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  • Giulia K. Rossi

Análise | Space Jam : Um Novo Legado - Nostalgia VS. Bom Senso

Atualizado: 23 de jul. de 2021

Preparem-se para se sentirem nostálgicos, pois as estrelas desse filme de basquete são nada menos do que a turma dos Looney Tunes! Parece familiar? Após o clássico longa de 1996 protagonizado por Michael Jordan e os icônicos desenhos, os fãs da NBA, Pernalonga e Patolino foram presenteados novamente - agora com Space Jam: Um Novo Legado, produção liderada pelo astro do esporte LeBron James! Mas, e aí, será que foi tudo isso?


O filme segue a trama da estrela de basquete e seu filho do meio, Dom James (Cedric Joe) que, por conta de uma grande discussão, ficam presos no multiverso tecnológico da Warner Bros. Agora o único jeito de LeBron escapar e salvar o seu filho é ganhando um jogo de basquete contra o time do malvado algoritmo Al-G Ritmo (Don Cheadle). E é aqui que entra todo o grupo dos Looney Tunes - inesperada equipe da estrela da NBA.


Trazendo a nostalgia para a quadra!


Para quem cresceu assistindo Pernalonga e a sua turma, vê-los de volta em ação (agora com uma animação aprimorada!) é como se transportar para o passado. Com aquele gostoso sentimento nostálgico, é fácil engolir até as tramas mais absurdas, e é isso que acontece aqui. Sem dúvidas, Space Jam: Um Novo Legado precisa de vários aprimoramentos, mas, se ele fez algo certo, foi apostar nas insanidades dessas figuras icônicas que acompanharam nosso dia a dia na infância.


E além de aproveitarmos todas as típicas loucuras dos Looney Tunes, o filme traz mais alguns biscoitos para os fãs de produções da Warner (e quem aí não é?). Cheio de referências, que variam de Harry Potter, Game of Thrones, Matrix e os famosos super-heróis da DC, a produção ganha vida aos poucos. Ainda que não seja o foco da narrativa, é divertido ver os caricatos Patolino, Vovó, Gaguinho e cia assumindo diferentes papéis no vasto multiverso do estúdio. Patolino como Super-Homem, por que não?

Vovó e Ligeirinho no Matrix, quero para ontem!

Em busca da originalidade...


Contudo, tem certas coisas em que a produção não conseguiu inovar (e parece que nem tentou) desde o sucesso de 1996. Possuindo um roteiro previsível e cheio de clichês, é fácil para grande parte da audiência acertar o que vai acontecer logo no início do filme. É uma trama sem reviravoltas chocantes e originalidade, que conquista o público infantil, mas esquece daqueles que cresceram acompanhando os desenhos (agora adultos). Não é a melhor pedida para os mais cínicos!


Por sorte, com a magia da tecnologia de 2022, um grande ponto positivo do filme é a sua animação bem feita e os efeitos visuais modernos, que dialogam muito bem com o enredo e o universo gamer. Mesmo com uma trama básica e calculada, os "twists" nas regras do jogo de basquete e o visual elaborado tornam as coisas mais interessantes e acrescentam um "quê" de originalidade na história.

E a mágica do 3D ataca novamente!

Game Over, LeBron!


Entre erros e acertos, algo deve ser mencionado aqui: LeBron James não é um ator. Assim como a antiga versão estrelada por Michael Jordan, é de se esperar que um astro do basquete não seja tão bom decorando falas quanto fazendo enterradas na quadra. Porém, a atuação nem um pouco convincente de James não só prejudica a qualidade da produção, como dificulta o envolvimento do público com o maior dilema do enredo entre ele e seu filho.


Aqui, é James que carrega o maior peso emocional da história, tarefa que não é fácil nem para atores experientes. Diferente do longa de quase quinze anos atrás, é o personagem de LeBron que sofre as maiores consequências ao perder o jogo (pelo menos até o terceiro ato), e não os Looney Tunes, por isso a sua fraca interpretação é muito mais impactante do que os deslizes de Jordan na primeira versão. Às vezes é melhor baixar a bola, não é mesmo?

Se praparem para um LeBron com uma expressão indignada no rosto 99,9% do filme.....

Isso é tudo, pessoal!


Space Jam: Um Novo Legado não é uma obra prima, e nem tentou ser. É um filme leve e divertido, que, de fato, tinha potencial para ser mais, mas se ateve à nostalgia para equilibrar uma narrativa previsível e à fama de LeBron para justificar um protagonista pouco carismático.


De modo geral, contudo, o filme acerta ao trazer o clássico humor pastelão dos Looney Tunes, usando e abusando de referências dos desenhos animados e de todo o universo criado pela Warner Bros ao longo dos anos. Sem tentar ser espetacular, o filme diverte todo o público disposto a ignorar a seriedade e o bom senso para aproveitar a nostalgia.



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