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  • @luigienricky

Análise | Elite: Temporada 4 - Mais Repetitivo que reforço escolar

Como diria nossa querida apresentadora do Jornal Hoje, Zileide Silva: "Gente, não dá!"

Mais um ano inicia no colégio Las Encinas e mais um crime terrível promete marcar a vida desses jovens para sempre. Com a entrada de novos alunos e mais e mais toxicidade comprovada do Ander, seguimos forçando a amizade com a dona Netflix apenas por que gostamos de safadeza mesmo, mas será que apenas cenas safadinhas são o bastante para manter Elite interessante? Você confere agora a minha análise completamente pessoal dessa série que já tem sua quinta temporada confirmada (socorro!).

Aparentemente, na Europa só existe gente branca!

Novos personagens, velho conflitos


Depois da morte de metade do elenco e da despedida de quase todo o resto, era essencial que novos personagens fossem introduzidos para que a série pudesse andar (ou tentar com muito esforço). E é assim que somos apresentados a Mencía (de longe a melhor personagem), Patrick (uma poc insuportável) e Ari (cópia da Carla) que chegam a escola junto do pai que será o novo diretor. Também conhecemos Phillip (um príncipe...).


Cada um desses novos personagens se relaciona com um dos personagens antigos para movimentar e estremecer as relações, falarei do arco de cada um para que vocês possam conhecê-los melhor.

Muito dedo no c* e gritaria

Patrick


Uma problemática da temporada anterior que até eu reclamei demais é em relação a hipersexualização do elenco gay, ainda que nós sejamos fogosos e safadinhos mesmo, toda essa safadeza é demais e me incomoda muito, principalmente por romantizar situações desagradáveis envolvendo drogas, traição e os "instintos do homem". O roteiro teve muitas chances para mudar isso mas optaram por nada pro lado contrário quando resolveram incluir Patrick na relação tóxica e imatura de Ander e Omar, o que resultou em ainda mais ranço ao playboyzinho mimado.


Patrick usa da justificativa de quase ter morrido para continuar sendo um boy lixo com todo mundo sem se importar com os sentimentos de ninguém. Ander se aproveita disso para tentar apagar aquela fornalha que ele tem dentro das calças e acaba sobrando pra Omar (mais uma vez) aguentar grosseria, estupidez, traição e pouco caso... Se vocês toparem com um boy como Ander nas suas vidas, corre que é cilada!


Ari e Phillip


Ari é irmã gêmea de Patrick (e tão fogosa quanto) e se tornou a substituta espiritual de Lucrécia na hora de fazer maldade e de Carla na hora de sarrar com os machos e é ela que se torna o motivo do desafeto de Guzmán e Samuel que estavam construindo uma amizade muito bonita, porém frágil. O arco de Ari não se desenvolve muito além disso, a não ser é claro, pelo fato de que o crime da vez a envolve e deixará você com aquele sentimento de: "PQP, de novo isso irmão?"


Já o principezinho, Phillip, chega em Las Encinas com um monte de regras de segurança que deixa os alunos super pistolas pois ficam incomodados que alguém mais rico que eles tenha mais privilégios, white people problem que chama né? Entretanto, ele até que tem um desenvolvimento interessante ao se envolver com Cayetana e criar todo um clima de A Princesa e o Plebeu às avessas, além de ter um segredo horrível que o fez ter que sair as pressas do seu país (não criem expectativas para a revelação desse segredo).

Sua dose diária de macho sem camisa

Mencía


De longe, a personagem mais interessante que apareceu nessa temporada, aliás, se você prestar bastante atenção aos diálogos, vai perceber que tudo gira em torno dela. Desde a mudança para a nova escola até a resolução do "grande" bafafá dessa temporada. Além de fazer a filha rebelde, feminista, lacradora, babado e confusão também percebemos que Mencía é uma menina assustada que só precisa que o pai dê um pouco mais de atenção a ela e pare de culpá-la por toda a desgraça que assola sua família. É de partir o coração, e mesmo reclamando da série a cada frame que passava, confesso que chorei um pouco com a personagem.

Quando as duas se juntam, nada mais importa!

E o que mais?


Além da já mencionada hipersexualização dos personagens gays, outras coisas me incomodam muito em Elite como o fato de tudo se resolver com mortes e desaparecimentos. Foi assim como Polo, com Christian, com o irmão esquecido de Samuel e é assim que acontece nessa nova temporada também. É uma escapatória preguiçosa pois seria trabalhoso demais desenvolver problemas mais reais em uma série de pura futilidade burguesa.


Mesmo que Mencía fuja um pouco dos padrões estéticos impostos pela sociedade moderna, ela ainda é uma menina rica, bonita, que se veste muito bem, magra e branca. A série precisa abrir espaço para mais atores negros, gordos, deficientes pois também existem pessoas assim cujo os pais têm condições de bancar uma educação de qualidade, mas a série parece querer mostrar que ser da elite é ser perfeito e isso é um problema.


Elite também tem classificação indicativa para 18 anos, então é meio esquisito todo o clima de pornochanchada criado pois a única coisa que você verá em contexto sexual é peito e bunda apenas para justificar a pegação no vestiário masculino sem mostrar nada além duma polpinha de nádega, melhor aí Dona Flix! Outra coisa que me fez rir é as meninas indo pra escola de sutiã ou os meninos com a camisa aberta até a testa do pimpolho e NENHUM PROFESSOR FALAR NADA!!!

Na sua escola podia ir vestido assim?

Redenção?


Tenho observações positivas a fazer em relação a decisões tomadas pelo roteiro nessa nova temporada (que vieram tardiamente), uma delas é a redenção do Samuel que era um dos personagens mais chatos de todas as produções audiovisuais que já vi na minha vida conseguindo vencer até o Clay de 13 Reasons Why, mas agora parece que Samu evoluiu como personagem, como ser humano e como amigo, isso foi algo muito bom mas que veio na hora errada pois o personagem não deve voltar para a temporada 5.


Algumas reviravoltas (ou pra você que não é cringe, plot twists) também foram bem trabalhadas e até conseguiram causar um pouco do fator surpresa para mim o que é uma coisa inédita em uma série cuja narrativa é tão óbvia e previsível como Elite é.

Temporada 5 contará com poucos personagens originais já que quase todo o elenco deve se despedir da série

Essa foi uma temporada acima da média, mas seria bom encerrar logo enquanto ainda estiver por cima da carne seca. Saiba a hora de parar, Netflix!


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