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  • Felipe Lucas

Análise | Ratched

Atualizado: 27 de out. de 2020


Uma história sombria com cenas chocantes que envolve uma enfermeira recém-contratada em um hospício americano na década de 40. Começamos bem né não? Se esse é seu tipo de história, vem com a gente porque hoje vamos falar sobre Ratched, uma das estreias da Netflix desse mês de setembro!


Baseada no romance Um Estranho no Ninho do autor Ken Kessey, a série foi criada por Evan Romansky, desenvolvida por Ryan Murphy, e conta com apenas 8 episódios de cerca de 50 minutos que nos levam por uma trama cheia de suspense e mistério, onde nem todos são quem parecem ser.


Um suspense de roer as unhas


Todo o enredo gira em torno da chegada do serial killer Edmund Tolleson (Finn Wittrock), a um manicômio na cidade de Lucia no norte da Califórnia. A partir daí, a história passa a desenvolver diversas tramas secundárias que vão sendo exploradas aos poucos pela série.


Em 1947, Mildred Ratched (Sarah Paulson) chega ao norte da Califórnia para procurar emprego nesse importante hospital psiquiátrico, onde novos e inquietantes experimentos conduzidos pelo suspeito Dr. Richard Hanover (Jon Jon Briones) começaram na mente humana.



Em uma missão clandestina, Mildred se apresenta como a imagem perfeita do que uma enfermeira dedicada deve ser, mas as rodas estão sempre girando e quando ela começa a se aproximar do sistema de saúde mental e das pessoas dentro dele, o exterior elegante de Mildred revela uma escuridão crescente que há muito tempo está ardendo dentro dela, mostrando que monstros não nascem, eles são criados.


“Salve uma vida e você é um herói, salve mil vidas e você é uma enfermeira”


Sarah Paulson brilha muito no papel da enfermeira Ratched, em cada um dos episódios somos apresentados a uma nuance dela, às vezes até parecendo contraditórias. A transição é constante entre a crueldade, dureza, sarcasmo, e também captamos momentos de uma Mildred apaixonada e até compassiva. Isso sem contar que é muito irônico que a enfermeira do manicômio seja mais insana que todos os pacientes juntos.


Apesar do protagonismo incrível da Sarinhah, outras atrizes veteranas também acabam roubando a cena em diversos momentos da série como é o caso de Judy Davis, que interpreta a mal humorada e invejosa enfermeira-chefe Betsy Bucket, ou da atriz Cynthia Nixon no papel da secretária de imprensa Gwendolyn Briggs, que traz um toque de romance e suavidade para a produção.


Além de Paulson, Cynthia Nixon (esquerda) e Judy Davis (direita) dão um show na série.

Fofa mas... psicopata!


Uma coisa que chama a atenção logo de cara na série é a sua produção deslumbrante digna dos romances noir do início do século. Figurinos coloridos e chamativos contrastam com os acontecimentos sombrios da trama, ambientes charmosos e sedutores de algum modo contribuem ainda mais para o suspense das cenas.


Aliás, Se tem uma coisa em que essa série não perde pontos em nenhum episódio é nas cenas chocantes. Se você é do tipo de pessoa que se sente desconfortável com o sofrimento físico e psicológico alheio, talvez Ratched acabe sendo um pouco demais para você.


Vai ser só uma picadinha. Ou não...

A abordagem que a produção dá para o tratamento cruel de doenças mentais e outras condições que nem são consideradas como doença (como a homossexualidade) na década de 40 é bastante impactante, e contribui muito para a coleção de cenas difíceis de assistir da série.


Ratched perfeita, zero defeitos?


Na verdade não. Como a gente sabe que acontece nas produções de Ryan Murphy, a série tem problema em se desenrolar e pode parecer confusa ou mesmo tediosa em alguns momentos com várias pequenas tramas acontecendo ao mesmo tempo. Além disso, essas tramas que surgem trazem personagens secundários que muitas vezes não são bem explorados, o que dá ao espectador a impressão de que eles nem precisariam existir.


Se você espera assistir algo uniforme e linear pode ser que fique um pouco decepcionado e talvez impaciente, já que a série está mais para uma colcha de retalhos sem uniformidade, mas ainda assim, com grandes momentos para alguns de seus intérpretes.


Apesar disso tudo, a série tem o mérito do gênero, principalmente se você gosta de dramas sombrios recheados de cenas fortes. Juntar as peças da vida de Mildred Ratched no fim acaba se tornando um objetivo secundário nessa viagem aos corredores sinistros de um manicômio na Califórnia dos anos 40.


E aí pessoas, curtiram essa análise? Se você já assistiu Ratched deixa aqui nos comentários o que achou, e se não assistiu conta pra gente qual é a sua expectativa para a série!

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