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  • Laura Amaral

Análise | Dois Irmãos, Uma Jornada Fantástica!

Atualizado: 27 de out. de 2020


Pode conter Spoilers leves e tênis.


Não sei se você viu com toda a bagunça que foi o fatídico mês de março de 2020, mas a Pixar nos presentou pelas telonas a sua mais nova produção longa-metragem pouquíssissímo antes da paralisação pandêmica.


“Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica” (Original: “Onward”) é um filme de animação produzido pela Pixar e distribuído pela Disney, esse belíssimo casamento perfeito e sem defeitos que amamos! Foi escrito por Jason Headley, Keith Bunin e Dan Scanlon (Universidade Monstro), dirigido também pelo último e produzido por Kori Rae (Universidade Monstro). Sua estreia aconteceu aqui no Brasil no dia 5 de março, com uma rápida oportunidade e (última em muitas) de chegar aos olhos do público através do cinema.


Apesar de não maravilhosamente aclamado pelas críticas, o longa teve uma resposta morna dos especialistas que tendem querendo ou não a fazer comparações com Toy Story, Wall-E e outros grandes nomes feitos pela famosa lâmpadinha que olha para a gente (quem mais achava meio assustador a viradinha lenta do símbolo da pixar? Sou só eu?). No entanto, para nós, apreciadores de uma história lúdica e gostosa que refresque nosso coração de uma forma super necessária agora, vale bastante assistir!


Bora para a história!


Em um mundo de belíssimas criaturas míticas, nos é apresentado inicialmente um mundo antigo onde a magia é algo vivo e presente no dia-a-dia. Porém, devido a força intensa e imprevisível da energia nos instrumentos mágicos, as criaturas começaram a buscar outros meios mundanos e práticos para suprir suas necessidades. Anos e gerações depois, com centauros sedentários em seus carros ou uma mantícora empresária e atarefada (quase em burn-out inclusive, se me permite a observação), vemos uma população de seres “humanizados” e “acomodados” adaptados em suas máquinas e utensílios tecnológicos, praticamente extinguindo a lembrança de suas raízes fantásticas.


Os dois irmãos são elfos adolescentes protagonizados pelo tímido e inseguro Ian Lightfoot (EUA: Tom Holland; Brasil: Wirley Contaifer) com o primogênito imaginativo e apaixonado Barley (EUA: Chris Pratt; Brasil: Raphael Rossatto – A pixar não quis nada com seus dubladores né? A gente agradece!).


Ian é um menino deslocado socialmente, enquanto o mais velho Barley é um confiante entusiasta pela história das criaturas e suas heranças resumidas em um descreditado jogo de RPG ou restantes monumentos ignorados. Ele nos é apresentado como um menino incompreendido e estigmatizado por “dar trabalho” devido suas convicções (podemos entender bem como os geeks que somos), apesar de não se abalar e se manter sempre em um grande alto-astral. Enquanto Ian é aquele filho “bonzinho” porém acompanhado de um semblante confuso e triste.


Os irmãos perderam o pai precocemente tendo Ian, por ser mais novo, pouquíssimo contato com ele, mantendo-o com carinho apenas no mundo das ideias. Barley, por sua vez, conseguiu viver um pouco mais com o pai, coisa que nos é dado inicialmente como um privilégio de irmão mais velho... Até é. Mas aí é que tá.

A Fantástica Jornada!


No aniversário de 16 anos de Ian, sua mãe surpreende os dois com um presente do pai guardado para até quando ambos já tiverem alcançado essa idade. Alí eles conhecem um lado do pai nunca antes apresentado: O pai mantinha vivo em si a fantástica e esquecida característica mágica de sua natureza. Nesse presente continha um cajado e uma gema que juntos prometeria o fenômeno de retornar o pai por apenas um dia para visitar os filhos. E quem foi aquele que sabia exatamente o que eram aquelas duas coisas bizarras? Barley, né? Quem é o nerd fantasioso agora heim?


É claro que foi o suficiente para deixar a todos extremamente obcecados, não é mesmo? E também é claro que houve um probleminha no meio do caminho para que a Fantástica Jornada aconteça.


Tentando acertar o erro e conseguirem ver o pai, os irmãos saem em busca de encontrar demais objetos mágicos escondidos (e hoje entendidos como lenda) para conseguirem ter algum sucesso. Apesar de inicialmente Ian sentir medo e não valorizar os conhecimentos antes “imaginários” do irmão, passa a acreditar logo quando se vê como o canalizador dessa magia com Barley o guiando com suas experiências de “RPG”. Vamos acompanhando uma aventura entre irmãos, seus conflitos um com o outro e superações consequentes.


Moral da História!


Vemos através do sucesso de Frozen que histórias entre irmãos tocam muito nossos corações e por aqui não foi diferente.


Apesar de nada muito novo no sentido de enredo com uma busca muito louca por algo quase que inalcançável, os roteiristas nos cativam com as sutis mensagens de que tudo o que o buscamos vão acontecendo quando estamos agitadíssimos em outro foco (já dizia John Lennon: “A vida é o acontece quando estamos ocupados com outras coisas”).


[SPOILER]

Enquanto Ian traçava listas de o que gostaria de viver com o pai, vemos ponto por ponto dessas listas sendo conquistados pela oportunidade dele ter ali um irmão mais velho para preencher (mesmo que em partes) esse vazio. No entanto, mesmo que Barley tenha de fato vivido uns 2 aninhos a mais com o pai, infelizmente não houve para ele alguém que fizesse esse mesmo papel que ele faz para o irmão. É nesse momento que a história nos pega de jeito! Apenas um deles iria conseguir ver o pai e, ao final, Ian entende que essa pessoa precisava ser de fato... o Barley.


PARA QUE NÉ, PIXAR? PARA QUÊ? LÁGRIMAS A VENDA!


Além dessa sacada super sensível dos roteiristas, eles também nos oferecem símbolos muito importantes e necessários sobre o afastamento que fazemos de nós mesmos, dos nossos instintos naturais e a maravilha que somos como seres parte de uma natureza muito maior da qual acessamos através dos nossos instrumentos de praticidade e comodismo.


Ah, e claro, que é preciso dar mais valor para todo tipo de expertise... mesmo que pareçam esquisitas! Às vezes essa pessoa vista como “a estranha” é justamente aquela conectada com o temos de mais precioso.


ONDE ASSISTIR?


Para quem o filme passou despercebido por causa do início da pandemia, a nossa querida Amazon Prime está com o filme fresquinho lá para assistirmos, porém talvez seja mais fácil procurar pelo nome original “Onward”.


Você já assistiu? Conseguiu sentir o mesmo que a gente? Convoque toda sua magia da interpretação e conta aí para a gente nos comentários!



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