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  • Giulia K. Rossi

Análise | Heartstopper - A série teen que vai conquistar o seu coração

As séries teens não são nenhuma novidade no catálogo da queridíssima Netflix. Por isso, o novo lançamento da plataforma de streaming, Heartstopper, pode até parecer aquela típica produção adolescente, mas, não se engane. Recheada por uma narrativa leve, divertida e genuína, o seriado de Alice Oseman veio para conquistar o coração de todos os públicos.


Baseado nos HQs de mesmo nome, o seriado acompanha a improvável amizade entre o tímido Charlie Spring (Joe Locke) e o o astro de rúgbi, Nick Nelson (Kit Connor). Entretanto, conforme o relacionamento dos dois se desenvolve, ambos precisam lidar com os seus sentimentos enquanto navegam pelas dificuldades do colégio e primeiros amores.


Esse momento é nosso, vale!


A representatividade LGBTQIA+ vem caminhando um longoo e demorado caminho para alcançar o seu tão necessário protagonismo dentro das telinhas e telonas. Mas, desde a icônica estreia de Com amor, Simon nos cinemas, temos mais comédias românticas centradas em personagens da comunidade (ufa, finalmente!). E, sem dúvidas, Heartstopper brilha nesse aspecto.


Retratando um romance LGBTQIA+ leve, fofo e simplesmente impossível de não shippar, é fácil dizer que a série possui uma das melhores representatividades LGBTQIA+ dos últimos anos, se afastando da hipersexualização de casais gays e de outros estigmas pejorativos. Embora a história se aprofunde nas complicações e medos que envolvem a descoberta da nossa sexualidade, a trama é gostosa de assistir e facilmente identificável para qualquer um que já passou por essa fase.

Um casal desses é tudo que a gente sabia que precisava!

Aquele elenco de milhões


Conforme discutimos sobre a importância da representatividade positiva, não podemos esquecer de ressaltar todos os incríveis personagens secundários de Heartstopper e a diversidade de seu elenco. Aqui temos Elle (Yasmin Finney), uma menina negra trans que, ao lado do cinéfilo Tao (William Gao) possui várias das cenas mais divertidas da série. E, é claro, também temos Tara (Corinna Brown) e Darcy (Kizzy Edgell), um casal lésbico que consegue ser tão apaixonante quanto a dupla protagonista. É um acerto atrás do outro!


Assim como os seus personagens principais, todos os secundárias são interessantes e cheios de nuances. Até mesmo Isaac (Tobie Donovan) rouba sorrisos, ainda que ele só aparece de vez em quando com um livro na mão. A química do elenco complementa muito bem o roteiro, tornando a série ainda mais genuína e autêntica. Afinal, produções adolescentes não precisam ser apenas sobre sexo, drogas, e triângulos amorosos.

Riverdale passou longe!

Tal pais, tal filhos? (aviso de spoilers)


Composta por episódios rápidos, Heartstopper aproveita bem o tempo que tem, sem forçar o desenvolvimento de seus protagonistas e sem jogar um milhão de histórias para cima do público. Entretanto, a curta duração também precisa sacrificar o tempo de alguns personagens dentro da trama, e os familiares de Nick e Charlie foram os escolhidos da vez.


Enquanto não sabemos quase nada sobre a relação de Charlie com os seus pais, tirando uma ou outra cena superficial entre eles, do outro lado não temos nem ideia de quem seja o pai de Nick, e o que ele acharia sobre a sexualidade do filho. Ainda que tenhamos sido presentados com aquela linda e importante cena de Nick com sua mãe, interpretada por nada menos que a talentosíssima Olivia Colman.


Caso a Netflix decida renovar a série para um novo ano (não brinque com os nossos corações, hein!), esses seriam interessantes pontos para se aprofundar, além da relação de Charlie com a família de Nick e vice versa. Ah, e é claro: queremos mais da maravilhosa irmã de Charlie, Tori (Jenny Walser), por favor!

Preparem os lencinhos!

Que venha muito mais!


Entre lágrimas e risadas, Heartsopper conta uma história divertida, emocionante, simples e essencial, tudo ao mesmo tempo. É aquela série fácil de maratonar em uma só tarde, seja com o crush, família ou amigos. De modo geral, a produção de Alice Oseman é um refrescante ponto de vista sobre os clássicos de comédia romântica que crescemos assistindo, e espero que isso seja só o começo.



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