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  • @myycampos

Análise | O Diabo de Cada Dia


O Diabo de Cada Dia estreou na Netflix ontem (16) com um elenco de peso, e já está nos Top 10 de filmes mais vistos do dia.


O longa, baseado no livro O Mal Nosso de Cada Dia de Donald Ray Pollock conta a história de alguns morados dos EUA, entre eles um veterano de guerra e seu filho, um pastor pedófilo e um casal de serial killers (levinha a história, né?)


Bom antes de começar a falar do filme em si eu preciso te avisar, é um filme cult e com uma narrativa moderna. Não tem a jornada clássica do herói, não tem estrutura linear de tempo, tem o ritmo lento (ou cadenciado se você gostar assim) e vai te deixar reflexivo e introspectivo.


Se você está atrás de um filme tranquilo, ou de muita ação e pancadaria esse definitivamente não é o seu filme (embora a violência seja um dos temas principais da história), mas se você curte um filme cabeçudo, continua aqui comigo.


Violência gera violência


Dirigido por Antônio Campos, no longa acompanhamos quatro histórias, que se passam num período de 16 anos, nas de Knockemstiff, em Ohio, e Coal Creek, na Virginia - segundo o narrador seria uma viagem de umas 10 horas de carro entre as cidades.


Na primeira parte da trama acompanhamos Willard Russel (Bill Skarsgård - It, A coisa) um veterano de guerra que acabou de retornar para casa, após o fim da segunda guerra mundial, e nitidamente apresenta transtornos pós-traumáticos.


Como já foi dito, a história não é contada de forma linear e fica indo e voltando no tempo para nos contextualizar de todos os personagens importantes, mas a presença de uma narração (que é feita pelo próprio autor do livro, Pollack), ajuda a nos situar no tempo e espaço.



Nessa volta para casa Willard descobre que sua mãe havia feito uma promessa, que se ele voltasse vivo ela o casaria com Helen Hatton (Mia Wasikowska - Alice no País das Maravilhas) uma moça devota da cidade, mas o que ela não sabia, é que seu filho já está apaixonado por outra mulher, a garçonete Charlotte (Haley Bennett - A Garota no Trem) e é nesse momento que uma sucessão de tragédias acomete a vidas dessas pessoas ao longo dos anos.


"Ainda Somos os Mesmo e Vivemos Como Nossos Pais"


Se o tema principal do filme é a violência inerente naquele lugar, o fio condutor que liga todas as histórias, é como os personagens lidam com traumas passados de pais para filhos.


Ao longo da história vemos o pequeno Arvin Russel (Tom Holland - Homem-Aranha), filho de Willard e Charlotte, crescer e repetir a mesma carga de violência e sofrimento que herdou de seu pai, mesmo que por razões completamente diferentes, na hora da ação Arvin segue exatamente os ensinamentos de seu pai, podemos ver isso em duas cenas graficamente iguais em momentos distintos da trama.


Assim como a personagem de Lenora Laferty (Eliza Scanlen - Sharp Objects), que acaba por cometer o mesmo erro de sua mãe ao se envolver com homens ditos "de fé" levando ambas a finais trágicos.


"Os falsos profetas falam alto, e como todos os mentirosos, temem não serem acreditados"


Outro tema central da trama é a fé doentia. Somos apresentados a dois pastores Roy Laferty (Harry Melling - Harry Potter) e Reverendo Preston (Robert Pattison - The Batman) que mesmo que de maneiras diferentes enxergam a fé de maneira doentia.


Ambos aparecem em momentos distintos filme, mas suas participações são tão viscerais que te fazem olhar para outro lugar que não a tela na sua frente.


A religião permeia boa parte da história, principalmente como ela é compreendida por cada personagem, as vezes levando a cometeram atos incoerentes, em nome de uma ligação divina que só existe em suas cabeças. Além do clássico abuso de poder em cima da fé dos outros.


Elenco Estrelado


Se você leu até aqui percebeu os nomes dos astros que fui colando ao longo do texto, mas caso não tenha notado o elenco conta com Tom Holland, Bill Skarsgård, Robert Patisson,

Mia Wasikowska, Eliza Scanlen e Harry Melling isso por que não falei de Sebastian Stan (Capitão América 2 - O Soldado Invernal), Riley Keough (Mad Max - Estrada da Fúria) e Jason Clarke (Planeta dos Macacos - O Confronto). É isso, a Netflix gastou todo o orçamento da década nessa escalação. E fez muito que bem, pois eles entregam!


Tom Holland está num papel completamente diferente do que estamos acostumados a vê-lo. Denso, justo e completamente leal a quem ama, o arco de Arvin é a síntese da obra "de boas intenções o inferno está cheio".


E o que falar de Robert Pattison, como o esdrúxulo Reverendo Preston, ele entrega tão bem o papel que a minha vontade era de entrar na tela e eu mesma sentar a mão nesse crápula!



O Diabo de Cada Dia é um filme pesado, difícil de digerir, e que vai te deixar triste no final, mas vale a pena cada minuto. É uma obra muito interessante, relatando os traumas e as tragédias que pessoas comuns passam por conta de falta de cultura e excesso de violência, além de escancarar na nossa cara a crueldade humana e abuso da fé e o poder.








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