Buscar
  • daianeohare

Análise | The Batman - Poesia em meio ao caos

Depois de muita espera e o hype quase me matar do coração, finalmente The Batman de Matt Reeves estrelado por Robert Pattinson e Zoë Kravitz já está em exibição aqui em terras tupiniquins, então segue nossa análise totalmente emocionada e livre de spoiler!


Em primeiro lugar vamos combinar que Batman já teve ótimas adaptação para as telonas, inclusive a última delas de Christopher Nolan deixou zero a desejar, então a tarefa de Reeves era justamente nos estregar algo totalmente novo, e para o choque de zero pessoas, entregou tudo e muito mais.


O longa que estreou no último dia 03 é uma grata surpresa (ou não) para quem acompanhou as histórias em quadrinhos do morcego, algumas referências são claras, como a belíssima saga O Longo Dia das Bruxas, Ano Um e a obra-prima O Cavaleiro das Trevas, juntando tudo isso a incrível atuação do elenco e um roteiro redondo e sem grandes firulas o que vemos como resultado é um filme que tem grandes possibilidades de ser um divisor de águas dos filmes do gênero.


Não espere encontrar um filme de herói, The Batman pode ser muita coisa, mas não é um filme de ação com lutas mirabolantes, muito pelo contrário, flerta muito mais com filmes policiais que desvendam mistérios do que com super-heróis em si, inclusive, a escolha de apresentar um Batman muito mais centrado em resolução de crimes do que de fato sair na pancadaria muito me agrada e remete ao que de fato ele é, um detetive.



A ausência de luz e a intencionalidade de usar o vermelho em demasia nos faz pensar em uma Gotham doente e problemática, consumida por uma onde de crimes, violência e muita corrupção (Frank Miller, corre aqui), corrupção essa que fica muito transparente quando pensamos nos antagonistas apresentados, o que conseguimos perceber é que existe toda uma rede de crime organizado em Gotham que está muito bem interligada e infelizmente funcionando, então não temos motivos isolados de cada um dos personagens eles giram em torno de algo maior que é a corrupção.


As quase 3horas de filme passam rápido e são necessárias para que o roteiro se desenvolva de maneira meticulosa sem se apressar em nos apresentar rápidas conclusões e resoluções de problemas, mais uma vez, Matt Reeves acertou na escolha de um desenvolvimento mais lento combinando totalmente com a atmosfera arrastada e pouco convidativa de Gotham.


O fato é que The Batman entra para aquela categoria de filmes que nos fará pensar por um tempo, pois não é apenas um filme de quadrinhos, é um filme que escancara a disparidade social do mundo em que vivemos é um filme que dá vários tapas na cara de uma elite que vive presa em uma torre de marfim. Selina Kyle (Zoë Kravitz) e Charada (Paul Dano) são um ótimo exemplo de como pode-se sucumbir ao crime quando se está inserido nas camadas mais pobres da sociedade.



Mesmo já sabendo que o filme se torne uma trilogia dentro dos próximos anos, The Batman funciona bem sozinho, agora a pergunta que não quer calar, será que The Batman ganha o selo "This is cinema" de aprovação?





0 comentário