, inclusive, pode ser facilmente esquecido dentro da narrativa, pois o foco principal é a relação dele com o seu pai ausente (mesmo que o protagonista não admite o quanto isso o afeta).


Contudo, devido a sua narrativa simplista, o filme acaba seguindo um ritmo um tanto lento, que faz a história parecer mais longa do que o necessário. Mesmo que refrescante, a falta de intensidade e ação também custa para fisgar o telespectador do começo ao fim, especialmente com tantos saltos temporais. Infelizmente, a vida adulta de J.R. não é tão cativante quanto o seu primeiro arco como criança.


Fim, doce fim...


Ambientado em uma estética dos anos 70, composto por uma trilha sonora nostálgica que dá vontade de sair cantando e formado por um elenco cativante, Bar Doce Lar encontra os seus momentos de brilhar, mesmo com alguns tropeços. Com uma direção e narrativa simples, que pouco fazem uso do melodramático, esse não é o seu típico filme hollywoodiano sobre amadurecimento... Mas esse é justamente o seu charme.



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