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  • @luigienricky

Análise | Cidade Invisível - Carlos Saldanha coloca as lendas do Brasil no mapa internacional

Quando a Netflix anunciou que lançaria uma série brasileira contanto histórias com as nossas lendas, imediatamente me veio a cabeça atrocidades como O Mundo Sombrio de Sabrina, Death Note e mais recentemente, O Clube das Winx. Enquanto estive tomado pelo desespero, ignorei fortemente a ideia dessa série e assim foi até dar play no primeiro episódio e ver que foi uma criação do nosso cristalzinho, Carlos Saldanha. Ok! Se eu tivesse sabido disso antes, talvez não estivesse com tanto medo.


Mas será que a série conseguiu capturar a essência das nossas lendas de forma respeitosa e mostrar para o resto do mundo que a Iara, o Saci, o Curupira e Boto-Cor-de-Rosa são tão legais quanto Lobisomens, Vampiros, Pés Grandes, Bloody Mary ou qualquer outro bicho bizarro que tenha aparecido em Supernatural? Vamos descobrir!!!

Marco Pigossi parece ter se tornado o Menino dos Olhos Brasileiros da Netflix!

Se situa


Pra você que caiu de paraquedas e não faz ideia do que se trata a série Cidade Invisível, vou te contar, se liga na resenha: "Erik trabalha na linha de frente da Policia Ambiental do Rio de Janeiro até que um dia se deparou com estranhos acontecimentos que se tornaram cada vez mais frequentes, o que o coloca frente a frente com criaturas do nosso folclore. Será que essas criaturas são amigáveis ou querem a cabeça do policial?"


Qualquer coisa que eu disser a mais sobre a trama, pode acabar estragando sua experiência na hora de assistir. Mesmo se você achar que sabe tudo de lendas por ter visto isso na escola durante oito anos da sua vida.

Será que é geograficamente possível um boto cor de rosa ir parar no Rio de Janeiro?

Vamos falar de coisa boa?


Se você torceu o nariz quando viu o trailer ou se você é um consumista raiz de produções americanas do tipo que acha que qualquer coisa produzida no Brasil é um lixo, tenho duas coisas pra te falar. Primeiro, cresça! Segundo, assista a série pois ela pode ser um "abre alas" para que você conheça as milhares de produções nacionais que não deixam nada a desejar para Hollywood.


A primeira coisa que me chamou a atenção na série (após saber que tinha dedinho do Saldanha no meio) foi a qualidade técnica da produção. Os efeitos especiais estão super decentes, muito melhor que muita série popular da plataforma, assim como a fotografia e as atuações. Principalmente o senhor Pigossi que só ganha meu respeito e admiração para cada projeto que o lança internacionalmente! (Essa série será distribuída para o mundo todo, Emmy, eu creio!)


A trilha sonora é nostálgica com músicas nacionais que já são muito conhecidas lá fora e trás uma familiaridade enorme para que o espectador sinta-se em casa, literalmente. Os personagens folclóricos escolhidos para essa primeira temporada são carismáticos e misteriosos, principalmente o Saci e o Curupira, meus favoritos. Além do Pigossi, quem me impressionou muito na sua atuação foi o maravilhoso Fábio Lago, que conseguiu me tirar arrepios de lugares que nem têm folículos capilares.

As cenas envolvendo Iara são lindas e perturbadoras, amei demais!

Falta pouco pra chegar lá!


De modo geral, foram pouquíssimas coisas que incomodaram, detalhes mínimos que podem ser alterados mais pra frente, como acredito que serão. É o caso da Cuca (Alessandra Negrini), tanto a personagem como a atriz por si só dispensam qualquer apresentação, ambas são maravilhosas e amadas, mas o que me deixou triste foi a caracterização e os poderes da bruxa. Esperava mais mas entendo que a Cuca não era o foco da trama, embora os trailers possam nos ter induzido a pensar assim. Tenho certeza que em uma eventual segunda temporada ela será melhor desenvolvida e, quem sabe, até apareça com mais características reptilianas (Rainha Elizabeth, corre aqui!).


Outro ponto que me incomodou foi o fato da história ser ambientada (mais uma vez) no Rio de Janeiro, sendo que a maioria das lendas que aparecem na trama são originarias do Norte do país. Entendo que no contexto da história, faz sentido que todos estejam no Rio e mesmo que tenham criado uma trama acerca das comunidades ribeirinhas (que também tem bastante relação), esperava ao menos algumas menções quanto a origem desse pessoal.

Só queria um híbrido entre as Cucas para minha fanfic de Sítio do Pica Pau Amarelo Shippuden

Um detalhe ou outro quanto a caracterização dos policiais também ficou um pouco estranho pra mim, uma coisa muito americanizada e pouco nacional. Mesmo que eles não sejam o foco da narrativa, fazem parte do pano de fundo e até tem uma certa importância nos minutos finais, mas essa não é a policia que todo brasileiro conhece!


Esses mínimos detalhes me impedem de dar a nota máxima para a série mas já boto fé que, caso seja renovada, darei com a língua nos dentes e essa se torne a substituta perfeita de 3% que me deixou órfão de superproduções nacionais!


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