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  • Giulia K. Rossi

Análise | Clickbait - Um suspense intrigante sobre as ameaças da internet

Assim como o próprio nome indica, a nova produção da Netflix, Clickbait, veio para chamar a atenção logo de cara! A série de suspense tem como tema central os perigos de se relacionar na era tecnológica, e puxa o espectador para uma trama cheia de reviravoltas, mistério e intrigas. Mas será que a premissa envolvente cumpre as expectativas?


Criado por Tony Ayres e Christian White, o seriado acompanha a vida de Nick Brewer (Adrian Grenier), um homem de família que é sequestrado e, em um vídeo online que pode custar sua vida, é acusado de assassinato e de abusar mulheres. Sem saber no que acreditar, os seus familiares correm para descobrir quem é o responsável pelo sequestro e se as acusações são, de fato, verdadeiras.

Quantas visualizações vale uma vida?

Se prepare para a maratona!


Assim como a maioria das produções do streaming, Clickbait não é uma obra prima, mas se sustenta com uma narrativa que prende o público do começo ao fim. A série faz bem ao abordar importantes tópicos que ganham força nos dias de hoje, como a dominância das mídias digitais no cotidiano, as armadilhas da internet e os perigos dos relacionamentos online e da cultura "viral".


Ao abusar de temas relevantes, que falam diretamente com qualquer espectador do século 21, o seriado toma forma e envolve a audiência sem grande esforço, mesmo que com um roteiro falho em certos momentos. Dividindo o seu foco em diferentes personagens, o público se vê intrigado para descobrir como será o fim dessa história, e acompanha como o sequestro de Nick afeta cada um dos protagonistas.

Um marido perfeito ou um bom mentiroso?

Temos Pia (Zoe Kazan), sua rebelde irmã mais nova, Sophie (Betty Gabriel), sua aparentemente perfeita esposa, Ethan (Cameron Engels) seu filho mais velho, Roshan Amiri (Phoenix Raei), o detetive do caso, Emma Beesley (Jessie Collins), sua amante, e Ben Park (Abraham Lim), o repórter que não mede esforços para fazer o seu trabalho. Os capítulos são bem construídos e se conectam facilmente com a trama principal, mesmo que apresentando suas próprias subtramas (algumas infelizmente desnecessárias), mas, de qualquer forma, vale destacar quem brilhou mais debaixo dos holofotes!


Quem faz valer o ingresso!


O que conta é a participação, não é mesmo? Mas, mesmo que todos do elenco levam estrelinhas douradas para casa, Zoe Kazan e Betty Gabriel roubam o show! A relação das duas personagens não só é um dos aspectos mais interessantes do seriado, como as suas personalidades separadas também conquistam o público, que fica sem escolhas a não ser torcer pelo final feliz da família (ou o mais próximo disso).

As rainhas da p*rra toda!

Seja o carisma de Kazan, que capta a audiência mesmo no papel da incorrigível Pia, ou o talento de Gabriel, que emociona sem dificuldades, a dupla eleva a qualidade da série, que ganha intensidade em cada momento que dividem. É uma pena, no entanto, que a produção se perde em alguns enredos e cai nos mesmos problemas que a maioria dos conteúdos do gênero vivem caindo. Uma dica para séries policiais: foquem menos no teatro e mais na investigação!


A gente perdoa, mas... (aviso de spoilers)


Quando assistimos um programa de televisão, é de se esperar que algumas coisas vão fugir da realidade, puramente por motivos de entretenimento (por que não deixar a vida mais empolgante, não é?), mas, às vezes, as produções esquecem que o exagero pode ser mais trapaceiro do que a monotonia.


De modo geral, podemos até relevar o pouco aprofundamento de subtramas importantes (alôoo, uma adolescente foi abusada pelo seu professor!), ou até o fato de que a polícia faz tudo, menos o seu trabalho. Afinal, como de costume em enredos de investigação, todos sempre querem bancar os detetives, enquanto os verdadeiros policiais passam o dia dormindo na delegacia.


Não é difícil notar que, embora Clickbait introduza um investigador como um dos seus personagens principais, a verdadeira investigação foi feita por repórteres intrometidos, nerds com muito tempo livre, e familiares com desejo de bancarem os super-heróis.


A realidade mandou um beijo! (aviso de spoilers)


Contudo, nada disso é o que mais prejudica a série, e sim o seu tão esperado desfecho. Criando um suspense cativante, que se intensifica mais e mais com o decorrer dos capítulos, Clickbait é uma daquelas produções que você devora em uma só noite. Por isso, é ainda mais decepcionante quando nos deparamos com um episódio final novelesco, que serve apenas para ressaltar o seu roteiro amador.


A chocante reviravolta, de fato, contribui para o fator surpresa e para o entretenimento, mas é um total fiasco se levada em conta a realidade. No fim das contas, enfraquecida por um desfecho nada menos do que tosco e forçado, a produção, assim como o seu próprio título destaca, promete um espetáculo maior do que realmente é.


Cumpre o que promete?


Clickbait, entretanto, mesmo que cometendo erros bobos e apostando em tramas facilmente esquecíveis (como o desnecessário romance entre Pia e o detetive), fisga o espectador com uma série de perguntas sem respostas, que pouco a pouco vão sendo respondidas. É uma narrativa que se complementa gradativamente, sem pressa, mas sempre acelerada, prendendo o público no sofá do início ao fim, do jeitinho que a gente gosta.


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