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  • @luigienricky

Análise | Sexy/Life - A Disney e o Cine Privê tiveram um filho...

Atualizado: 20 de jul. de 2021

A série safadinha da Dona Netflix produzida e dirigida majoritariamente por mulheres, bem que tentou fugir do clichê do falocentrismo mas não conseguiu chegar lá. Embora mantenha-se entre o top 10 do catálogo da gigante do streaming e até tenha momentos e situações interessantes, ainda não é a obra prima da pornochanchada!


Qual é?


Em Sexy/Life conhecemos a fogosa Billie, que depois de sofrer nas mãos de um macho tóxico se apaixonou por um bancário mauricinho e resolveu constituir família. Certo dia ela acorda pensando no ex e quase bota tudo a perder quando seu marido perfeito lê seu diário de aventuras sexuais.


Esse é um resumo bem genérico da narrativa principal de Sexy/Life, que também é genérica e cheia de problemas. A trama, que é uma espécie de 50 tons de Cinza gourmet, tenta mostrar sob os olhos da protagonista a visão da mulher sobre o sexo, as fantasias sexuais e o desejo exaustivamente explorado sempre para o público masculino e sob a ótica do homens. Acontece que isso não funciona muito bem pois no final das contas, tudo gira em torno do macho, da obsessão da protagonista por ele e do quanto a vida se tornou desinteressante desde que ele foi embora.

Animal Planet orgulhosamente apresenta... Não, pera!

O problema da romantização!


Tudo que envolve o macho alfa Brad é um problema (além de ser um péssimo ator). O bonitão que tem uma jiboia em cativeiro entre as pernas é grosseiro, agressivo, estupido e mulherengo e o roteiro tenta passar um pano nervoso para ele justificando toda essa falha de caráter com um passado trágico.


A romantização não para por aí pois ele faz contato constante com a protagonista insistindo para que eles se encontrem mesmo que ela negue diversas vezes, chegando ao ponto de, para provar que Billie ainda é apaixonada por ele, filmar a transa com a sua melhor amiga enquanto ela se masturba do outro lado da linha. Isso não é sexy, não é divertido e é um problema sério. Sei que se trata de uma obra erótica ficcional e não foge muito do que se vê em filmes pornô por aí, mas ainda é problemático principalmente por ser um conto erótico em um mundo onde o consentimento é cada vez mais discutido e cobrado nos dias de hoje!


História fraca!


Como pano de fundo para tudo isso, ainda acompanhamos a vida de uma mãe que, mesmo cansada, tenta fazer tudo pelos filhos e seu bem estar. O problema é que a questão materna é forçada demais, completamente desconexa da trama principal e a química entre Billie e seus filhos é fraca, sem graça, superficial e se torna apenas uma fugidinha do roteiro para retirar a atenção da alta sexualização em torno das mulheres. Não se engane com a famosa nude frontal masculina pois é só isso mesmo que acontece! O que faz parecer que a obra não foi feita para mulheres coisa nenhuma.


Outra coisa que faz ficar ainda mais fantasiosa é a desconexão com a realidade, já que os personagens são todos ricos, bem sucedidos, bonitos e sexualmente ativos. Talvez isso também contribua para o sucesso inesperado da série mas também cai no problema do pornô que impacta diretamente nas vidas das pessoas que são viciadas nesse tipo de "obra" e não conseguem se contentar com a realidade que vivem, nunca!


Um conceito interessante das subtramas envolve o marido de Billie, que após ler o diário das peripécias sexuais da esposa, ao invés de partir para brigas, resolve tentar reproduzir tudo que ela viveu com o boy tóxico na tentativa de não perde-la, o problema é que ele fica obcecado por Brad e vira um verdadeiro Stalker.

Uma das poucas coisas interessantes do roteiro é quando marido e mulher reproduzem as aventuras safadinhas

Atuações dignas de premiação, não disse qual!


Anualmente, em paralelo com as grandes premiações, acontece uma outra grande premiação chamada Framboesa de Ouro, onde a indústria reconhece os melhores dos piores das produções cinematográficas, ou seja, aqueles que são tão ruins mas tão ruins que merecem ser reconhecidos.


O que não falta aqui são atuações ruins e forçadas. Billie é uma princesa da Disney que vive num mundo de fantasia e que só chora sem parar o tempo todo. Sua amiga Sasha é super caricata. O galã Brad parece que acordou um dia e decidiu ser ator, o filho mais velho de Billie é só uma criança bonitinha que puseram no elenco pra arrancar suspiros das mães que assistirem. O único que realmente entrega um pouco de emoção é Mike Vogel (Bates Motel) que vive o marido Cooper.

É tipo A Praça é Nossa, só que A Praça é Nossa é melhor!

Vale a pena?


Nada é tão ruim que não possa piorar. Para uma obra erótica feita para mulheres a série é muito machista. Claro que digo isso pela ótica de um homem gay, mas que tem um gosto em comum com mulheres hetero, que são os macho... He he he... Parece que tudo foi feito para mostrar às mulheres como agradar um macho alfa como Brad e acredito que isso seja um problema.


Se isso for corrigido e se o elenco principal tiver um bom intensivão de teatro, acredito que possa funcionar uma segunda temporada que com certeza deve ser encomendada pela Dona Netflix em breve dado ao sucesso inesperado da série. O problema é que o sucesso só aconteceu por causa do nude frontal, o que é uma pena pois reforça a ideia de que no mundo tudo gira em torno de um p̶i̶r̶u̶ grande.


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