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  • Luigi Leite

Análise | Boneca Russa - Temporada 2: A longa espera valeu a pena!

A série que em sua primeira temporada explorou um dos gêneros mais clichês do cinema e nos presenteou com um plot twist surpreendente, retorna explorando as possibilidades de um outro gênero de filmes tão clichê quanto e com um plot twist ainda melhor. Bora conferir a análise da segunda temporada de Boneca Russa?


Da última vez que nos encontramos com Nádia, ela parecia ter cruzado várias realidades diferentes até conseguir voltar para o seu lugar na sua linha do tempo. Tudo isso é interpretativo, ok? Mas a maioria dos conspiradores da internet concordam que a trama de Nádia era ajudar Alan ao mesmo tempo em que ajudava a si, uma vez que o primeiro era um suicida e a protagonista, indiretamente, também se matava aos poucos com seus vícios em drogas e álcool.


Depois do roteiro explorar todas as possibilidades existentes do drama acerca de uma pessoa presa nos loopings temporais confesso que fiquei curioso para saber do que a segunda temporada trataria e que camada profunda da personalidade de Nádia seriamos convidados a nos meter através da narrativa inteligente. Novamente, fiquei surpreso com o resultado final.


DE VOLTA PRO FUTURO TA DIFERENTE...

Onde é que eu tô? Será que eu tô em Alagoinha?

Na nova temporada, o espectador é levado ao passado de Nádia, especificamente no período em que ela ainda estava dentro da barriga da sua mãe. Na primeira parte da história ficou claro o quanto a protagonista tinha uma relação difícil com a mãe e o quanto esta era uma questão mal resolvida na sua vida. Entretanto, por causa dos outros problemas que Nádia vivia e que eram muito mais urgentes para serem tratados, o foco na temporada 1 não foi as relações familiares. Para nosso alegria, agora é.


Depois de pegar uma linha de metrô errada, Nádia volta no tempo se encontra nas ruas de Nova York dos anos 80. Mas calma aí, se você acha que ela passa a viver como Nádia, está muito enganado... Acontece que ela possui o corpo da mãe e vive todas as experiências que a mãe viveu enquanto estava grávida. Através da perspectiva da mãe (embora para nós é a imagem de Nádia que vemos) a protagonista percebe que, mesmo que se comporte como ela mesma, no final das contas são as ações da mãe que prevalecerão no final.


Em outro momento, Nádia viaja para um passado ainda mais distante passando a viver no corpo da avó e tudo que ela passou para fugir dos nazistas, ao mesmo tempo em que Alan viaja e incorpora sua avó e passa a viver um relacionamento com um dos revolucionários que pretendem derrubar o muro de Berlin. De forma muito inteligente, o roteiro nos mostra que é impossível mudar o passado, por mais que tenhamos o desejo de fazê-lo, e que o passado, assim como a história, estão ali para nos impedir de cometer os mesmos erros e aprender com o que passou.


QUEBRE O CICLO

A química entre os dois artistas pode ser sentida na pele

Através da possibilidade de viver na pele de seus parentes do passado, Nádia e Alan percebem que não podem e nem devem passar o resto da vida se culpando pelas escolhas dos pais (profundo, né?) e que precisam romper o ciclo de superproteção ou toxicidade em que viveram até agora, só assim poderão ter uma vida plena e feliz.


Nádia percebe que, embora sentisse falta da mãe biológica, sempre teve o amor, carinho e cuidado da sua madrinha Ruth mas que a vida uma hora cobraria sua maturidade que custa a chegar, colocando a prova tudo que Nádia acredita. Esse episódio especificamente, explica para o espectador como funciona um paradoxo temporal, ou seja, algo ou alguém que fez ou aconteceu e que não deveria ter acontecido que impacta no futuro por causar uma pane nos acontecimentos, ou seja, situações contraditórias que ao mesmo tempo que não deveriam acontecer, acontecem (será que o looping de mortes da temporada 1 também foi causada por um paradoxo temporal?). No caso da nossa ruivinha, ela trás para o presente algo material que só deveria existir no passado causando uma falha na Matrix.


O roteiro e a narrativa são brilhantes e me fizeram vibrar e criar várias teorias aqui na sala de casa.


PRÓS E CONTRAS

Saiu no jornal de 1982 que só não gosta de Boneca Russa quem nunca assistiu

A fotografia e a trilha sonora da série continuam impecáveis. A atuação de Natasha Lyone e Charlie Barnett são precisas e emocionantes. Anda que Natasha continue extremamente caricata, dessa vez me incomodou menos pois acho que entendi a psique da personagem. Se eu tiver algo para reclamar realmente é mais pela personalidade de Nádia que parece mais fod*se do que nunca.


As vezes o humor parece escrachado demais ou usado de forma precipitada como nas primeiras vezes que ela percebe que está vivendo dentro do corpo da mãe e age naturalmente sem nem parecer assustada. Ao mesmo tempo que isso é esperado da personagem parece sem noção (olha o paradoxo aí outra vez...).


Boneca Russa consegue surpreender ao explorar de forma inteiramente nova vários gêneros clichês do cinema, nos presentear com uma história cheia de plot twist e um roteiro inteligente que consegue por pra funcionar o tico e o teco de todo mundo que assiste. Se no passado faltava algo para a série merecer a nota máxima do nosso site, esse ano ela conseguiu. Espero que tenhamos mais temporadas para explorar mais gêneros batidos do cinema e que possamos passar mais um tempinho com Nádia e Alan que continuam sendo a coisa que mais importa nessa série, mesmo que Alan tenha ficado um pouco mais apagadinho na temporada 2.


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