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  • Giulia K. Rossi

Análise | Como Hackear seu Chefe - A comédia brasileira no mundo tecnológico

Todo mundo precisa de uma boa risada e distração de vez em quando. No mundo atual, é fato dizer que o entretenimento vem nos proporcionando esses momentos leves que tanto necessitamos. Contudo, até mesmo o audiovisual precisou encontrar formas de se reconstruir e se inserir nessa nova realidade que vivemos. O universo do home-office, do compartilhamento de tela, das longas chamadas de vídeos estão mais presentes do que nunca no imaginário coletivo, e a comédia brasileira Como Hackear seu Chefe se aproveitou exatamente disso.


O longa de Fabrício Bittar acompanha o responsável Victor (Victor Lamoglia) que, após uma noite atípica de bebedeira, envia para o seu chefe a apresentação errada, a qual pode custar nada menos do que o seu emprego. Com a ajuda de seu melhor amigo (Esdras Saturnino) e da sua crush do trabalho (Thati Lopes), o jovem vai fazer o impossível para hackear o e-mail do chefe e prevenir o desastre. Mas nem tudo vai sair conforme o planejado...

E aí, me diz se o desespero não bateu em você também?

O futuro do audiovisual?


Mais do que somente um filme de comédia, a obra de Bittar se atreve na edição e cria um ambiente completamente digital para fisgar o telespectador. A partir de uma montagem bem pensada, que conta toda a narrativa através de telas de aparelhos eletrônicos, o longa cria momentos cômicos que qualquer um pode se identificar. Sejam os desnecessariamente longos anúncios antes dos conteúdos que queremos ver, ou o cansável reCAPTCHA (não, eu não sou um robô!), todo ser humano que desfruta da tecnologia já passou por isso.


É nesse aspecto que Como Hackear seu Chefe brilha. A edição interativa deixa a narrativa dinâmica e única, mesmo em uma história que não é de longe a mais original. Essa não é a primeira vez que tal montagem foi utilizada no audiovisual (vale citar o episódio Connection Lost da sexta temporada de Modern Family), mas, definitivamente, é uma boa saída para gravar na pandemia sem perder a qualidade e criatividade das produções.


O cômico, o maluco, e um pouco dos dois


Outra aposta certeira da produção é o seu elenco principal. Estrelado por Victor Lamoglia e Thati Lopes, a comicidade do filme vem quase que naturalmente. Ainda que a dupla não divida nenhuma cena no mesmo cômodo, a química dos atores transparece e torna todo o previsível romance mais fácil de aceitar, principalmente pelas personalidades tão carismáticas e características dos dois. Quem aí não adora um casal dentro e fora das telas? (literalmente)


Para os fãs de comédia, a produção vai arrancar algumas boas risadas, usando e abusando de situações absurdas e caóticos - se prepare para ver incêndios, streaptease, fantasias ridículas e reviravoltas insanas. A maluquice aqui não é deixada de lado enquanto acompanhamos o trio de protagonistas batalhando para salvar os seus empregos e sua amizade, mas, no meio do caminho, piorando absolutamente tudo!

Essa mulher é maravilhosa, Brasil!

Delete a lógica!


Entre muitos personagens e acontecimentos, porém, o filme deixa a desejar em seu terceiro e último ato. O "fator surpresa" parece conveniente demais e facilmente arranca cenhos franzidos de certa parte do público. Buscando encerrar todos os seus conflitos, ao mesmo tempo que procura se aprofundar no seu protagonista e surpreender a audiência, o desfecho acaba por trazer um sabor amargo para a produção, que dificilmente será engolido pelos mais céticos.


Contudo, esse não é aquele filme que tenta se passar de intelectual e transmitir uma grandiosa mensagem para o seu telespectador. Ele é leve, bobo e descontraído, seguindo uma trama que sai do comum ao desfrutar de elementos tão presentes no contexto de hoje. Temos os típicos arquétipos do chefe "babaca", dos funcionários insatisfeitos, das crushs não correspondidas e aquela clássica e identificável discussão sobre como equilibrar a vida profissional e pessoal nesse mundo tecnológico.


Entre hilários erros de digitação, chats de conversa e câmeras ligadas na hora errada, Como Hackear seu Chefe cria uma caótica e absurda comédia, que consegue dialogar com o cenário atual da melhor forma possível.





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