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  • @luigienricky

Análise | Luca - História para deixar seu coração quentinho!

O novo filme da Pixar chegou ao Disney Plus de forma bem modesta e aos poucos foi ganhando o coração dos fãs e um lugar cativo e importante da discussão sobre representatividade, exclusão, aceitação e o poder da amizade! O filme lançado no mês do orgulho ainda trás uma mensagem muito importante à comunidade LGBTQIA+ de todo o mundo!


Se você vive num universo paralelo onde o Orkut ainda é a melhor rede social que existe e não sabe do que eu tô falando, então cola ni mim e vem saber o que eu achei de Luca!

O protagonista mais fofinho, inocente e apaixonante dos últimos tempos

Fique por dentro!


O filme conta a história de Luca, um monstro marinho que é fascinado pelas coisas dos humanos e sai por aí colhendo o que cai das embarcações enquanto pastoreia seu rebanho de... Peixes (?), o que é uma referência clara à outro clássico Disney, A Pequena Sereia. O problema é que a família de Luca é super protetora e morrem de medo de que os humanos o maltratem por ele ser diferente, mesmo que ele ainda tenha o apoio da sua avó!


Certo dia, enquanto levava os seus peixes para pastar (nunca vou parar de rir disso), ele conhece um outro colecionador de objetos humanos chamado Alberto. Entretanto, Alberto mora na superfície sozinho pois foi abandonado pelo pai, e a partir daí, ele e Luca constroem uma linda amizade enquanto planejam montar numa vespa e sair conhecendo o mundo.


O problema é que quando seus pais descobrem a escapadinha que o filho anda dando, resolvem dar um ultimato no garoto dizendo que se ele não se comportar e parar de se expor à superfície, então será levado pelo tio para morar no abismo onde não poderá ver mais ninguém. Para fugir do destino e poder continuar se encontrando com o amigo, Luca foge de casa e minha introdução para por aqui para não estragar sua experiência!

Qualquer um que já foi rejeitado poderá se enxergar na pele desses três

Silenzio Bruno!


Luca é um filme sensível e emocional, mas também é um filme reflexivo pois fala sobre você ter coragem de fazer o que quer, realizar seus sonhos e ser quem você deve ser, independente se as pessoas vão te achar estranho, doido ou qualquer outro apelido pejorativo que pessoas acomodadas dão para quem corre atrás do que quer.


Além disso, o protagonista é um sonhador incorrigível. Em vários momentos do longa somos agraciados com os devaneios de Luca que o fazem viajar nos pensamentos enquanto sonha com a infinidade de coisas que quer fazer da vida só por que viu uma foto e já tornou aquele momento rápido o sonho de uma vida inteira, entretanto, aquele monstro que fica na cabeça dele, carinhosamente chamado de Bruno por Alberto, sempre tenta o impedir de realizar o que deseja (quem nunca teve um Bruno?).

Acredite nos seus sonhos e não permita que digam que você não vai conseguir

Uma linda analogia à comunidade LGBTQIA+


Deixando de lado o debate que tomou conta da internet sobre os protagonistas serem ou não apaixonados, é inegável que o filme fala sim sobre a descoberta de ser quem você é ao mesmo tempo que lida com preconceitos dentro e fora da sua família.


Várias representações sutis sobre a homossexualidade são apresentadas durante o filme como a vez em que Alberto diz que foi abandonado pelo pai por ser diferente (diferente como se os dois são a mesma coisa?), ou quando eles precisam assumir uma posição, forma de falar, andar e se comportar diferente quando estão na presença de outras pessoas?! Quando Luca, na tentativa de esconder quem é, pratica bully com uma pessoa igual a ele ou mesmo em frases explicitas como a da Vovó dizendo que no mundo muitas pessoas vão aceitar Luca do jeito que ele é e muitas não vão, mas tudo bem pois ele sabe encontrar as pessoas certas.


O próprio fato deles serem considerados monstros destruidores de lares e arruinadores de vida quando na verdade só querem poder ir e vir já é algo que a comunidade LGBT sente na pele todos os dias.

Eles podem ser jovens para ser um casal, é óbvio! Criança tem que ser criança e não namorar, mas o sentimento que nutrem um pelo outro é genuíno. Sei que quando você tinha seus 13 anos já sentiu aquele comichão na barriga quando tava perto de alguém mais não sabia muito bem o que era, só sabia que era mais que amizade, mas a inocência que se tem (ou se tinha) nessa época das nossas vidas não nos permitia entender que aquilo também é amor, da sua forma pura, simples e inocente...


Outra representação importante ao combate à intolerância também se dá ao personagem Massimo que tem um estereótipo de cara machão e preceituoso onde o fato de ele não ter um braço nos leva a um pensamento muito mais sombrio sobre seu passado quando na verdade não tem nada vê.

Quero repetir as frases do filme toda hora... Demais?

Tecnicamente impecável


Essa análise não estaria completa se não falar da qualidade da animação do filme que trás uma pegada renascentista a sua composição dos personagens, são utilizados muitos traços redondos, bochechas coradas e cabelos bem definidos que casou super bem com a Riviera Italiana.


Os cenários também estão muito bem detalhados, com cores vibrantes que enchem os olhos de quem está assistindo, além dos cuidados com as palavras, sotaques, costumes, nomes e crenças do povo. Como o Brasil é um berço de descendentes italianos, acho que todos poderão encontrar um pouquinho de semelhança com a própria vida!


Luca é um filme obrigatório para todos, todas, todes e todxs e já está disponível gratuitamente no Disney +


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