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  • Giulia K. Rossi

Análise | Talk Show: Reinventando a Comédia - Ousado e divertido na medida certa!

Os bastidores do mundo do entretenimento tem os seus altos e baixos, mas, uma coisa é certa: o que não falta é polêmica! Antes do lançamento da série de sucesso The Morning Show, estreou o filme protagonizado por Mindy Kaling e Emma Thompson, Talk Show: Reinventando a Comédia, que veio para falar sobre uma série de problemáticas da indústria, sem medo de abusar do humor e das controvérsias.


O longa segue a divertida Molly Patel (Kaling), que, mesmo sem experiência na área, é contratada como uma das roteiristas do talk show da ríspida e experiente, Katherine Newbury (Thompson). Porém, como a popularidade do programa está baixa e ele corre o risco de ser cancelado, as controversas ideias de Molly podem ser exatamente do que precisam.

As rainhas da comédia!

Comédia e acidez: a dupla perfeita!


A atriz e escritora Mindy Kaling já mostrou que tem talento de sobra quando o propósito é divertir! Assim como na sua nova série de sucesso da Netflix, Eu Nunca, o filme faz uso das próprias experiências e senso de humor da comediante para criar um roteiro autêntico e cômico. Porém, a autenticidade não é o único charme da produção, que também conta com muita ousadia e assuntos polêmicos - do jeitinho que a gente gosta!


Além de engraçado na medida certa, o longa aborda várias histórias relevantes sobre o mundo atual (mesmo que lançado a mais de dois anos atrás). Logo no início do filme, fica claro que Molly apenas consegue o seu emprego por conta de sua descendência indiana e, sempre com muita acidez, a produção explora o tema da diversidade no ambiente de trabalho. E é então que, de forma sutil (ou nem um pouco), somos introduzidos a equipe de roteiristas do talk show, somente formada por homens brancos e héteros (a arte imita a vida, não é mesmo?).


O shade não para por aí, e a cultura machista da indústria do entretenimento se torna um dos assuntos mais abordas do filme. Com o risco de perder o seu programa, a veterana Katherine Newberry aceita fazer algo inusitado: falar ao vivo sobre questões femininas. Discorrendo sobre temas como menopausa e aborto, o filme não brinca em serviço e conquista o público tanto com o seu humor sagaz quanto com a sua relevância na atualidade.


O show de Kaling e Thompson


Eternizada na icônica Miranda Priestly de O Diabo Veste Prada, a figura da chefe exigente ganhou várias versões no cinema, contudo, são poucas aquelas que conquistam o nosso coração. Assumindo o papel da rabugenta Katherine, seria fácil enxergar a personagem de Thompson como uma diva intransigente, porém, o carisma da atriz eleva a profundidade da personagem e, no fim das contas, apesar de suas atitudes duvidosas, é impossível não torcer pelo seu final feliz. A rainha Emma Thompson não decepciona!


Desde a sua atuação como Kelly em The Office, Kaling mostrou que sabe fazer bem o papel da assistente sem papas na língua, portanto, a atriz convence o público como a excêntrica Molly sem muito esforço. Entretanto, embora cada uma impressione em suas funções, o que de fato rouba a cena é a dinâmica das duas protagonistas quando dividem a tela. A química e interação entre elas rende tanto os mais profundos quanto os mais divertidos momentos do filme. Melhor do que uma mulher causando, só duas!

Quer dupla melhor do que essa?

Aquele romance que ninguém pediu


Porém, ao mesmo tempo que o filme acerta ao explorar assuntos polêmicos, ele também peca a ir um pouco mais além do que o necessário. A história de um romance proibido no trabalho é um daqueles clichês que não vai sumir tão cedo (infelizmente), contudo, a relação de Molly com Charlie (Hugh Dancy) não é só irrelevante, como também prejudica a trama como um todo. Da próxima vez, que tal focar no passado da protagonista com o seu pai, ao invés de inventar um relacionamento tóxico desnecessário?


O longa, entretanto, faz mais do que apenas romantizar esse tipo de envolvimento através da personagem de Molly, pois, em uma inesperada reviravolta, o caso de Katherine com um de seus empregados também é levado a tona. Mas, ainda que o filme não se aprofunde nas problemáticas do romance (focando em uma pouco bem vinda história de adultério), ele abre espaço para discutir sobre a cultura de cancelamento que tanto vemos na sociedade atual.

E por que não adicionar mais um romance, certo?!

Notas finais...


De modo geral, Talk Show: Reinventando a Comédia, é um daqueles filmes que se mantém preso em alguns clichês do gênero, mas, por outro lado, se beneficia da sua ousadia e acidez. Embrulhado em um roteiro inteligente e grandes atuações, o longa consegue levantar questões importantes sem deixar de ser leve, divertido e autêntico. Sem dúvidas, vale um ingresso na primeira fila!


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