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  • Giulia K. Rossi

Análise | O Último Mercenário - O clássico da ação ganha vida na comédia!

Aqueles que cresceram assistindo filmes de ação dos anos 90, provavelmente se depararam com alguns aclamados clássicos estrelados por Jean Claude Van Damme. Contudo, a idade vem para todos nós (até para os queridinhos do cinema), e os brutamontes daquela época enfrentam o inevitável desafio do envelhecimento. Porém, isso não pareceu abalar o ator belga e, ao invés disso, ele aproveitou tal fato da melhor forma possível no longa francês, O Último Mercenário!


Recentemente lançado na Netflix, que exila entre produções grandiosas e completos fiascos, o filme de comédia e ação acompanha a história de um ex-agente do serviço secreto (Van Damme), que precisa enfrentar as suas origens quando seu filho é falsamente acusado de tráfico de drogas e armas, tudo por conta de uma operação ilegal e o erro de um burocrata.

Prepare-se para confusão atrás de confusão!


Importante é rir de si mesmo!


Experiente em artes marciais e cenas de luta, Van Damme não é necessariamente a escolha óbvia para protagonizar uma comédia. Entretanto, é nesse mesmo aspecto que O Último Mercenário mais acerta. Abusando de momentos satíricos, que zombam de produções de ação comumente estreladas pelo ator, o longa de David Charhon cria situações e referências divertidas para os fãs do artista, do gênero e, por fim, para o público em geral que gosta de uma boa e velha sátira.


O protagonista Richard Brumére, também conhecido como "a névoa", é um clichê ambulante de filmes de ação, mas é isso mesmo que torna as coisas divertidas. Logo no início, temos aquela clássica cena em que o nosso "mocinho" enfrenta sozinho uma tropa inteira de "vilões", sem um arranhão. Com manobras elaboradas e batalhas tanto cômicas quanto absurdas, cheias de disfarces nem um pouco críveis e perseguições malucas, o filme se aproveita do melhor dos dois mundos entre a ação e a comédia.

Muito mais do que só músculos!

Nada de armas!


É isso mesmo que você leu. Outro ponto positivo do longa é o simples fato do protagonista, nosso mercenário, não utilizar armas. Com a filosofia de que "matar, mata", o personagem principal luta com as próprias mãos e dá ao filme um quê de originalidade no gênero, que tanto gosta de entreter com tiros e explosões para todos os lados. As cenas de luta não são de tirar o fôlego, nem nada parecido, mas cumprem a sua função de misturar a ação om o tom satírico da produção.


Os grandes heróis?


Mas não é apenas Van Damme que compõe o elenco do filme. Bem no estilo "time de desajustados", temos a equipe formada pelo famoso mercenário: o seu atrapalhado filho, Archibald (Samir Decazza), a descolada vizinha, Dalila (Assa Sylla), o político medroso, Alexandre Lazare (Alban Ivanov) e o descontraído traficante, Momo (Djimo). Ao todo, a equipe trabalha bem para desenrolar o enredo, porém, cenas bobas excessivamente longas prejudicam o aprofundamento de todos os personagens, inclusive do protagonista.


A dinâmica entre Brumére e seu filho é, de fato, o que melhor move a trama fora o estereotipado (e até tosco) conflito principal, contudo, mesmo com mais tempo de tela, Archibald não tem metade do carisma de seu pai e da amiga Dalila, um dos grandes acréscimos da produção. As trapalhadas do inusitado time são divertidas até certo ponto, mas os personagens secundários podiam ter brilhado ainda mais com uma ajudinha do roteiro.

Uma equipe dessas, minha gente...

Se joga na loucura!


De modo geral, o elenco inteiro faz um bom trabalho, mesmo com um humor tipicamente francês que nem todos estão acostumados (Hollywood e suas explosões passaram longe!). Jean Claude Van Damme, entretanto, é o grande astro do filme, parecendo confortável tanto no papel de mercenário quanto no papel paspalhão. Quem aí nunca imaginou o ator de 60 anos usando uma peruca, não é mesmo? Pois ele ficou fabuloso!


O Último Mercenário é despretensioso, leve e entrega o que veio entregar. Demora um tempinho para ganhar ritmo, com um início um pouco confuso e demorado, mas vai ganhando forma e nos fazendo torcer pelos personagens principais (que talvez voltem para mais confusões segundo a cena pós-créditos!). Sem se preocupar com uma trama muito elaborada, até porque se baseia descaradamente em grandes clichês do gênero, é um filme que te faz rir acima de tudo, especialmente se você não estiver levando nada muito a sério (e, acredite, não é fácil levar).


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