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  • Giulia K. Rossi

Análise | Beckett - Ação da Netflix decepciona até no título!

Procurando suspense, ação e drama? E que tal uma pitada (bem exagerada) de política? O novo longa da patroa Netflix, Beckett, junta tudo isso e mais um pouco em uma narrativa de perseguição que busca colocar o protagonista nas situações mais absurdas possíveis. Contudo, mesmo com as mais boas intenções e referências, o filme estrelado por John David Washington peca na execução e entrega decepcionantes duas horas.


A trama segue Beckett, um homem que está passando suas férias na Grécia com sua namorada (Alicia Vikander). Entretanto, a diversão é logo interrompida quando o casal sofre um trágico acidente e ele, de repente, se vê dentro de uma conspiração política e perseguido por uma perigosa organização.


Suspense? Ação? Drama?


Beckett começa lentamente, introduzindo para a audiência um protagonista feliz e apaixonado. Porém, a felicidade não dura muito e a produção logo se desfaz por completo da personagem de Vikander, caminhando para uma trama um pouco mais acelerada, com John David Washington ocupando a tela em todos os momentos. Infelizmente, o personagem do ator não tem nem metade do carisma de sua parceira e o mesmo se aplica aos secundários, que são introduzidos na narrativa sem realmente contribuir para o seu desenrolar.


O longa de Ferdinando Cito Filomarino é, essencialmente, quase que um thriller psicológico. Na maior parte do filme, o nosso protagonista não sabe porquê está sendo perseguido e nem quem está tentando matá-lo, colocando tanto ele quanto o espectador em uma situação agoniante. Contudo, esse sentimento não é facilmente comprado pelo público, pois, mesmo em um constante ritmo de perseguição, a produção consegue ser lenta, pouco dramática e até (ouso dizer, mas já dizendo) tosca.


As cenas de suspense não se estendem o tempo necessário para tirar o público de seus acentos, e o mesmo se aplica aos momentos dramáticos, que são tão rasos que dificilmente envolvem a audiência. É aqui que a trilha sonora ganha força, apostando em sons exagerados para elevar o desconforto do espectador. De fato, isso ajuda a intensificar a tensão, mas, no fim das contas, o roteiro fraco fala mais alto.


A noção passou longe! (Aviso de Spoilers)


Porém, o problema de Beckett não acaba por aqui. Mais uma vez o enredo falho é colocado em cheque e, ao longo do filme, a audiência é apresentada a uma série de cenas absurdas, que, ao invés de entreter, fazem justamente o contrário (não foi dessa vez, meu amigos!). Ainda que falte dramaticidade nas cenas de ação, o pior do longa são os momentos em que a dramaticidade parece absurda demais para qualquer um engolir.


Após uma cena de ação atrás da outra, o protagonista está, no mínimo, fisicamente abalado. Seguimos um Beckett manco, ferido, com o braço e os dedos quebrados, entretanto, nada impede que ele salte de penhascos, prédios, ou mate qualquer um que esteja em seu caminho. Sem contar a "super força" do protagonista, as atitudes dos "vilões" do longa também são pouco críveis e ridiculamente mantidas para que a história possa prosseguir.

Beckett ou super homem?

A luz no fim do túnel


Tudo tem seu lado positivo, não é mesmo? Mesmo que dirigido de forma amadora, o longa apresenta uma cenografia envolvente, que evidencia diferentes lugares da Grécia e brinca entre paisagens mais simples e outras deslumbrantes no caminho do protagonista. Para quem está com saudade de viajar nessa pandemia, essa (com certeza absoluta) não é a viagem dos seus sonhos, mas ainda assim vai te proporcionar memoráveis vistas.


Além disso, o personagem Beckett pode até não ser um dos mais carismáticos, mas John David Washington até compensa o roteiro raso com uma atuação cativante, pelo menos nas cenas de maior carga emocional. Se você acabou de perder sua namorada e está sendo perseguido por um bando de malucos, sem dúvidas suas emoções vão tirar o melhor de você. É uma pena que o filme não faz um bom trabalho ao equilibrar a ação e o drama, e tudo parece um monte de bagunça em cima de uma trama política.

Você fez falta Alicia Vikander!

Beckett, Bill, Mike, tanto faz...


A premissa do longa não é brilhante, e até mesmo o seu título genérico evidencia a falta de originalidade, mas, pelo menos, conta com a interessante ideia de "lugar errado na hora errada", que qualquer um pode se identificar. Beckett tem suas (várias) falhas, contudo, consegue entreter o espectador o bastante para que ele fique até o final e queira ver qual vai ser o resultado de toda essa confusão. Infelizmente, nem mesmo o fim do caminho faz o percurso valer a pena.



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