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  • Giulia K. Rossi

Análise | Solos - Antologia moderna e simples para refletir

Já imaginou como o nosso mundo vai estar daqui a alguns anos? Com uma pegada bem Black Mirror, a nova série de antologia da Amazon Prime Video, Solos, busca explorar esse e outros questionamentos em uma série de histórias repletas de tecnologia, monólogos intensos e cenários deslumbrantes.


Ambientada em um futuro distante (ou nem tanto), a produção conta com sete rápidos episódios. Em cada um, a trama acompanha um personagem diferente, lidando com as suas próprias questões, seja o envelhecimento, os erros do passado, e até a própria morte. Composta por um elenco impecável, de atores como Anne Hathaway, Anthony Mackie, Morgan Freeman e Helen Mirren, a série cria experiências únicas e profundas em cada capítulo, sem perder a sua temática central: a solidão.


Pequenas histórias, grandes mensagens


É comum que em séries antológicas alguns episódios se destaquem entre os outros. Assim como ocorreu na antiga produção da plataforma, Modern Love, Solos apresenta altos e baixos. Porém, em cada capítulo, é possível que o telespectador se identifique com algum aspecto diferente.


Temos Leah (Anne Hathaway), uma cientista que sonha em viajar para o futuro; Tom (Anthony Mackie), um homem que adquire um controverso novo produto; Peg (Helen Mirren), uma idosa que parte em uma aventura espacial, Sasha (Uzo Aduba), uma mulher reclusa em sua casa por vinte anos, Jenny (Constance Wu), uma jovem em uma sala de espera, Nera (Nicole Beharie), uma grávida que dá a luz sozinha, e, por fim, Stuart (Morgan Freeman), um homem que recupera as suas memórias após um encontro com Otto (Dan Stevens).



Um elenco de tirar o fôlego!


Ainda que algumas histórias pareçam menos interessantes do que as outras, de modo geral, a série se sustenta pelo seu incrível elenco. Os grandes e intensos monólogos ganham vida na interpretação de atores espetaculares, que chamam a atenção do público puramente com a sua presença. Aqui vale destacar o episódio de Helen Mirren (rainha!), que, sozinha, conversa com os espectadores por quase meia hora e, ainda assim, consegue transmitir uma série de emoções sobre envelhecimento, arrependimentos e autoestima,


Na maioria dos episódios, a trama é focada em somente um personagem, mesmo no caso de Anne Hathaway, que lidera a sua narrativa interpretando três versões dela mesma (e arrasando em todas elas!). A principal exceção vai para o grande episódio final, que se caracteriza mais como um diálogo entre o personagem de Morgan Freeman e Dan Stevens. Essa forma de contar histórias - apesar de chamar a atenção e diferenciar Solos de tantas outras produções futurísticas -, entretanto, não é para qualquer um.


Sem dúvidas, um desafio...


Ao construir narrativas individuais, com pouco movimento de câmera e troca de ambiente, Solos pode parecer cansativa e entediante para muitos. Ainda que contenha capítulos curtos, esse não é o tipo de produção que você vai querer maratonar e assistir milhares de vezes, mas sim, parar, refletir e analisar a essência de cada história que nos é apresentada. De modo geral, é interessante ver como todas as tramas se conectam no final, porém, aqueles sem muita paciência já foram procurar outra coisa para ver antes mesmo do terceiro episódio começar.


Nem sempre é fácil se relacionar com obras sem grandes reviravoltas. Contudo, ainda que com uma premissa relativamente simples, a produção surpreende. Ela até pode não agradar todo tipo de público (quem agrada, não é mesmo?), mas seus discursos tocantes, seus cenários únicos e o seu elenco de primeira mão impressionam de cara. Aproveitando-se muito bem do sentimento de solidão tão presente nos dias de hoje, Solos chega exatamente no tempo certo para exceder as expectativas.



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