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  • Luigi Leite

Análise | O Menino que Matou meus Pais - O faz de conta de Suzane Von Richthofen

Lembra que na análise de A Menina que Matou os Pais eu disse que o filme é baseado unicamente nos autos dos processos e no depoimento dos envolvidos? Pois bem, no segundo filme que acompanha o depoimento de Suzane, isso fica ainda mais evidente pois toda a história parece absolutamente fantasiosa e minimamente detalhada... Detalhada até demais (como toda mentira bem contada). Mas será que isso significa que o segundo filme é inferior? MAZÉ CLARO QUE NÃO!

Leonardo Bittencout convence um pouco mais no papel de Daniel Cravinho

A versão Suzane


Em A Menina que Matou os Pais, Daniel conta para o público como foi que Suzane mexeu com a sua cabeça e influenciou ele e o irmão a cometerem o terrível crime. Ainda que parecesse sincero em seu depoimento, algumas coisas foram escondidas para que o jovem realmente parecesse alguém decente.


No segundo filme, é Suzane quem conta os detalhes da vida dos dois. Embora a grande maioria das informações dadas por ela pareça extremamente fantasiosas, é através dessas informações que as pontas soltas deixadas para trás são aparadas. Esses pequenos detalhes fazem parecer que ambas as versões tem suas verdades e seus assuntos omitidos, mas no depoimento de Suzane, talvez por sermos induzidos a pensar que ela é a grande mandante do crime, fica difícil acreditar em qualquer coisa que saia de sua boca e isso é graças a atuação impecável de Carla Diaz que consegue despertar em nós, reles mortais, o sentimento da dúvida.

O Menino que Matou meus Pais x A Menina que Matou os Pais

Qual é o melhor filme?


Ambos os filmes são ótimos. Enquanto no primeiro temos uma versão maligna e dissimulada de Suzane participando da história, no segundo temos uma menina doce, incompreendida e esforçada. Já Daniel não tem muitas nuances e parece ter a mesma personalidade nos dois filmes, sendo apenas um pouco mais explosivo nesta versão em pauta. Mas é neste segundo filme que você consegue formar sua opinião sobre de quem foi a ideia de por fim às vidas dos Von Richthofen, sim, você decide em quem acreditar e este é o intuito dos dois longas.


Na minha humilde opinião, O Menino que Matou meus Pais se parece mais com um filme justamente por contar tantos detalhes com muita precisão, por isso leva o meu prêmio de melhor longa entre os dois. Enquanto no seu antecessor Daniel só ia contando o que aconteceu, aqui, Suzane se lembra das datas comemorativas, horários, dias, roupas e até cores de toalhas de banho (coisa de gente mentirosa, não é?). E isso torna o filme mais dinâmico e divertido de assistir pois toda hora você fica pensando: "Essa garota ta mentindo, não era ela que ofereceu drogas pra ele? Dissimulada!!!!"

O doce olhar de quem sabe que ta planejando fazer merd*

A forma de contar história!


Além de um jogar a culpa no outro sobre pequenos detalhes que poderiam levar o juiz a refletir sobre quem foi a influência negativa para quem, é fato que ambos parecer ter culpa no cartório. Em todas as versões Suzane jamais põe a mão na massa na hora de cometer o crime, mas parece influenciar os irmãos em ambas.


Os dois longas começam da mesma forma e conforme a narrativa vai avançando, as diferenças aparecem justamente por contar com a perspectiva de cada um. Isso vale tanto para a narrativa quanto a filmagem, pois a câmera está sempre atrás de quem está narrando a história. O roteiro também tem mérito pois conseguiu tornar interessante uma história cujo final todos sabíamos como seria, dando profundidade para cada personagem e estudando de forma inteligente o psicológico de cada um. Estou muito orgulhoso do nosso cinema nacional e ficaria muito feliz se os responsáveis por essas obras contassem mais histórias dessa forma.

Não importa foi mandou ou quem executou, todos são culpados!

Os dois longas estão disponíveis no Amazon Prime Vídeo e é você quem decide em quem você vai acreditar no final das contas!



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