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  • Giulia K. Rossi

Análise | Love, Victor: Terceira Temporada - Será que foi o adeus perfeito?

Nós não estávamos preparados para a despedida, mas infelizmente chegou a hora! A terceira e última temporada de Love, Victor estreou no Star+ com alguns novos rostos no elenco e mais histórias emocionantes para concluir a trajetória da família Salazar e seus amigos. Mas e aí, será que foi o fim que merecíamos?


Sem muita enrolação, o novo ano logo revela em que porta Victor (Michael Cimino) decidiu bater após o tumultuado conflito entre Benji (George Sear) e Rahim (Anthony Keyvan). A temporada, então, se inicia com uma mistura de novos e velhos relacionamentos sendo formados.


Acompanhamos o desenrolar da relação de Lake (Bebe Wood) com Lucy (Ava Capri), e de Felix (Anthony Turpel) com Pilar (Isabella Ferreira). Enquanto isso, a mãe de Victor, Isabel (Ana Ortiz) precisa aprender a se perdoar após demorar para aceitar a sexualidade de seu filho, e Mia (Rachel Hilson) e Andrew (Mason Gooding) devem lidar com a iminente mudança de Mia. Porém, nada será tão simples quanto parece.


Três temporadas depois, mesma importância


Assim como a temporada antecessora, o ano final da série continua com uma abordagem mais madura do que a primeira temporada, ainda encarando alguns assuntos sérios e menos "infantis". Entretanto, a série nunca perde a sua leveza e trata cada tema com delicadeza. Ouso dizer, inclusive, que é uma das produções mais importantes feitas na atualidade.


Pela primeira vez, Victor está mais confortável com a sua sexualidade e não conta mais com o seu mentor e amigo Simon Spier para guiar o caminho (deixou saudades!). Contudo, o seriado continua se aprofundando em importantes temáticas LGBTQIA+, dessa vez voltando mais a atenção para Rahim, um jovem gay, afeminado, muçulmano e iraniano. Sem dúvidas, uma das melhores adições da série como um todo, e responsável por vários dos momentos mais importantes da temporada.


Nesse aspecto, também temos o relacionamento de Lake com Lucy. Embora a produção não tenha tido espaço suficiente para se aprofundar sobre a sexualidade de Lake (uma pena!), é de extrema importância ver uma relação amorosa entre duas mulheres sendo tratada de forma leve e natural, assim como a grande maioria dos relacionamentos que se desenvolvem no seriado.


A pressa é inimiga da perfeição


Entretanto, a falta de tempo não prejudicou somente a relação entre Lake e sua namorada. Na verdade, o tempo foi o grande inimigo deste último ano, que, diferente das temporadas anteriores, conta apenas com oito episódios ao invés de dez (ai como essa horinha faz diferença!).


Na imensidão de tramas e personagens, finalizar a história de todo mundo com certeza não é um trabalho fácil, e isso foi perceptível. Enquanto algumas tramas não tiveram tempo de ser aprofundas ao máximo, como os traumas e o alcoolismo de Benji, por outro lado, tiveram narrativas que mal tiveram espaço para ser contadas, tal como a vida de Lucy. Em uma série cheia de personagens com potencial gigante, é normal que um ou outro não seja aproveitado como podia, porém, a última temporada não fez jus a quase nenhum deles.


Em um emaranhado de narrativas, que se iniciam e terminam superficialmente, a produção tentou encontrar soluções rápidas para concluir tudo aquilo que deixou em aberto, seja o relacionamento entre Mia e Andrew, a situação financeira de Armando (James Martinez), a relação entre os recém pombinhos Pilar e Felix e Lake e Lucy e, é claro, o "vai ou não vai" entre Benji e Victor. Mas, chega uma hora que discursos românticos e motivacionais se tornam cansativos e, por um triz, Love, Victor não passou do limite.


Por fim, caminhamos apressadamente para um desfecho, que, dada as circunstâncias, pouco tinha chance de brilhar como imaginávamos. Longe de ser uma temporada ou final ruim, contudo, o último ano deixou a desejar em vários aspectos, que pouco condizem com a qualidade e maturidade que a produção foi construindo ao longo dos episódios.


Despedida agridoce


Contudo, mesmo entre os seus tropeços, Love, Victor encontrou uma despedida satisfatória, embora não grandiosa. A produção continua leve, relevante e gostosa de assistir do começo ao fim, especialmente por conta de seu elenco talentoso e personagens mais do que carismáticos (aqui vale destacar o maravilhoso Andrew nessa temporada!).


Decepcionante ou não, sem dúvidas Love, Victor é uma daquelas séries que vão fazer uma imensa falta, e apenas nos resta torcer que venham mais muitas séries tão necessárias e divertidas quanto essa pela frente!


Adeus Creekwood, com muito amor.


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