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  • Giulia K. Rossi

Análise | Pieces of a Woman - Merece um Oscar?

Mais um sucesso nas mãos da Dona Netflix! O filme Pieces of a Woman, dirigido pelo húngaro Kornél Mundruczó e escrito por Kata Wéber, não teme a ousadia. Em menos de trinta minutos, ele já se estabelece como um drama poderoso e autêntico sobre perda, luto e recuperação.


Aviso: Assunto delicado a seguir!


O longa conta a história de Martha (Vanessa Kirby - atriz de The Crown) e seu marido Sean (Shia LaBeouf), que aguardam ansiosos o nascimento de sua primeira filha. Entretanto, o mundo do casal vira de cabeça para baixo quando, em um parto cheio de complicações, eles perdem a sua bebê.

Sem medo de chocar seus telespectadores, logo no início da obra a direção aposta em um plano-sequência fenomenal do parto da criança, que faz o público imergir na cena - Podemos sentir as dores de Martha conforme ela dá à luz, a expectativa de Sean durante o processo, e a angústia da parteira (Molly Parker) devido aos contratempos.


Se você for médico ou já passou por alguma experiência desse tipo, talvez note alguns aspectos irrealistas sobre a cena (nos filmes os bebês sempre saem tão limpinhos, não é mesmo?) - Porém, para meros espectadores como eu, esses detalhes técnicos não atrapalham uma experiência incrivelmente verossímil. E a atuação de todo o elenco ajuda bastante! Com destaque para a talentosa Vanessa Kirby (Oscar, aqui vai ela!), todas as interpretações do longa são, com certeza, um ponto positivo da produção.


Nem tudo é perfeito...


Entretanto, depois do seu chocante primeiro ato, o filme perde um pouco da sua potência. Ele se desenvolve lentamente, mostrando o passar dos meses e a repercussão de tamanha perda na vida de Sean, Martha e dos integrantes da vida da mulher, em especial sua mãe controladora (Ellen Burstyn). É possível notar a distância que se estabelece entre o casal, e como não é fácil voltar para a “normalidade” de suas vidas.


Além do ritmo um pouco lento (que não agrada qualquer um), o roteiro peca de leve no quesito: gerar empatia pelos personagens. É claro que só alguém sem coração não sentiria pela perda que os protagonistas sofreram, porém, é preciso mais do que isso para, de fato, se apegar a eles. Os dois, em meio a uma história tão complexa e profunda, se tornam um pouco... rasos.


Ah, e o envolvimento de Sean com a promotora Suzanne (Sarah Snook) não ajuda nem um pouco! Na verdade, até agora ficou um pouco confuso o papel dela dentro da história...


Fechando com chave de ouro


Entretanto, nada disso impede que o filme acabe com uma mensagem poderosa e, ao longo da trama, levante reflexões interessantes - Qual a razão para algo tão terrível acontecer? Tal perda pode ser, algum dia, compensada? E quem ou o quê é o culpado de tudo isso?


Não sei se algum dia tais perguntas terão uma simples resposta, mas, quanto a Pieces of a Woman, seu terceiro e último ato volta a fisgar a atenção do telespectador, se aprofundando sobre essas questões em um discurso emocionante de Martha – já pode preparar os seus lencinhos!


No final das contas, o filme de Mundruczó trata um assunto sério com a delicadeza necessária para tal, ao mesmo tempo que constrói uma narrativa cheia de nuances e significados escondidos – para os fãs de filmes cult, esse é para você! Não é um típico drama de Hollywood, portanto, o seu ritmo não é para todos, mas isso não o impede de cumprir sua proposta de comover, chocar, e retratar uma história nada fácil de ser contada.



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