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  • Felipe Lucas

Análise | La Révolution - Revolta civil, monstros e um toque de terror

A primeira temporada da série La Révolution entrou bem cotada no ranking da Netflix. Com muito mistério e ação, chama a atenção pela fotografia impecável e os mergulhos da história em personagens bem interessantes. Além, é claro, do terror e suspense que acompanham os espectadores ao longo de todos os 8 episódios de cerca de 40 minutos cada.


A produção de 2020 é uma série dramática sobrenatural em francês, produzida para a Netflix e estrelada por Doudou Masta, Julien Sarazin e Ian Turiak. Nela, a famosa Revolução Francesa é recontada de forma extremamente inesperada, mística e talvez até um pouco absurda (os roteiristas levaram a sério o conceito de licença poética). Vem com a gente conhecer essa mistura de gêneros!


A Revolução Francesa tá meio diferente...


A série se passa na França de 1787. Em meio à decadência do Ancien Régime (antigo regime), Joseph Ignace Guillotin (Amir El Kacem) é o responsável pela investigação de misteriosos assassinatos. Ele então descobre a existência do chamado "sangue azul". Este sangue aparentemente é contaminado com um vírus desconhecido que se dissemina dentro da aristocracia do condado local, causando uma série de sintomas aterrorizantes. A doença tem efeitos devastadores: os nobres infectados atacam os plebeus, perturbando a hierarquia estabelecida. A revolta popular se espalha e é o prelúdio da Revolução Francesa como nunca contada antes.



Enquanto seus compatriotas liderados por Marianne (Gaia Weiss) se esforçam para proteger a população e derrubar o terrível Conde Donatien de Montargis (Julien Frison), Guillotin se dedica ao estudo da doença que acomete a nobreza, buscando desesperadamente por uma cura para esse mal. Em meio a tudo isso, a garotinha muda Madeleine (Amélia Lacquemant), começa a ter sonhos com previsões do futuro, recebendo a visita de um espírito misterioso, já sabendo de todo o golpe que está acontecendo, mas sem ninguém acreditar nela.


Todo um conceito por trás


A Revolução Francesa aconteceu entre os anos de 1789 e 1799, e não é de agora que virou tema no mundo do entretenimento. A revolta foi de extrema importância para a França, levando ao colapso da monarquia absolutista em poucos anos (na época sob o comando de Luís XVI) após vários séculos no poder, trazendo também poder ao povo.

Tudo era baseado nos privilégios da nobreza e na pobreza extrema do restante da população, e a série toma isso como o tema central da história, acrescentando ainda elementos do horror para que ela seja contada de forma assustadora. Não que a desigualdade não seja algo aterrorizante por si só, mas a trama traz à tela a transformação das pessoas em algo que pode ser a mistura de zumbi com vampiro, e um toque de paranormalidade e canibalismo.


Sem dúvidas é muito interessante perceber a alegoria que o seriado faz da história real, nobres de sangue azul que se alimentam da população pobre (nesse caso literalmente), a doença deles proporciona invulnerabilidade e imortalidade, só existe um meio de acabar com eles – cortando a cabeça – outra referência à esse acontecimento histórico!



Visual magnifique


Se existe uma coisa que merece os louros da vitória é a produção da série. A fotografia é deslumbrante e os figurinos caprichados, desde vestidos, coletes e perucas que levam o espectador à França de Luís XVI. Os efeitos visuais também são muito bem executados e em diversos momentos as cenas apresentam elementos dentro da paleta de cores da bandeira francesa (azul, branco e vermelho), especialmente nos episódios finais.



Outra coisa que chama a atenção são os planos-sequência de luta que acontecem em vários momentos e são proporcionados na maioria das vezes pelo ator Lionel Erdogan que interpreta Albert Guillotin, o corajoso herói da revolução. A atriz Gaia Weiss também não fica atrás e protagoniza cenas de ação que surpreendem o público.


Afinal, veio para revolucionar?


Calma lá! Apesar de todo o capricho da produção e da ideia que pretende oferecer um olhar inovador sobre um tema já bastante explorado na indústria cinematográfica, a série não empolga. A trama se desenrola de modo lento e muitas vezes previsível, praticamente no mesmo tom do começo ao fim. Isso pode levar muitos espectadores a se sentirem bastante entediados com o enredo.



Porém, se você é o tipo de pessoa que curte séries de ação/aventura e está buscando algo não convencional para assistir, que transite entre gêneros diferentes e consiga entreter com referências históricas, talvez La Révolution seja uma opção interessante para você.



E aí, ficaram animados para se juntar a essa revolução? Se você já assistiu, deixa aqui nos comentários a sua opinião sobre a série e fique ligado nas análises de outras produções incríveis aqui no nosso site!

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