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  • @luigienricky

Análise | Como Vender Drogas Online (rápido)

Atualizado: 26 de out. de 2020

Sabe quando você vê um filme ou uma série no catálogo da Netflix, coloca na lista pra ver depois e simplesmente esquece que colocou ali? Como Vender Drogas Online (Rápido), com certeza é o tipo de série que se encaixa nessa categoria.


A principio parece só mais uma série alemã com tema juvenil e que fala de drogas, quando você assistir vai ver que é isso que ela é mesmo! He he he! Mas isso não significa que não seja um série muito divertida e muito, muito, muito nerd. Cheia de referências a games, filmes e cultura pop num modo geral.

A cara dos nerdões é muito convincente e são o tipo de amigos que eu teria/tenho na vida real, sem a parte das vendas de drogas... Eu acho!


Nerd hoje, Chefe Amanhã!


Moritz é aquele típico nerdão super inteligente, só tira notas boas e tem uma raiva interna reprimida por algum motivo que ele mesmo não sabe qual é. Sua vida é tranquila dentro do possível. Tem um melhor amigo, uma namorada que o entende, uma casa boa e um pai amoroso. Entretanto, sua vida vira de cabeça para baixo quando sua namorada vai fazer intercâmbio e volta um ano depois totalmente diferente.


Ele descobre que sua amada Liza não é a mesma pessoa que foi embora um ano atrás e que agora curte uns entorpecentes. Com medo do julgamento do namorado, Liza se afasta e se torna bem próxima do traficante bonitão ̶n̶e̶m̶ ̶g̶u̶i̶n̶d̶a̶s̶t̶e̶ da escola. Morto de ciúmes, Moritz decide que quer vender drogas pra poder se reaproximar da namorada. Eu sei o que você está pensando, também achei essa motivação bem bosta, mas se levarmos em consideração que a namorada era tudo que ele tinha e o quanto ela era bonita, é fácil entrar na cabeça do personagem e perceber que talvez, para ele, jamais arrumaria alguém melhor. A baixa auto estima que habita em mim saúda a baixa auto estima que habita em você, Moritz!

Deixa de lado a motivação bosta e foca no que interessa!


A busca pelo sucesso da Geração Z


Ah os xóvens de hoje (como eu quis ter idade pra falar isso) querem tudo para ontem! A série deixa isso muito implícito. Moritz não quer demorar para ter a namorada de volta. Então ele decide seguir o traficante bonitão até o sua biqueira e consegue descolar do traficante chefe (após enganá-lo) um saco de dorgas. Sem saber o que fazer com tanta "mercadoria" e correndo risco de vida depois do bandidão descobrir seu endereço, ele decide abrir uma loja na deep web para vender drogas e é aí que tudo começa a ficar interessante.


Tenho certeza que quem escreveu essa série precisou depor na policia depois que estreou porque todos os detalhes são milimetricamente pensados, muito inteligentes e ver Mortiz e seu sócio Lenny usando discursos motivacionais de Mark Zuckerberg e companhia é muito insano e realista pois todos os exemplos que eles nos dão faz sentido.


A série também tem uma narrativa interessante como se fosse uma entrevista onde o protagonista conta a sua visão de tudo o que aconteceu mesmo que uma vez ou outra ele exagere na riqueza de detalhes ou em alguns acontecimentos onde ele tenta parecer mais corajoso do que foi, isso tudo fica muito mais interessante de assistir.

Antes de ter um site de drogas, o negócio dos meninos era focado em vender itens raros de jogos para ajudar os jogadores a serem os fodões dos mundos online


Questões importantes demais para serem ignoradas


Mesmo sendo uma série para o público mais velho, com certeza o tema poderá atrair jovens, seja por causa das drogas, dos games ou do tema adolescente que da pra ver de longe. Então souberam conduzir muito bem os caminhos tomados.


Mortiz não é um exemplo ideal de pessoa já que se permite viver um relacionamento abusivo por causa de ciúmes. Ele também é bastante egoísta e impulsivo. Mesmo assim é um personagem bem construído e divertido de assistir. Tanta complexidade pode afastar as pessoas mais influenciáveis e dificultar que se identifiquem com ele evitando qualquer "incentivo" de seguir os passos do protagonista. Diferente de Lenny e Daniel que são mais humanos e decidem meter o pé do negócio temendo perder a própria vida.


Um dos temas mais debatidos também é sobre a proteção de dados online, inclusive teremos uma lei que entrará em vigor em breve aqui no Brasil. Outras questões como o poder da influência nas redes sociais, a dependência que as pessoas criam dos seus likes também é inteligentemente abordado. As relações criadas online nas comunidades de jogos e a importância dela na vida de muita gente é muito interessante de acompanhar, principalmente a trajetória de Lenny, que pode ser um espelho para muitos jovens, e as relações muitas vezes mais reais que eles criam com pessoas online do que com a própria família.


Se pudesse mencionar um ponto negativo seria referente a passagem do tempo que deixa tudo um pouco confuso até você se acostumar.


O que a temporada dois trouxe de bom?

Podemos começar com Kira que chegou sem nenhum defeito


No final da temporada anterior, depois de lucrar tudo que puderam na deep web, eles decidem que querem expandir seus negócios e vender na internet nossa de cada dia. Como são super nerds eles criam um balacobaco de site criptografado lá e começam a vender pro mundo todo. O único problema é que a grana é paga em bit coins e eles precisam arrumar uma forma de lavar esse dinheiro ao mesmo tempo que convertem para dinheiro real.


É aí que entram as traficantes holandesas que mais uma vez nos põe a pensar até quando a flexibilização do livre comércio de drogas será benéfico para a população ao mesmo tempo em que nos mostram o contraste do tratamento de drogas em países onde elas são e não são legalizadas (Alemanhã/Holanda).


Na segunda temporada também temos mais momentos interessantes de quebra de estereótipos e toda essa lacração que lacra e lucra que nós tanto amamos nas séries da Netflix. Sei que ela adora cancelar as nossas séries favoritas mas eu to afim de passar esse pano hoje porque acordei bondosa.


Por fim, a adição de novos personagens e a parceria com outros também foi muito bem vinda e deu um ar mais leve por saber que Moritz não passaria por todo esse tormento sozinho (pelo menos na maior parte). O senso de urgência podia ser um pouco melhor e o ritmo pode dar uma acalmada pois tantos acontecimentos frenéticos acabam contrastando com as prioridades dos personagens de forma negativa. Choices!

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