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  • @tonfabricio

Análise | Era Uma Vez um Sonho - A realidade de muitas famílias

Atualizado: 3 de dez. de 2020

Era Uma Vez um Sonho é um filme original Netflix baseado numa história real (também tem livro) de um jovem estudante de Direito que sonha em se tornar um grande advogado, porém um imprevisto familiar o abala, levando-o a retornar para sua cidade natal a fim de tentar solucionar a péssima relação com sua mãe.

A dramática produção é um filme necessário, pois aborda temas como meritocracia, privilégios, traumas familiares, vícios e suas consequências. E embora seja uma obra sensacional, Era Uma Vez um Sonho recebeu apenas 26% de aprovação no Rotten Tomatoes, me levando a crer que os críticos são uns babacas (pra não usar outros termos) branquelos que sempre tiveram todo ao seu dispor e nunca vão entender as diferentes realidades sociais.

Antes de começar já adianto sobre o filme ser incrivelmente emocionante, além de contar com duas atrizes fodásticas: Amy Adams e Glenn Close. Se elas não ganharem um Oscar, pode cancelar a cerimônia.


Os dramas familiares


Assim como já citei acima, o protagonismo gira em torno de J. D Vance (Owen Asztalos / Gabriel Basso), um rapaz que conseguiu se afastar de seus problemas familiares e busca uma carreira profissional. A produção entrelaça seu passado e presente, mostrando momentos traumáticos e emocionantes de sua infância e como seu caráter foi formado.

Embora o amor sempre existisse dentro de seu lar, esse sentimento nunca foi expressado corretamente, afinal, não podemos aprender algo sendo que nunca fomos ensinados. Este é o foco principal da trama, levando J. D. a enfrentar inúmeros conflitos contra sua mãe Bev (Amy), uma mulher geniosa que engravidou cedo e perdeu oportunidades em sua vida.


Lutas do passado, pressão psicológica e luto a levam ao consumo compulsivo de comprimidos e drogas mais pesadas como heroína. O vazio desencadeia uma busca por algo que a complete, porém, as inconsequências a sabotam, levando-a para picos de surtos e não conseguindo se firmar em nenhum emprego ou relacionamento.

Era Uma Vez um Sonho é um filme delicado que lida com o assunto de forma honrosa. Muitos podem enxergá-la como uma mulher ruim dentro de uma sociedade, mas ela é apenas mais uma vítima de um lar desestruturado e sem assistência. É triste vê-la dependente de substâncias que a transformam em um ser tóxico. Sua dor são refletidas em culpa, vergonha, porém orgulho. Bev não consegue (ou não sabe) pedir ajuda, mas afasta quem tenta. Como poderia abraçar e dizer eu te amo, se tais momentos foram raros em sua infância?


Privilégios


O filme é um tapa na cara para aqueles que acreditam em meritocracia. Em uma das cenas no começo da produção, vemos J. D. encarando um jantar sofisticado, um mundo ao qual não pertence. O protagonista é indagado sobre sua história, onde todos pensam que ele veio de uma família de metalúrgicos, apesar de sua realidade ser oposta. Taxado como caipira, J. D. percebe naquele instante o peso das faltas de oportunidades e o preconceito instaurado dentro da civilização.

Assim como ele disse, sua mãe era a primeira de sua escola, mas isso foi o suficiente? Não. Vivemos numa ilusão que diz para estudarmos, pois seremos donos, para guardarmos dinheiro, pois teremos bens, porém a realidade é outra. É claro que o pobre pode "ser alguém", mas é um número quase invisível comparado aos privilegiados de berço.


Bev é apresentada em vários momentos como inteligente (ela realmente é), mas a falta de oportunidades, dinheiro e estrutura a encurralaram em uma realidade sofrida e sufocante. A fuga para o vício foi para se ausentar do passado inconsequente de seus pais. Mas, os pais de Bev eram culpados? De certa forma também não, pois é um efeito dominó, onde os pais apenas passam para os filhos aquilo que aprenderam.

Era Uma Vez um Sonho é um filme de pesado e cheio de gatilhos para quem cresceu em um lar abusivo e sem estrutura, entretanto, é uma obra para abrir a mente e liberar o perdão, ensinando que nem sempre os erros dos nossos pais são deles mesmos.


Obs.: Se vocês são contra o SUS, assistam o filme e tiram suas próprias conclusões sobre o sistema de saúde estadunidense.


Concluindo


Era Uma Vez um Sonho é um filme perfeito e triste demais por se tratar de uma história real. E ao final do filme, nos créditos, somos apresentados a família verdadeira. Os atores ficaram idênticos a família Vance (o Oscar de melhor maquiagem vem!). Além disso, eu pego a nota baixa dos críticos e jogo no lixo, pois este é uma das obras mais lindas que eu já vi.

Assistam, se emocionem e comentem depois!! Perdoem e amem!!

Já assistiram o filme?? Acharam ruim ou incrível?? Acham que levam algum Oscar?? Comentem!!

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