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  • Giulia K. Rossi

Análise | Guilty Party - A festa da mediocridade

Mesmo que com grandes intenções, a série da Paramount+, Guilty Party, lançou no streaming sem fazer muito barulho. Estrelada por Kate Beckinsale, a produção luta para tomar fôlego no mar de produções de drama investigativo, apostando em uma forte crítica social e, é claro, na sua talentosa atriz principal. Será que ela ganha a batalha nos minutos finais do segundo tempo?


O seriado acompanha a destemida (às vezes até demais) jornalista, Beth Burgees, que vê sua vida virar de cabeça para baixo quando é demitida após ser acusada de adulteração. Rebaixada a trabalhar em um site de notícias, ela encontra uma chance de melhorar sua reputação quando se depara com a história de Toni (Jules Latimer), uma mulher negra que diz ter sido acusada injustamente de assassinato.


Às vezes, menos é mais...


A série se sustenta com uma premissa forte, que aposta naquela fórmula das produções americanas que fazem tanto sucesso: white savior (salvador branco). Contudo, de maneira inteligente, é claro que a obra se aproveita do termo e ironiza a própria história. Infelizmente, é no próprio humor que, na maioria das vezes, Guilty Party também se perde.


Sem saber se é uma sátira, uma comédia, um drama ou ainda uma narrativa policial, o seriado aposta em um pouco de tudo. E, sem surpresa alguma, a mensagem principal acaba se perdendo no meio do caminho, presa em um emaranhado de situações absurdas, piadas superficiais, e diálogos que quase beiram ao ridículo.


No meio das tramas e subtramas, que variam de jornalistas rasos, maridos infiéis e até traficantes sem noção, a importante crítica social da série perde potência, e mais parece plano de fundo de uma narrativa que não sabia muito bem onde queria chegar. Somente em seus últimos episódios a produção finalmente ganha mais intensidade.


O absurdo que compensa!


O elenco também tenta encontrar o seu momento de brilhar, mas nem mesmo Beckinsale atinge todo o seu carisma na produção. Os personagens chegam a ser tão caricatos, que é difícil torcer por eles, e a protagonista não é nenhuma exceção. A relação de Beth com todos a sua volta parece, no mínimo, forçada. Até mesmo a sua forte amizade com Toni é construída de repente, costurada em mentiras e conversas nostálgicas.


Entretanto, a série ainda encontra uma luz no final do túnel: o seu próprio absurdo. Com 10 episódios, que progridem lentamente até o fim, a trama fisga o telespectador mesmo com o seu roteiro raso, pois coloca o público em situações difíceis de prever, resultando em suas reviravoltas finais, que chegam a ser o ponto alto da produção. Sem dúvidas, saímos com alguns momentos satisfatórios que fazem a trajetória valer a pena (pelo menos a maior parte dela).


O fim da festa


De modo geral, a trama da série entretêm o suficiente para continuar assistindo e passar o tempo, porém, a mediocridade do seu desenvolvimento acaba por jogar Guilty Party facilmente no esquecimento. A Paramount+ mirou em competir com grandes produções de drama e investigação, mas, infelizmente, acertou somente em mais uma obra genérica do gênero.


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