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  • @luigienricky

Análise | Por Dentro das Prisões Mais Severas do Mundo - Temporada 4

Atualizado: 27 de out. de 2020

Para quem curte série documental, esta é um prato cheio, mas é preciso ter estômago. Lembro que um belo dia estava vasculhando o catálogo da Netflix atrás de séries documentais por ser um tema que curto bastante. Até que, de repente, totalmente tomando pela influência de ter terminado Orange is The New Black, cliquei nesse título deveras gigante e me surpreendi com seu conteúdo.

Prepare-se para ficar com o estômago embrulhado com as histórias reais de prisioneiros com fama mundial devido aos seus crimes horripilantes


Um breve contexto do que te espera!


A série é apresentada por Raphael Rowe (a partir da segunda temporada), um ex detento do Reino Unido acusado de assassinar dois homens gays e assaltar a casa de uma família em seguida. Segundo o próprio, foi acusado injustamente e depois de passar 12 anos preso e condenado à prisão perpétua, ganhou sua liberdade por falta de provas que o ligassem a estes crimes.


Independente de ser culpado ou não, o fato dele ter coragem de visitar esses lugares tenebrosos, mostra que é um cara corajoso e de estômago forte para ver todas as condições em que os presos sobrevivem. Na série, ele visita as Prisões Mais Severas do Mundo e passa uma semana vivendo como um detento, dormindo nas celas, comendo suas refeições e mostrando inclusive como funciona o processo de prisão, revista e adaptação em cada presídio.

Raphael inclusive visita uma penitenciária brasileira em Rondônia, onde estão presos muitos criminosos envolvidos com o PCC.


Punição X Ressocialização


É muito interessante acompanhar os regimes prisionais de cada país que Raphael visita e as ideologias de como os detentos devem ser tratados. Ao longo das temporadas, somos apresentados a prisões de segurança máxima que seguem duas ideologias principais: Punir ou Mudar.


Chega a ser assustador as condições em que os criminosos são tratados em países subdesenvolvidos e a visão que a população tem sobre como uma cadeia deve ser. Sem ideologia política por aqui, ok? Vamos tentar levar em consideração o que um presídio deve ser, que é de devolver o cidadão às ruas com uma cabeça diferente de como entrou.


Em países como a Suíça por exemplo, temos exemplos de prisões totalmente severas com suas regras, mas que os detentos realmente têm a chance de mudar, com estudo, aprendendo um novo ofício ou convivendo de forma respeitosa com os guardas do presídio. Isso resulta em reincidências bem mais baixas do que presídios punitivos, onde os presos são obrigados a dormir no chão e só tem alguma regalia ou beneficio se aceitar ser submetido a alguma sessão religiosa. São dois lados extremos da mesma moeda.

Quarta temporada nos trouxe novas histórias que me deixaram arrepiado e com medo, só de pensar até onde a crueldade humana pode chegar


Independente de qual seja o seu pensamento em relação a como os presídios devem ser, é interessante que deem uma chance para este documentário para perceberem o quão longe ainda estamos de nos tornar uma nação onde as pessoas tem o mínimo para viver.


Te convido a rever seus privilégios e, se você for uma pessoa minimamente empática, conseguirá entender o quão cruel é a falta de oportunidade, estudo ou comida, além do que essas restrições podem causar a uma pessoa ou levá-las a fazer.


Desesperador e claustrofóbico

A imagem deste homem preso em uma solitária onde tem que ficar em pé o tempo todo mexeu muito comigo. Dá pra ver a dor e o medo nos olhos desse ser humano. É assim que uma prisão deve ser?


A série também mostra de forma bem real os casos onde a pessoa não quer mudar e se orgulha dos crimes que cometeu. Normalmente são assassinos e estupradores. Em alguns casos, o apresentador até se recusa a pegar nas mãos deles. Em um dos presídios visitados na quarta temporada, Raphael conhece um lugar onde mais da metade dos presos são estupradores e é surpreendente o quanto isso é natural para eles que inclusive dizem que o apresentador terá que escolher um marido se quiser sobreviver naquela cadeia.

Este rapaz assassinou o próprio pai e hoje administra uma loja dentro do presídio que vive


A série está disponível na Netflix e conta com quatro temporadas atualmente com quatro episódios cada. Se você gosta do tema com certeza será tocado pelas histórias contadas aqui!


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