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  • Giulia K. Rossi

Análise | Lucifer: Temporada Final - O Diabo se despede com muitas lágrimas e diversão!

Não estávamos prontos para dizer adeus, mas chegou a hora. A sexta e última temporada de Lucifer estreou na Netflix e, para os amantes da série, já deixou saudades! Contudo, entre altos e baixos ao longo dos anos, será que o seriado entregou o final que o Diabo e o seu grupo de amigos humanos e celestiais mereciam?


O sexto ano da produção acompanha Lucifer (Tom Ellis) se reajustando à sua nova realidade: ele deve ascender ao trono para se tornar o novo Deus. Enquanto isso, Chloe (Lauren German) também precisa aceitar o fato de que não é mais uma detetive na polícia de Los Angeles. Entretanto, assumir os seus novos papéis não será uma tarefa tão simples assim .(estamos falando de Lucifer, não é mesmo?)

Quer casal mais poderoso do que esse?

Nunca é tarde para inovar!


Diferente das primeiras temporadas, o último ano da série é menos focado em tramas policiais e mais focado nas histórias pessoais de cada personagem. Por mais que Lucifer sempre tenha conseguido brincar muito bem com sua narrativa tanto procedural quanto seriada, trabalhando o psicológico do protagonista com o avanço de cada investigação, a mudança na sexta temporada contribuiu para um desenvolvimento mais significativo de todo o grupo.


A série, entretanto, não abre mão da boa e velha polícia de Los Angeles, e vemos Amenadiel (D. B. Woodside) iniciando a sua carreira na delegacia. Sua história não só abre discussões importantes sobre o racismo e brutalidade policial, como também se encaixa perfeitamente no arco narrativo do Filho Preferido de Deus. Quem melhor para lutar por justiça do que um anjo?


Além disso, a produção abre espaço para outros importantes temas, como o trauma de Ella (Aimee Garcia) após o seu envolvimento amoroso com um serial killer, a culpa de Dan (Kevin Alejandro) que o mantém preso no inferno, e até mesmo questões essenciais nos dias de hoje, como masculinidade tóxica. E que jeito melhor para discutir o machismo estrutural em nossa sociedade do que trazer para tela o primeiro homem da humanidade? Sem dúvidas, Adão deve ter alguns pensamentos ultrapassados!


O amor está no ar! (E no Céu, na Terra e no Inferno)


Depois de longas cinco temporadas, vamos direto ao ponto: o nosso casal finalmente está junto! Após uma série de idas e vindas, Lucifer e a "Detetive" estão firme e forte e, ao longo dos capítulos, a temporada mostra a parceria dos dois dentro e fora das cenas do crime.


Mas, além das cenas tanto divertidas quanto emocionantes entre o casal principal, também não podemos deixar de mencionar as rainhas Maze (Lesley-Ann Brandt) e Eve (Inbar Lavi). A gente ama alguns refrescos LGBTQ+, e o casamento entre o demônio Mazikeen e a primeira mulher do Universo era tudo o que não sabíamos que precisávamos. Finalmente vemos Maze aceitando o seu passado e encontrando a sua "alma" gêmea. Um final feliz importantíssimo para a personagem e para a comunidade!

Opostos se atraem, certo?

A família Morningstar


Mesmo com piadas bobas e investigações toscas, Lucifer conta com talentosos atores que elevam a qualidade da produção até nos momentos que o roteiro deixa a desejar. Como é de se esperar em últimas temporadas, a série faz o possível para explorar o melhor de seus personagens: a sua vulnerabilidade. Apostando em diferentes camadas de cada um, até mesmo a sábia Linda, interpretada por Rachel Harris, mostrou inseguranças pouco vistas até então. Contudo, por mais que todo elenco mereça uma salva de palmas, vale dizer que quem verdadeiramente roubou os holofotes foram Tom Ellis, Lauren German e Brianna Hildebrand como Rory, a mais nova filha do poderoso casal.


A introdução de Rory, de fato, é um dos maiores riscos da temporada, mas a garota não só proporciona divertidas cenas ao lado do protagonista, como também contribui para o amadurecimento de Lucifer como pai e parceiro de Chloe. Por outro lado, enquanto o Diabo continua no seu constante processo de autodescoberta, vemos a "Detetive" ganhar mais destaque na temporada, com momentos mais intensos, cômicos e, enfim, mais vulneráveis do que de costume para a personagem. Por sorte, Lauren German aproveita a deixa e dá um show de atuação!

Tirando o sumiço de Trixie, os pais do ano!

Até que a morte nos separe?


O ano final não aposta em nenhum grande vilão (com certeza Le Mec não se encaixa nessa categoria), e foca especialmente em todo o desenvolvimento de Lucifer e as importantes decisões que precisa tomar para o seu futuro. O último episódio, inclusive, finaliza o arco de redenção do personagem de uma vez por todas. Entretanto, para aqueles que estavam esperando o clichê "felizes para sempre", não é bem isso que acontece...


Ao todo, a última temporada de Lucifer é uma carta de amor para os seus fãs, entregando para o público uma série de momentos emocionantes e tocantes entre os nossos personagens preferidos. Com números musicais, desenhos animados, recordações do passado e tudo o que tem direito, ouso dizer, inclusive, que é o melhor ano do seriado. Porém, o que é tida como uma temporada incrível, no fim das contas, deixa aquele sabor agridoce em nossas bocas, que é difícil de ignorar. E, provavelmente, a intenção foi exatamente essa.


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