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  • Giulia K. Rossi

Análise | Primeira Morte - História clichê, bagunçada, mas ainda assim essencial

Alguém aí estava com saudades daquela boa e velha produção teen sobre vampiros? Então pode aquietar o coração, pois a dona Netflix veio alegrar os fãs nostálgicos com a sua mais nova série, Primeira Morte. Aproveitando-se dos clichês que seguem obras adolescentes e vampirescas, o seriado também brinca com o clássico Romeu e Julieta, mas, dessa vez, sob uma tão necessária perspectiva LGBTQIA+.


A produção acompanha o romance proibido entre a jovem vampira, Juliette Fairmont (Sarah Catherine Hook), e a caçadora de monstros, Calliope Burns (Imani Lewis). Enquanto Cal faz de tudo para provar o seu talento para a sua família e quer caçar a sua primeira presa, Juliette só quer ser uma garota normal, porém, sua sede por sangue se torna cada vez mais difícil de controlar enquanto não realiza a sua primeira morte.


Tabus servem para ser quebrados


Nada melhor do que celebrar o mês do Orgulho com várias produções queer lançando nas nossas telhinhas. E, sem dúvidas, a representatividade em a Primeira Morte é um dos melhores pontos da série, e também o mais importante. Além de ser protagonizada por um casal lésbico inter-racial, o que já tem o seu peso, a série também insere o assunto com toda a naturalidade que ele merece.


Diferente da maioria das produções que levantam a temática LGBTQIA+, a série de Victoria Schwab não centraliza a sua trama na sexualidade, mas sim no aspecto fantasioso da história. Dessa vez não temos emotivas saídas do armário, ou aquele angustiante processo de aceitação própria, mas sim vampiros e caçadores travando batalhas fatais. Não tirando o mérito das outras abordagens, porém, é de extrema importância ter diferentes representações de casais queer dentro das telas.


Já separa o esfregão


Contudo, não é por isso que a série é uma obra prima. Afinal, a Primeira Morte, infelizmente, está longe de ser perfeita. Ah, mas é muita passada de pano para aceitar algumas situações sem ao menos deixar escapar uma risadinha cínica!


Embora ela ainda consiga introduzir um ou outro personagem carismático dentro da história, a grande maioria é pouco aprofundada e parece se perder entre as (muitas) tramas que surgem no meio do caminho. Mas, aqui vale um destaque positivo para as mulheres Faimont e para a matriarca da família Burns.


Enquanto a maturidade dramática de Elizabeth Mitchell (Margot) e Aubin Wise (Talia) aproveita da melhor maneira as migalhas de qualidade do roteiro, Hook conquista o telespectador com o seu charme inocente e transparece o seu carisma nas telinhas, mesmo que o seu par romântico não tenha sido tão bem sucedida. Porém, a maior surpresa vai para Gracie Dzienny (Elinor), que interpreta aquela vilã sarcástica que amamos odiar, entregando alguns dos melhores momentos cômicos do seriado, assim como outros dos mais intensos.


Gostinho de potencial desperdiçado


De modo geral, não foi o CGI mal feito ou a edição forçada que foram os maiores vilões da produção. Essa "desconquista" vai para o seu roteiro bagunçado, que mostra diálogos pouco naturais e desenvolve a narrativa apressadamente, tanto nas relações entre os personagens, como em seus arcos narrativos, que caem nas armadilhas dos seriados sci-fi. Um infeliz desperdício de potencial, especialmente em uma obra que traz tanta novidade para o público LGBTQIA+.


Entretanto, abraçando as suas falhas, Primeira Morte é aquele tipo de série que entretém e é perfeita para passar o tempo. Sem dúvidas, o seriado ainda precisa encontrar o seu humor e ritmo para subir de nível, porém, não é a toa que a produção está em alta na patroa dos streamings. Afinal, entre as cenas bregas, as piadas toscas, e os buracos na trama, a série também é aquele romance queer que há tanto tempo buscamos dentro da fantasia (é uma pena que deixou a desejar...)


Portanto, se você está cansado de maratonar Buffy: A Caça Vampiros , The Vampire Diaries, e Carmilla pela milésima vez e não quer levar as coisas a sério por algumas horas, corre e aperta o play, pois Primeira Morte pode ser sua nova queridinha da plataforma!



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