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  • Giulia K. Rossi

Análise | Meu nome é Pauli Murray - O legado de uma pessoa a frente de seu tempo!

Ativista, pioneira, poeta, escritora e advogada, se você nunca ouviu falar sobre Pauli Murray, prepare-se, pois hoje vamos enaltecer esse nome tão importante para o movimento feminista e para a comunidade negra e LGBTQIA+. Já estava na hora de Pauli ter o reconhecimento que merece!


Recentemente lançado na Amazon Prime Video, o documentário de Betsy West e Julie Cohen discorre sobre a vida e carreira de Pauli Murray, uma pessoa não binária e de cor, que lutou pelos direitos civis americanos nos anos 90 e influenciou grandes nomes da atualidade e do meio jurídico.


A História sendo feita!


Mesmo que documentários podem não agradar todo o tipo de público, a vida de Pauli Murray não é nada menos do que fascinante. Narrado em cronologia reversa, o filme deixa claro como Murray defendeu ideias que estavam à frente de seu tempo, lutando contra sistemas opressores anos antes de, de fato, surgirem adeptos para essa luta.


Como estamos falando de uma mulher (pelo menos como era considerada pela sociedade) queer e negra, é inegável dizer que sua vida foi uma série de batalhas para ser quem é, principalmente na época em que viveu. Felizmente, a produção consegue mostrar todos esses aspectos de sua identidade sem perder o fôlego em nenhum momento. Vemos como Pauli luta contra a segregação nos Estados Unidos, pelo seu direito de estudar em uma universidade, para ser aceita em uma carreira dominada por homens brancos e ainda para aceitar sua não-binariedade.


Ao longo de sua história, fica claro como as ações incansáveis de Pauli tiveram resultados imprescindíveis na sociedade atual. Mesmo que pouco reconhecidos na época, seus estudos e teorias impactaram diretamente a carreira de importantes figuras políticas, como Ruth Bader Ginsburg e Thurgood Marshall (a própria Eleanor Roosevelt entra nessa lista!) e suas conquistas sobre igualdade de gênero e de raça. Elo estava combatendo a segregação norte-americana antes mesmo de Rosa Parks!


Uma força inegável!


A produção se intercala em uma série de imagens, vídeos e textos de Pauli, o que, em certos momentos, pode se tornar um tanto cansativo, mas ainda assim não diminui o impacto desejado. As palavras de Murray são bonitas, chocantes e desafiadoras, assim como a sua história.


Órfã quando criança, Pauli não teve uma vida fácil, mas não foi enfraquecida por isso. Assim como muitas pessoas queer daquela época (e infelizmente ainda atualmente), elo demorou para entender onde se encaixava na sociedade, e sofreu de grandes problemas psicológicos. Porém, como toda a força da natureza, Pauli Murray não pôde ser detida. Através de depoimentos e relatos, vemos como conseguiu fazer a diferença, seja como ativista, advogada, professora e, nos seus últimos momentos, até mesmo como pastora.


Depois de pouco menos de duas horas, o documentário se aprofunda em tantos importantes assuntos, que, mesmo quando chega ao fim, as questões levantadas continuam com a gente. O documentário de Betsy West e Julie Cohen lançou no streaming sem fazer muito barulho, mas não se engane, pois a vida de Pauli Murray foi tudo, menos silenciosa.


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