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  • Giulia K. Rossi

Análise | Um Lobo como Eu - Uma comédia romântica nem um pouco convencional

A minissérie Um Lobo como Eu estreou de fininho no catálogo da Amazon Prime Video, mas rapidamente se juntou aos títulos em destaque da plataforma, ocupando o lugar de honra no Top 10 do streaming. O seriado mistura drama, romance, suspense, humor e fantasia, e envolve o público em uma narrativa curta e emocionante, com apenas seis rápidos episódios.


Estrelada pela dupla Josh Gad (Frozen) e Isla Fisher (Truque de Mestre), a série acompanha o inusitado casal, Gary e Mary, que são inexplicavelmente unidos pelo Universo. Enquanto ele faz de tudo para reconquistar a sua filha após a morte de sua esposa, a sua parceira esconde um segredo sombrio.


A complexidades nas coisas simples


Dos mesmos produtores de Big Little Lies (fica a dica para quem não viu essa obra prima!), a série contém a marca registrada da equipe de produção, se aproveitando de vários gêneros diferentes na medida certa e criando uma história teoricamente simples, mas ainda sim cativante.


Composta por um elenco talentoso, a série brilha em seus pequenos momentos, pouco usufruindo de grandes cenas de ação e reviravoltas intensas, mas se sustentando com um peculiar humor ácido e personagens complexos e interessantes. Na verdade, a fotografia bem feita e as palavras não ditas entre diálogos e olhares são o que, de fato, transparecem a genialidade da obra.


O casal inusitado


Falando no talento dos atores, tá na hora de enaltecer eles: nossos protagonistas! Mesmo que o pareamento de Fisher com Gad pareça um tanto estranho no início, os dois logo se mostram perfeitos um para o outro. Embora a química da dupla não seja aquela de tirar o fôlego, a personalidade explosiva e intensa de Isla é muito bem complementada com o humor de Gad.


A mesma sintonia vale para Mary e Gary, o par mais fofinho e estranho que você vai ver essa semana. Ambos são diferentes e semelhantes o suficiente para serem um casal intrigante e fácil de torcer e acompanhar. E é claro que não podemos esquecer da filha de Gary, Emma (Ariel Donogue), que pouco a pouco vai roubando nosso coração. Quem aí não adora ver uma família disfuncional, não é mesmo? (cof, cof, fãs de This is Us)


Esse “Era uma vez…” tá diferente (AVISO DE SPOILERS)


Chegou o momento de comentar sobre AQUELE final! Enquanto a série segue na sua maior parte em um ritmo leve, com o mistério colocado como segundo plano dos dramas e relacionamentos conturbados dos protagonistas, o último episódio é uma bela de uma virada.


O suspense passa a dominar a narrativa e, mais do que nunca, o seriado brinca com as nuances da fantasia e do terror, deixando os telespectadores naquele clima tenso que a gente estava esperando desde o início, quando Gary e Emma ficam ilhados dentro do carro com o lobo do lado de fora. Tudo poderia ter sido evitado se a viagem não tivesse sido planejada tão perto da lua cheia? Sim. É envolvente mesmo assim? Com certeza.


Entretanto, embora o final seja intrigante, também entrega uma das maiores falhas da série: seu péssimo CGI. Se tem alguma coisa que Steven Spielberg ensinou no icônico Tubarão, é que o monstro não precisa necessariamente aparecer para dar medo. E, convenhamos, a estranha forma lobisomem de Mary acaba com toda a tensão criada na cena. Era melhor ter deixado para imaginação!


Vale a maratona!


De qualquer forma, a série se sustenta com poucas falhas e uma narrativa bem construída, que te prende do começo ao fim. A sua curta duração com certeza ajuda nesse aspecto (basicamente a duração de um filme da Marvel), especialmente nos momentos em que a história se move em um ritmo um pouco mais lento do que o necessário.


Um Lobo como Eu é um refrescante e original olhar sobre um clássico da fantasia. Misturando muito bem humor, drama e suspense, o seriado é um moderno conto de fadas, que pode ser facilmente assistido em uma tacada só. Sem dúvidas, uma boa e inesperada adição ao catálogo da Prime, mesmo com uma estreia tão emblemática quanto os seus personagens.


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