Buscar
  • @myycampos

Análise | Os 7 de Chicago - Abuso de poder e a importância da militância

Os 7 de Chicago, drama jurídico e histórico, dirigido e roteirizado por Aaron Sorkin (A Rede Social) e produzido pela Netflix , apresenta um tema, que infelizmente, continua muito atual.



No final da década de 60, auge da Guerra do Vietnã, diversos grupos anti-guerra seguiram rumo à Chicago, onde aconteceria a Convenção Nacional Democrata, com o intuito de protestar contra a guerra que estava matando milhares de jovens, porém nem tudo saiu como o esperado e um grande tumulto se formou as vésperas do protesto. Ao todo, sete pessoas foram indiciadas por conspiração contra o governo. O 7 de Chicago (The Trial of the Chicago 7) conta como foi esse longo julgamento, marcado por incongruências por parte da promotoria, um juiz completamente parcial ao caso e cenas de racismo de revirar o estômago.



Assim como os outros trabalhos de Sorkin, Os 7 de Chicago é um excelente trabalho de adaptação de fatos históricos para roteiro de cinema. Assim como Steve Jobs, A Rede Social e A Grande Jogada o roteirista trabalha muito bem em seus diálogos densos e cheios de emoção.


Como diretor o filme segue pelo mesmo caminho focando mais na palavra dita do que em cenas de ação, e conta a história em três perspectivas diferentes: a história forjada pela promotoria, os acontecimentos de fato e os flashs de cenas reais do tumulto.


Elenco de Estrelas


O filme com certeza não teria o mesmo impacto se não fossem as atuações. Sacha Baron Cohen (Borat), Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa), Joseph Gordon-Levitt (500 dias com Ela), Yahya Abdul-Mateen II (Watchman), Mark Rylance (Dunkirk), Frank Langella (Capitão Fantástico), John Carroll Lynch (American Horror Story) e Michael Keaton (Batman - 1989).



Que o Sacha Baron Cohen é incrível como comediante ninguém tem dúvida, mas no longa podemos ver uma atuação impecável, seu personagem é irônico e afrontoso contra o sistema, e na minha opinião, é quem tem a melhor estratégia contra o caso. Apesar da aparência displicente do líder hippie, ele é o primeiro que percebe o teor político do julgamento.


Mas sem dúvida a melhor cena (ou pior no caso) fica por conta de Yahya Abdul-Mateen II, que em determinado momento após várias e várias cenas de humilhação, nos mostrar sem nenhuma palavra, apenas com o olhar, a podridão do abuso de poder sobre os corpos negros.



Debate Importante


É um filme de texto. Se você procura ação e cortes rápidos esse não é o caso, o tempo do filme é cadenciado pelas palavras, e por se tratar de um tribunal e de um longo julgamento a história corre exatamente dessa forma. É necessário prestar atenção em casa fala, cada sentença para entender as motivações dos personagens.



O filme tem a intenção de mostrar como mesmo dentro de uma democracia, graças ao abuso de poder de poucos privilegiados (sim estou falando do homem, cis, branco e rico) a grande maioria da população seja silenciada e humilhada mesmo que tenha provas e meios legais e jurídicos para provar o seu lado.


Infelizmente essa podridão dentro do sistema perdura até hoje, em todos os países, casos como esse ainda são rotineiros na vida de milhares de minorias que tem seus direitos extirpados em detrimento ao poder de quem ainda tem o mundo nas mãos.


Portanto fica o aprendizado de quem nunca devemos parar de lutar por igualdade de diretos e de oportunidades, que mesmo depois de tantos anos militar e dar voz aos silenciados e aos seus ainda é importantes, pois ainda temos um longo caminho a seguir.







0 comentário