Buscar
  • Giulia K. Rossi

Análise | Por Trás de Seus Olhos -Reviravoltas chocantes em um roteiro preguiçoso

Não é fácil adaptar um bom livro para as telonas! A rainha Netflix, contudo, não cansa de tentar. Ela se saiu bem adaptando, por exemplo, a trilogia Para Todos os Garotos, mas, a minissérie Por Trás de Seus Olhos, baseada na obra de Sarah Pinborough, mostra como não se acerta tudo. Mais sorte da próxima vez!


O suspense psicológico criado por Steve Lightfoot segue a vida de Louise (Simona Brown), uma mãe solteira, que vê a sua vida se transformar no momento que conhece o charmoso David (Tom Bateman). Os dois se atraem quase que instantaneamente, mas, o que era para ser uma “ficada” sem muito significado, acaba por trazer uma teia de complicações para a mulher, quando ela descobre que ele será um dos psiquiatras no consultório em que ela trabalha.


Entretanto, o enrosco não termina por aí. Louise não só percebe que David será o seu novo superior, como também descobre que ele é casado! E, se você achou que já não estava complicado o suficiente, fica pior: Louise, acidentalmente, começa a desenvolver uma amizade com Adele (Eve Hewson), a esposa.

Todo mundo sabe que vai dar ruim, não é mesmo?

Não anda, se arrasta


Em uma trama intrigante, repleta de mentiras e jogos de manipulação, a série prende o telespectador, que se questiona desde o começo sobre “quem é o vilão?” e “o que vai acontecer em seguida?”. Porém, por mais que a música de suspense ajude a definir o tom sombrio, o ritmo lento dos primeiros episódios prejudica o seu desenvolvimento e, para aquele público impaciente, nem toda a curiosidade do mundo seria forte o suficiente para atraí-lo.


A minissérie conta somente com seis episódios, contudo, apesar de não ser um número alto de capítulos, ainda assim traz a sensação de que deveria ter sido encurtada. O ritmo vagaroso, que pode funcionar em uma boa narrativa literária, aqui peca para fisgar a atenção – da próxima vez, invistam em um filme de duas horas!


Um tapa na cara! (Aviso de spoilers adiante)


Para quem acompanha até o quarto episódio, a série, de fato, ganha vida! Em meio a várias reviravoltas chocantes, o telespectador finalmente consegue colocar sentido em algumas das questões que permeavam a sua cabeça. Ou, será que não?


A tardia introdução do elemento “sobrenatural” da obra é, no mínimo, conflitante. Enquanto alguns vão achar plausível, outros vão facilmente se perguntar “isso é a mesma série que eu estava assistindo esse tempo todo?”. A projeção astral de Adele é um aspecto interessante da narrativa e, com certeza, é aquilo que a tira do lugar comum de qualquer outro suspense psicológico. Porém, a execução foi falha. Com o simples intuito de agregar no fator “surpresa”, a produção demora para inserir tal revelação, o que acaba por, mais do que qualquer outra coisa, prejudicar a trama.


Não só isso, como todos os momentos surpreendentes da narrativa somente acontecem por conta de uma série de fatores convenientes e não realistas. Rob/Adele não era nenhum gênio do crime, mas, as atitudes sem lógica de David e Louise definitivamente o fizeram parecer um – você pode me dizer quem em sã consciência decide dormir ao lado de um incêndio?

E chega de representatividade LGBTQIA+ negativa!

No final das contas, o que era para ser um final chocante, cumpre as expectativas da pior forma possível. É surpreendente? Sem dúvidas. Faz sentido? Nem um pouco. Agora, resta cada um avaliar sobre o que preza mais em uma série.


Medalha de participação!


Um ponto positivo da obra, entretanto, são os flashbacks. É interessante ver a dinâmica da jovem Adele com o excêntrico Rob (Robert Aramayo) e, melhor ainda, como essa amizade que, aparentemente não tem muita relação com a trama, se torna tão relevante (se não a história mais relevante de todas). As voltas ao passado não só entretêm, como também complementam perfeitamente o mistério.


Além disso, outro elogio vai para a cenografia da produção britânica. Desde as roupas inteiramente brancas de Adele, até as cores que permeiam a personalidade de Louise, todo esse aspecto é muito bem feito – nem tudo está perdido!


Por Trás de Seus Olhos veio com uma boa intenção, porém, apresenta um roteiro problemático que prejudica a trama e o envolvimento do público com os personagens. Mas, caso você queira conferir com os seus próprios olhos, a minissérie está disponível na Netflix.


Depois comenta aqui o que achou ;)



0 comentário