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  • @myycampos

Análise | Ruptura (Severance) - Quem sou eu afinal?

Ah que saudade de uma série de ficção científica de explodir a mente.

Em Ruptura acompanhamos Mark que trabalha nessa empresa um tanto quanto controversa.


Ao aceitar o job você recebe um chip implantado no seu cérebro que divide a sua vida do trabalho da sua vida real. Nada que você vive no trabalho se leva para casa, e durante o trabalho não lembra de nada do mundo externo.

De primeiro momento até pode parecer uma boa ideia, não lembrar daquelas picuinhas do escritório depois que chega em casa, estar 100% focado quando vai trabalhar, não acordar no meio da noite lembrando do e-mail que talvez você tenha esquecido de enviar…

Mas será que é tão bom assim?


Produzida por Ben Stiller (sim, é aquele de Uma Noite no Museu) inclusive com boa parte dos episódios dirigida por ele, a série começa com essa temática que parece chata e monótona na vida em um ambiente corporativo, mas a partir do momento que começam os mistérios (e são muitos) a série toma um ritmo intenso e de repente estamos imersos na narrativa e bolando diversas teorias do que pode estar acontecendo. Como uma boa ficção científica, Ruptura nos questiona sobre quem somos afinal.

Somos a nossa profissão, somos o nosso trabalho, nosso verdadeiro eu só existe fora de horário de expediente, durante as 8 horas de trabalho somos apenas parte de uma engrenagem muito maior sem nem ter ideia do que essa engrenagem representa? Essas questões ficam escancaradas com a entrada de uma nova personagem na equipe de Mark, Helly R. Ela simplesmente não aceita que sua externa (é assim que eles chamam o seu EU do mundo real) tenha feito isso com ela, ao tentar de todas as formas fugir dessa nova realidade que está sendo obrigada a viver, a nova processadora de Macrodados transmite esses mesmos questionamento aos outros membros da equipe, que também passam a se questionar sobre o que eles fazem ali afinal.


Lumen

Afinal o que é a "Lumen"? Esse é nome da empresa que criou essa tecnologia de ruptura da mente, que mesmo dentro da série não é vista com bons olhos por boa parte da população. Quem decide trabalhar para Lumen faz isso por vontade própria, e ao assinar o contrato de trabalho está disposto a apagar oito horas do seu dia todos os dias, e criar uma outra persona que apenas trabalha e não tem mais nenhum poder de decisão sobre qualquer coisa que possa estar vivendo fora. Será que tenho filhos? Será que sou casado? Será que vivo numa vida feliz lá fora? Os internos jamais saberão quem eles são lá fora e por que eles escolhem todos os dias voltar a Lumen e repetir esse processo.

Outro fator que a torna tão misteriosa, é que nem nós espectadores, nem os próprios funcionários sabem o que estão fazendo lá. Um andar inteiro é reservado para os funcionários que aceitaram por fazer a ruptura da sua mente, mas aos poucos vamos notando o quão vazio é esse andar, o próprio departamento do protagonista, Processamento de Macrodados, tem apenas quatro funcionários e passam o dia todo procurando “números assustadores” num computador super antigo (WTF?)

Com corredores intermináveis e salas de reunião vazias, a empresa motiva seus empregados praticamente como uma religião. Seguem um manual que mais parece uma bíblia, reverenciam o “Criador” e sua família praticamente como um Deus, e até são punidos de formas bastante intensas (leia-se que ferem os direitos humanos) quando não seguem algum dos mandamentos da Lumen. E mesmo assim, voltam todos os dias para trabalhar pois afinal seu Eu exterior não lembra absolutamente nada disso, é muito louco não é?

Vem Emmy aí?

A série conta com uma elenco de estrela, além de Stiller na direção, Ruptura conta com Adam Scott (The Good Place) no papel principal, Patrícia Arquete (vencedora do Oscar por BoyHood), Christopher Walken (Click) e John Turturro (The Batman).


Quanto aos quesitos técnicos a série também está impecável, com planos diversos, uma fotografia que consegue fazer com que a monotonia de um escritório se transforme em curiosidade, e um cenário que te prende como num labirinto temos a sensação agoniante e o ar de mistério que o roteiro visa passar feita de maneira milimetricamente calculada.


Ruptura conta com nove episódios já disponíveis pela AppleTv+ e ao que tudo indica já temos a favorita nas premiações deste ano. A série já foi renovada para uma segunda temporada, mas ainda sem data de lançamento (que bom por que termina num gancho alucinante que faz a gente levantar do sofá).


gif

E então vamos dar uma chance para essa que particularmente falando é a Melhor Série do Ano? E depois de assistir volta aqui e conta pra gente as suas teorias sobre o futuro da série.



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