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  • Giulia K. Rossi

Análise | O Culpado - Suspense de um homem só!

Preparem os seus corações, pois o novo filme da dona Netflix, O Culpado, vai tirar o telespectador do seu assento a cada minuto, abusando da dramaticidade e do suspense para criar uma narrativa nada menos do que emocionalmente desgastante - no melhor sentido do entretenimento!


Remake do filme dinamarquês de 2018, Culpa, o novo longa estrelado por Jake Gyllenhaal acompanha Joe Baylor, um policial rebaixado como operador de chamadas de emergenciais. Contudo, um dia monótono no escritório se transforma em uma série de ligações avassaladoras, após o homem receber o telefonema de uma mulher sequestrada.


Oscar, aqui vamos nós!


Se tem uma coisa que o drama americano acerta na mosca, é a escalação de Jake Gyllenhaal como protagonista. Com uma impecável direção de Antoine Fuqua, o ator mostra todo o seu talento e carrega o longa nas costas, elevando a dramaticidade da história no nível máximo. Não surpreenderia se ele fosse um dos nomeados pela Academia no próximo ano (que comecem as apostas!).


Ambientado quase que apenas em um espaço, a atuação de Gyllenhaal é o guia condutor de toda a narrativa. A cada instante do longa, a audiência sente a angústia que Joe está sentindo, e aquele sentimento inquietante de quando não podemos controlar as pessoas e os acontecimentos a nossa volta. Não é a toa que o roteiro escolhe um personagem tão temperamental quanto Baylor para comandar a narrativa, que somente intensifica cenas que já são tensas por natureza.

Será que o Oscar vem aí?

Soluções criativas são sempre bem vindas!


Filmado em plena pandemia, o filme utilizou as restrições da melhor forma possível, provando que grandes produções de Hollywood nem sempre precisam contar com explosões gigantescas e perseguições frenéticas para prender a atenção do público. Assim como Joe, não sabemos o que está acontecendo do outro lado das chamadas, e é aqui que a imaginação entra em cena (e a ansiedade também)!


Na realidade, o fato da narrativa se passar somente através do ponto de vista de Joe, contribui significativamente para o decorrer da trama e aprofundamento do personagem. E, ainda mais importante, tal foco destaca a cada segundo o que, de fato, estamos assistindo: um suspense psicológico de roer as unhas.


Suspense ao ponto e drama mal passado


Querendo ou não, o público americano adora um bom caos, entretanto, em certos momentos, O Culpado abusou da dramaticidade até um pouco demais. Além da narrativa angustiante por si só, o filme se coloca em um contexto urbano caótico (que infelizmente é uma realidade hoje em dia), e segue um protagonista que, não só possui um comportamento explosivo, como resultado de sua própria culpa e traumas, mas também se mostra fisicamente doente (a cereja do bolo, não é mesmo?).


Ao se exceder em dramas internos do personagem e em planos desnecessários de aviões e carros de polícia, o longa acaba por perder parte de sua intensidade, especialmente após uma introdução um tanto longa, que serve apenas para destacar ainda mais a depressão vivida por Joe, embora ela fique clara como o dia no decorrer do enredo.

Fala sério, nós precisamos mesmo da cena clichê dele se olhando no espelho do banheiro?

Enfim, o fim...


Apesar dos deslizes, a narrativa é muito bem construída, pouco a pouco introduzindo para a audiência diferentes nuances da personalidade de Joe e revelando o seu passado traumático, assim como uma reviravolta de tirar o fôlego. No fim das contas, O Culpado entrega um desfecho tão devastador quanto o desenrolar de sua história exige e, de modo algum, esse é nosso típico final feliz, mas, por outro lado, esse também não é o nosso típico filme de suspense.


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