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  • @luigienricky

Análise | Coisa Mais Linda - 2ª Temporada

Atualizado: 26 de out. de 2020

Atenção: Essa análise contém alguns spoilers da temporada anterior, caso não tenha assistido ainda, a leitura pode comprometer a sua experiência.


Que presente maravilhoso este que a dona Netflix nos entregou! Para quem não conhece, Coisa Mais Linda conta a história de Maria Luiza, uma mulher forte e independente que saiu de São Paulo em busca do seu sonho e abriu um clube de musica na boêmia Rio de Janeiro dos anos 60.

(Muita coisa mudou na temporada dois, mas não tudo)


Nessa segunda temporada, Malu retornar junto com Adélia e Thereza para continuar a história da primeira parte que terminou de forma trágica e assustadora, mais uma vez nos convidando a refletir no que mudou na nossa sociedade dos anos 60 pra cá!


Depois do seu marido retornar para transformar a sua vida em um inferno e do incidente do ultimo episódio da temporada anterior, já nos preparamos para muito drama como uma boa novela que tanto amamos. Novos personagens são inseridos, arcos são encerrados e novas histórias são apresentadas para encher nossos coraçõezinhos românticos de amor.


Se nossos sonhos não assustam a gente é por que eles não são grandes o suficiente!

Que coisa mais linda (hue hue) essa citação. Desde o seu inicio a série sempre tratou com delicadeza a ideia dos sonhos das pessoas e aqui a gente continua com essa saga explorando uma personagem que ganhou muita força!

(Ivone brilha e quase ofusca as outras protagonistas)


Uma personagem que ganhou destaque e um drama particular muito interessante, foi Ivone, irmã de Adélia. É nela o foco musical nessa temporada, ainda bem porque ninguém aguentava mais aquele Chico e a insonsa da Lígia (que Deus a tenha). Ivone é uma artista daquelas que você sente prazer em assistir, mérito todo de sua interprete, Larissa Nunes. Também somos apresentados ao seu namorado (não vou dizer quem) que foi fundamental para enriquecer ainda mais o contexto em que Ivone está inserida.


Um detalhe um pouco avulso que incomodou foi como Ivone desiste fácil das coisas diante do primeiro obstáculo. Talvez este seja apenas o olhar de um homem branco que não sabe o que é sentir racismo na pele, mas como roteiro, me pareceu preguiçoso e um pouco de encheção de linguiça. Sabemos que ela teve uma vida difícil mas também acho que foi uma bola fora ela perceber o quão incrível é apenas depois que um macho diz isso pra ela.


Por falar em macho...


Boy lixo por toda parte!


Incrível como essa série treina nossos olhos para reconhecer um boy lixo de longe. Em nenhum momento as personagens romantizam aqueles "elogios" machistas que ninguém pediu. Cada vez que um homem aparece você já se prepara para ele te decepcionar em algum momento se mostrando um saco de vacilo.

(Pausa para o único homem que não decepciona nunca)


Muito disso se dá pelos diálogos inteligentes e bem escritos. É muito fácil você se sentir parte da cena. Parece que a qualquer momento você pode se levantar, dar sua opinião e começar a interagir com as personagens, tudo é muito orgânico e gostoso de assistir.


A protagonista Malu continua sendo aquela pessoa verdadeira, que você quer por perto e que te inspira sempre que aparece na tela. Toda vez que ela aparece eu penso: "Ai que vontade de ser amigo dessa atriz!" Maria Casadevall, se estiver lendo isso, meu @ do IG ta aí na matéria, ta bom?


Adélia e Thereza também têm arcos interessantes mas enquanto uma fica muito apagada no inicio a outra fica apagada no final, mesmo assim é um prazer aos olhos poder ver a entrega que Pathy Dejesus e Mel Lisboa têm com as suas personagens. Queremos mais delas dona Netflix!

(Poxa! Sem defeito nenhum!)


Brasil lançando moda


Uma coisa que brasileiro sabe fazer é lançar moda, mesmo que seja duvidosa! Quem é mais velhinho lembra que antes do menino Ney, quem tinha os penteados mais copiados era Ronaldo fenômeno. As novelas também lançavam moda com suas jóias e cortes de cabelo (as meninas e as gay que o digam).


O figurino dessa série é a coisa mais linda (ta bom, vou parar). Da vontade de viver nos anos 60 ou correr no brechó vintage e caçar peças como as utilizadas por Malu e companhia. Umas das primeiras coisas que reparei é nos brincos, reparem! É a coisa mais... Er... Muito bonitos e com design moderno! Esse barro tem que pegar!


O que falta?

(Malu destruindo minha alma com o olhar por causa da crítica que farei agora)


A série tem um humor característico muito afiado, em alguns momentos da temporada você fica tenso para depois ser surpreendido por uma resolução que acaba em comédia e é muito bem vinda pra manter o clima otimista da história. Outros detalhes porém...


Uma evolução em relação a temporada de estréia é que os problemas são melhores elaborados, não se resolvem em apenas um episódio embora ainda seja tudo simples demais, mas acredito que essa seja uma característica da série mesmo (se não mudou até agora, não muda mais e tudo bem).


Na temporada 1, dei uma nota de três estrelas para Coisa Mais Linda, dessa vez eles merecem muito mais. O tema da série nunca será fraco ou ultrapassado enquanto se mostrar necessário e por isso não seria justo não dar o devido crédito a produção e, claro, valorizar o trabalho do nosso país que passa por momentos tão turbulentos recentemente.


O gancho deixado para uma terceira temporada foi interessante mas me preocupou um pouco por ser mais do mesmo. Espero que, caso a próxima seja uma temporada final, essas coisinhas sejam ajustadas para elevar a série ao seu máximo.


Pra série ganhar aquele Cincão, só precisam ajustar a resolução dos problemas, me colocar no elenco e Maria ser minha best!





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