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  • @tonfabricio

Análise | The Boys in the Band - Sofrimentos, angústias e humores ácidos

Atualizado: 27 de out. de 2020

The Boys in the Band é uma adaptação da peça homônima dos anos 60 e do filme de 1970. Abordando uma temática gay, a produção está disponível na plataforma de streaming Netflix e conta com elenco excepcional, tais como Matthew Bomer (The Sinner), Jim Parsons (The Big Bang Theory), Zachary Quinto (Heroes), Charlie Carver (Ratched), Andrew Rannells (Black Monday), Tuc Watkins (Desperate Housewives), Michael Benjamin Washington (Ratched), Robin de Jesús (Milkwater) e Brian Hutchison (Killing Kennedy). Vale lembrar que os atores são todos abertamente homossexuais na vida real.

A envolvente história é sobre um grupo de amigos dos anos 60 que vai celebrar o aniversário de Harold (Zachary) no apartamento de Michael (Jim). O que era para ser um momento de descontração, risadas, danças e muito álcool, se torna um pesadelo no momento em que Michael recebe a ligação de Alan (Brian), seu antigo colega heterossexual. Aos prantos, Alan diz que esta em Nova York e que precisa ver o amigo em seu apê, desconhecendo a sexualidade do anfitrião.


Os problemas dentro da comunidade gay


É triste observar que os problemas há mais de 50 anos permanecem os mesmos até os dias atuais. Os personagens expressam todas as dores e angústias sofridas dentro de uma sociedade homofóbica e machista, além da amargura e ódio dentro da comunidade.


The Boys in the Band aborda conflitos reais dentro do meio, como a não aceitação da beleza esvaindo-se, traições, drogas, racismo e heteronormatividade. A beleza na obra é nos levar para dentro daquela sala claustrofóbica e ficarmos sem graça após cada diálogo perfurante uns contra os outros.

O desconforto causado por Alan causa um efeito dominó e chacoalha o telespectador. Um dos exemplos é o grupo tentando ofuscar Emory (Robin), o efeminado da galera. Embora os amigos sejam gays, ainda existe uma rejeição pelo delicado e feminino. O personagem apanha (literalmente), refletindo o mundo preconceituoso em que vivemos.


Além de Emory, Bernard (Michael) também faz parte de uma classe sofredora. O rapaz sensato é um homem preto e encara todos os dias piadas racistas com o intuito de o diminuir. A fala do ator é poderosa. Seu desabado, junto do remorso de Emory, é um dos momentos mais tocantes da produção.

Dentre preconceitos, traições e troca de farpas, o filme é um banquete apresentando uma sociedade doente que pisou (e pisa) em seres humanos, levando-os a se odiarem de tal maneira que precisam humilhar o próximo para tentar se sentir melhor. A trama é uma reflexão sobre o que nos tornamos e onde vamos parar enquanto existir opressão e preconceito.


Em contrapartida, somos apresentados ao personagem Donald (Matthew), um homossexual padrão: branco, forte e masculino. Ele é um dos mais centrados do grupo, pois não passou por tanta dor quanto os demais. Sendo assim, é possível analisar que os privilegiados sofrem menos, afinal estão mais próximos de ser um perfil idealizado pela sociedade tóxica.

The Boys in the Band é um gatilho necessário, um alerta para mudanças.


Final em aberto


É como o famoso debate sobre o romance Dom Casmurro: "traiu ou não traiu?" The Boys in the Band tem um final sem a explicação, embora todos queriam. A proposta é esta: deixar os telespectadores refletindo por horas, debatendo e tirando as próprias conclusões. Infelizmente não posso dizer qual é esse assunto inacabado (sem spoilers!).


Assistam, tirem as suas próprias conclusões e conversem com seus amigos. Acreditem, as opiniões podem divergir!!


Gostaram do filme?? E qual a opinião de vocês sobre o final?? Qual era o real motivo?? A ligação seria para aquela pessoa mesmo?? Comentem!!

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