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  • Giulia K. Rossi

Análise | Cruella - Diabólico, glamoroso e caoticamente divertido

A Disney conquistou o público com as suas animações, então porque não arriscar nos live-actions também? Já tivemos sucessos como Cinderela, A Bela e a Fera, Aladdin, e agora fomos surpreendidos com o filme da vilã mais odiada do estúdio: a ladra de cachorrinhos, Cruella de Vil. Essa não é a primeira vez que a companhia se atreve a explorar a história de origem de grandes vilões (Malévola cof, cof), mas com um estilo único e excêntrico, Cruella é tanto uma aposta segura quanto ousada da produtora.


A trama acompanha Cruella da sua infância até a vida adulta. Contudo, conta com algumas reviravoltas que não conhecíamos sobre a icônica personagem. Estrelada por Emma Stone, o filme mostra como a cruel vilã conheceu os seus capangas, Jasper (Joel Fry) e Horácio (Paul Walter Hauser) e então entrou em uma vida de crime, até que conseguiu a oportunidade dos seus sonhos de trabalhar para a temida e famosa estilista, Baronesa (Emma Thompson).


Preparem a passarela!


Sem dúvidas, para aqueles que já conferiram algum material sobre o filme, notaram de cara o seu figurino e cenografia extravagantes. E nada disso está lá por acaso, conversando muito bem com a temática da obra e até com a personalidade da protagonista. As roupas, as maquiagens e os cenários exagerados criam uma estética única para a produção como um todo, e apenas agregam para a narrativa que falha em certos pontos. Quem aí não ficou de queixo caído com cada vestido que aparecia em cena?


Além disso, a "excentricidade" de Cruella não somente ganha vida em suas roupas exuberantes, como também pela própria trilha sonora do filme. A música imediatamente transporta o telespectador para os anos 80, com clássicos da época que conquistam o público até hoje e que ajudam a construir uma atmosfera "sombria" e "punk rock", características visíveis na protagonista desde criança.

Uma salva de palmas para essa maquiagem, minha gente!

As rainhas da crueldade


Porém, o espetáculo não para só na fotografia e nos figurinos - nós também fomos presenteados com um show de atuações! Aqui, Emma Stone não brilhou somente em um papel, mas sim nas duas personagens que interpreta ao longo do filme. Enquanto Estella traz à tona toda a comicidade da artista, Cruella transparece o talento da atriz para todos os gêneros. Será que outro Oscar vem aí?


Enquanto isso, não é nenhuma surpresa que a veterana Emma Thompson rouba a cena como a Baronesa e, em uma vibe beeeem Meryl Streep como Miranda Priestly, a atriz entrega aquela típica mulher poderosa que você ama odiar. Junto com Stone, ela torna toda a maluquice do filme muito mais crível para o telespectador.


Às vezes é melhor desapegar...


Uma coisa que chama atenção na trama é sua ousadia em usar e abusar de referências. Seja comédias como O Diabo Veste Prada, dramas como Coringa e ações de roubo como Onze Mulheres e um Segredo, o filme brinca com essa mistura de gêneros sem se perder do seu foco principal: a origem da Cruella.


Entretanto, nem todas as referências dão certo. Cruella foi apresentada no clássico 101 Dálmatas, e era de se esperar que a produção tivesse alguns indícios da obra original para alegrar os fãs. Porém, essa tentativa foi justamente um dos fatores que enfraqueceram o roteiro. Ao introduzir Anita Darling (Kirby Howell-Baptiste) e Roger (Kayvan Novak) na história, é perceptível que os personagens foram inseridos na trama apenas como um agrado, ocupando tempo de tela, mas não possuindo absolutamente nenhuma relevância para o enredo.


É de se esperar que o após o sucesso do longa, o diretor tenha planos para uma sequência em que os dois personagens serão importantes (principalmente depois da cena pós-créditos), porém, dessa vez era melhor ter seguido com uma referência sutil e focado no que realmente interessava...

Talento desperdiçado!

Abraça o filme!


De modo geral, a obra possui um início lento que se desenvolve muito bem em seu segundo ato, só para mais uma vez pecar no desfecho. Um roteiro cheio de planos mirabolantes pode facilmente fazer com que os mais cínicos revirem os olhos em desaprovação, enfraquecendo os momentos finais do longa. (Aviso de spoilers: é, eu estou falando da parte em que Cruella salta de paraquedas!)


Porém, se você está disposto a abandonar a lógica por alguns segundos e se jogar nesse universo de ostentação, repleto de doguinhos e músicas contagiantes, então se prepare para excelentes duas horas de sua vida! Nem sempre toda essa maluquice e reviravoltas surpreendem, mas a produção elaborada e os personagens carismáticos transformam Cruella em uma das melhores adaptações da Disney.




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