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  • Laura Amaral

Análise | Rupaul's Drag Race

Atualizado: 26 de out. de 2020

Você conhece a Drag Queen Rupaul? E o seu absoluto império nascido do reality chamado Rupaul’s Drag Race?

Se sim e já assistiu, parabéns! Você já experimentou dos efeitos dessa dose colorida de Carisma, Originalidade, Coragem e Talento! Ou, em sua tradução literal: Carisma, Uniqueness, Nerv and Talent – CUNT (curiosamente ou não essas iniciais juntas montam em inglês uma palavra constrangedoramente variada daquela referente às “partes íntimas femininas”, se é que me entende).



Mas o que é o RUPAUL’S DRAG RACE?


Rupaul’s Drag Race é um reality show de competição entre, pasmem... Drag Queens! É um programa extremamente atrevido, colorido, alegre, artístico e, claro, com bastante personalidade, amor e tretas, como um bom reality. Possui diversos desafios (música, moda, atuação e mais) a serem feitos pelas participantes, esses ficando cada vez maiores ao longo das temporadas. Com essa proposta extremamente explícita, já que junta várias personagens de uma arte tão controversa e marginalizada, não podemos deixar de esperar também por muita representatividade e acolhimento mútuo.


Foto promocional do elenco da 12ª (e mais recente) temporada


Mas então vamos lá! Em 2008 a maior Drag Queen, podemos dizer que do mundo, Rupaul (será que já estamos dividindo esse posto com Pabllo Vittar, Rupaul?) entendeu que estava na hora dessas divas do entretenimento underground terem seu lugar ao sol. Através de sua visibilidade macro quase que exclusiva, Rupaul teve essa brilhante ideia da qual juntaria sua própria arte com o conceito do programa America’s Next Top Model, muito em alta na época.


Meu Deus! Isso foi em 2008? Sim, meu bem! O programa já tem 12 anos e 12 temporadas oficiais, diversos Spin Offs como o Rupaul’s Drag Race All Stars que está em sua 5ª temporada, Rupaul’s Drag Race Untucked (mama Ru não quis deixar passar nem o papo das queens durante os bastidores, Money Money Money Money... M-m-m-money!), além de edições de datas celebratórias e versões internacionais. Não é só isso, o programa premiado já tem 4 Emmys no bolso e não só mudou a vida de mais de 150 queens que passaram pelo programa, mas também da arte Drag mundial num todo.



Como foi esse impacto?


Te conto! Quando digo que a arte drag era algo em posição marginalizada, quero dizer que devido a muito preconceito unido com a constante opressão que sofre a comunidade LGBTQIA+, aqueles que conheciam, apoiavam e entendiam sobre o que se trata essa arte eram as próprias pessoas da comunidade. Vindo de um ambiente social intencionalmente ignorado, os membros da comunidade encontram em uns aos outros o apoio e força para sobreviverem e celebrarem juntos quem eles de fato são! Mas é compreensível o termo ser confuso (mesmo dentro do próprio meio)... É Drag, travesti ou trans? É Drag, uai! Mas aí é papo para outro momento, podemos “descansar a militância” por hora! (Só por hora, ok? 😉)


As Drag Queens são, em maioria não exclusiva, homens gays que encontraram sua expressão através da arte de representar (inicialmente) o glamour das figuras femininas em diversas apresentações para o público de sua comunidade: desde dublagens de músicas de grandes divas – os famosos Lip Syncs – até concursos de beleza (atividades essas que montam também os desafios ao longo do programa).

Ao longo do tempo e com um gigante auxílio do sucesso do Rupaul’s Drag Race, as drag estão varrendo para escanteio aquela visão errônea e ofensiva de sua atividade para assumir a posição mais que merecida de gigantes do entretenimento! Uma vez que estamos tratando de pessoas com tanta criatividade e talento dentro de si, que transborda!


Hoje, entrar na competição é uma passagem só de ida (se bem usada, claro!) para um sucesso estrondoso. Podemos ver suas participantes fazendo espetáculos gigantescos ao redor do mundo, como perfeitas celebridades.

E esse impacto vai além de quem esteve por ali... Aqui mesmo no Brasil, Drags como Pabllo Vittar e Gloria Groove iniciaram suas carreiras como Drag Queens a partir da validação que sentiram ao se identificarem com essa performance assistindo o programa, e nem precisamos dizer o resultado disso, não é mesmo?


Como e onde assistir?


Fique à vontade! Agora em parceria com a Netflix, após lançar todos os episódios nos Estados Unidos, é imediatamente lançado a temporada completa na plataforma aqui no Brasil (sim, é preciso esperar lançar tudo lá, semanalmente, até chegar aqui... força na peruca, porque no final vem!). O mesmo acontece com a versão Untucked e com o All Stars.


Assistindo desde a primeira temporada, você vai conseguir acompanhar todo o enorme desenvolvimento que a performance Drag teve ao longo dos anos com o programa, se sentindo parte da arte, e também acompanhando o crescimento de uma cultura Drag Race gigante e cheia de piadas internas! A evolução é gritante e nítida, fixando inclusive a piada do “filtro da primeira temporada” em que o programa se passou inteiro filmado com o que parecia ser uma câmera embaçada. Haha


Mas, é aquilo né... Quase que como no caso do Harry Potter... Depois de anos, vão ter aqueles fãs raiz dos livros, e a geração Nutella nova vinda dos filmes. No Drag Race não é diferente, muita gente começa a assistir a partir da 4ª temporada, por ali ter se estabelecido o formato oficial, e mesmo assim sendo fã de carteirinha... Tudo bem também.


Aí vai de você... a pessoal aqui que vos fala é total raiz. Então, aconselho segurar firme a partir da primeira. Se quiser, pela curiosidade da evolução, assiste a penúltima (a última infelizmente teve a final adaptada devido a pandemia com cada uma em sua casa – apesar de muito criativo, não tem o espetáculo que virou a final), e depois retorna para a primeira. Você vai ficar maravilhado, porém confuso por pegar o bonde andando, mas vai fazer um parâmetro bem legal de comparação ao retornar a primeira (e também não ficar levemente desencorajado pela qualidade inicial hehe).


Num todo... Você vai no mínimo se entreter e divertir com um programa de incríveis artistas que, vindo de um conceito inicial de “homens vestidos de mulheres”, agora se expandem para o que o Rupaul define como “arte de ser o que quiser ser!”. E, com isso, finalizo paragrafando uma das músicas apresentadas no episódio 12 da temporada 12: “A coisa mais poderosa que você pode fazer é se tornar a imagem da sua própria imaginação”.



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