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  • @luigienricky

Análise | WandaVision - Marvel e a Sensibilidade do Luto

Pois é meus queridos marvetes, chegou ao fim a primeira produção televisiva do Marvel Studios. Depois de 8 episódios emocionantes e 1 episódio de enrolação, porém necessário, a série deixa aquele gostinho de "quero mais" e eleva as expectativas para as outras séries que estão por vir.


Com muitas referências, teorias concretizadas, teorias furadas e uma sensibilidade que pode não ter sido notada por todo mundo, a Marvel mostra que sabe fazer muito mais do que comédia e filmes de ação. Quer saber o que achei de WandaVision, então bora, boa leitura!

Mesmo Kevinho dizendo que a Marvel não pretende produzir uma temporada dois, acho difícil

As três fases de WandaVision


Ainda que tenha sido vendida como uma série de comédia ao estilo sitcom que fez muita gente torcer o nariz (eu incluso), a série só o é na primeira parte, que aqui chamaremos de Fase 1.


Nesse primeiro momento somos apresentados à história, vizinhança e relações construídas por Wanda e Visão. Mesmo que entre um episódio e outro aconteçam algumas coisas estranhas e bizarras o foco não é avançar na narrativa, desenvolver personagens ou explicar qualquer coisa, pelo contrário, é realmente deixar a gente confuso e arrancar algumas gargalhadas, o que deu super certo!


Aproveitando essa sensação de estranheza causada pela dificuldade de associar os personagens aos acontecimentos, a série aproveita para fazer tudo o que não seria possível em nenhum outro momento e é aí que Elizabeth Olsen e Paul Bettany brilham a prime com suas atuações maravilhosos e um incrível feeling para comédia.

Foram muitos episódios de comédia? Sim! Vou reclamar? Não!

A Fase 2


A partir do quarto episódio, o roteiro começa a se preocupar em explicar o que está acontecendo, de onde surgiu toda aquela estranheza e nos mostra os acontecimentos de fora de Westville. É aí que conseguimos nos aprofundar no restante do elenco que não deixa nada a desejar em relação aos protagonistas.


Acho divertido como o roteiro aproveita bem os personagens Darcy e Jimmy para explicar ao espectador os acontecimentos e os fatos como se eles fossem nós, só que dentro da TV. Funcionando como uma espécie de fanboys dos Vingadores e dos heróis, eles se mostram espectadores assíduos da série de Wanda e explicam para os que não entendem ou não viram todos os filmes, tudo o que está acontecendo e com os mínimos detalhes.


O roteiro consegue transformar toda essa explicação em algo natural sem parecer que está subestimando a inteligência de quem está assistindo.

Não se preocupe com os três pois os veremos em breve no MCU com os próximos filmes que estão por vir

Embora apenas Monica tenha sido confirmada em Capitã Marvel 2, existe uma grande chance de Jimmy estar de volta em Homem Formiga e a Vespa: Quantumania e Darcy em Thor: Love and Thunder. Oremos!


Uma série sobre perdas...

Nos quadrinhos, filmes e série, Wanda é, de longe, a personagem que mais sofreu perdas

Tudo o que envolve Wanda nos quadrinhos está relacionado a perdas de entes queridos, mesmo que tenham acontecido de forma diferente na série e nos filmes, as perdas estão alí, o sofrimento está alí.


A série afirma tudo o que todos já imaginávamos desde o seu anúncio (pelo menos para aqueles familiarizados com a história da Feiticeira), que aquele mundo todo foi criado por Wanda para fugir da realidade. Se você tivesse tanto poder e pudesse trazer de volta pessoas queridas que partiram, você não o faria? Em tempos de pandemia onde as perdas foram tantas e para tanta gente, é difícil não se emocionar com o diálogo sensível entre Wanda e Visão no QG dos Vingadores sobre o luto ser o amor que fica (eu chorei parça).


Aqui Elizabeth e Paul brilham pela segunda vez mostrando a versatilidade de bons atores que em um primeiro momento estavam nos fazendo rir e logo depois, debulhados em lágrimas.

Quando descobrimos porque o tema sitcom não tem como seus olhos não arderem

Teorias teorizadas não concluídas

Nos quadrinhos, um dos maiores responsáveis por bugar a cabeça da nossa Wandinha (não a Adams) foi o demônio Mephisto. Assim como Agatha, a certeza que ele daria as caras na série era absoluta. Quando o Fake Pietro apareceu todos acreditaram que se tratava do Sete Peles, Cramunhão, Belzebu, mas era só uma trolada da Dona Marvel.


No final das contas a grande vilã era a bruxa má (não a do Oeste) mesmo. Mas acredito que ela acabará retornando e se tornará a tutora de Wanda um dia, assim como ela é nos quadrinhos. Outra trolada foi referente a tão falada amiga de Monica que era apenas uma "who?" ou o "Grande Ator" que Paul Bettany disse que contracenaria no último episódio que era ele mesmo!


Finalmente a Feiticeira Escarlate

Desde sua primeira aparição na cena pós crédito de Capitão América e o Soldado Ivernal, os fãs de Wanda Maximoff esperavam ansiosos pelo momento em que finalmente a veríamos como a tão poderosa Feiticeira Escarlate.


Mesmo que em Guerra Infinita e Ultimato ela tenha apresentado um grande poder, ainda não era metade do que sabíamos que a Feiticeira poderia fazer. E qual seria o melhor momento para fazer isso do que na sua própria série que não sabíamos que estava por vir? Ah Marvel, nunca me decepcionou! Com a cena pós crédito do último episódio pudemos ver que a Feiticeira Escarlate realmente despertou e promete grandes coisas para o futuro do MCU.


Com roteiro inteligente, humor refinado, efeitos especiais decentes e uma pitada de emoção, WandaVision já deixou muitos órfãos da série sofrendo com seu último episódio e o seu substituto Falcão e o Soldado Invernal terá dificuldade para preencher esse vazio. Espero estar errado!

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