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  • Felipe Lucas

Emmy 2020 | Análise: Mrs. America

O 72º Primetime Emmy Awards está chegando aí, e nós trouxemos para vocês mais uma análise das produções aclamadas que estão concorrendo ao prêmio desse ano. Hoje em especial, vamos falar de Mrs. America, um drama de nove episódios criado por Davhi Waller e produzido pela FX, que está concorrendo na categoria Melhor Minissérie.


Se você curte uma produção de época caprichada, inspirada em fatos históricos, porém com um tema mega atual (e necessário!), essa série com certeza é para você. Vem com a gente conhecer esse cristalzinho chamado Mrs. America.

Uma história de luta feminina


A série se passa nos Estados Unidos durante a década de 70, onde o movimento feminista americano tentava a todo custo conseguir a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Desse modo, a série explora um dos mais difíceis campos de batalha nas guerras culturais desse período, que ajudou a dar origem à Maioria Moral e mudou permanentemente o cenário político americano.


De um lado de campo de batalha nós temos feministas famosas da época como Gloria Steinem (Rose Byrne), Betty Friedan (Tracey Ullman), Shirley Chisholm (Uzo Aduba), Bella Abzug (Margo Martindale) e Jill Ruckelshaus (Elizabeth Banks), enquanto que do outro lado acontece a reação do movimento feminino conservador (Sim! Mulheres contra mulheres), formado principalmente por donas de casa, mulheres brancas e religiosas lideradas pela demônia ativista Phyllis Schlafly (Cate Blanchett).


Personagens inspiradas em grandes mulheres da vida real.

Enquanto as liberais lutam por temas como a independência feminina, combate ao assédio no trabalho e igualdade de direitos, o grupo de conservadoras de Schlafly defende que essa independência na verdade representa a perda dos privilégios da dona de casa americana (aff, nos poupe né).


Exaltando a mulherada!


Não demora muito para perceber que essa não é uma história sobre homens que, aliás, aparecem muito pouco e sempre em papéis secundários na trama. É uma história sobre como as mulheres ganharam voz e conquistaram seu espaço. Personagens femininas empoderadas não faltam, cada qual com a sua própria história e dramas pessoais contados de modo muito sensível em episódios especialmente dedicados a cada uma delas.


Apesar da abordagem dada ao partido conservador e a personagem de Blanchett ser considerada uma espécie de “vilã” da série, é interessante como também fica inevitável admirá-la: uma escritora brilhante, mãe de seis filhos, que resolve enfrentar a faculdade com uma idade mais avançada, mas que ainda assim defende um sistema do qual ela própria é a vítima. Quando percebemos isso, fica muito difícil ter raiva da personagem (tá, só um pouco vai), mas o sentimento que predomina é a pena de assistir uma mulher incrível lutando contra a própria liberdade.

Cate Blanchett rainha e o resto nadinha, né mores?


Aquela série necessária sabe?


Pois é, Mrs. America é o tipo de série que todo mundo merece e deve assistir não só por ser uma produção impecável, mas também por abordar temas que estão que geram discussão até os dias de hoje. Sororidade, competitividade, machismo, patriarcado, feminismo, extremismo, conservadorismo, maternidade, homossexualidade, racismo, aborto e tantos outros assuntos são levantados, alguns de forma sutil, outros nem tanto, mas todos de maneira competente.

Sarah Paulson é outra atriz que brilha dentro do seriado.

Ter Cate Blanchett como protagonista (e produtora executiva) fez toda a diferença, pois o talento da atriz em construir mais uma personagem EXCEPCIONAL merece todo o crédito, da mesma forma que Tracey Ullman, Margo Martindale, Sarah Paulson e Rose Byrne, especificamente. Cada qual com seu momento, cada uma com o tempo necessário em tela.


Além disso, é uma delícia ver essa mulherada toda contracenando umas com as outras em cenas muito bem dirigidas e para Teste Bechdel nenhum botar defeito!


Forte, mas sem perder o charme


E óbvio que nós também estamos aqui para exaltar a qualidade técnica da série e a incrível capacidade de levar o espectador a uma viagem no tempo. A trilha sonora é impecável, com grandes clássicos da época que conversam as cenas. Já a fotografia merece créditos pelo granulado típico dos anos 70, mas também pelos figurinos belíssimos, maquiagem e cabelos (que estão um arraso). Ou seja, não há um detalhe que pareça ter escapado da produção.


Um ponto negativo acontece quando alguns personagens simplesmente se perdem durante o desenvolvimento dos nove episódios, nos quais uma década inteira é retratada, mas ainda assim, isso não apaga de forma alguma o brilho do seriado.


A verdade é que a cultura pop necessita de mais obras como Mrs. America, obras que assim como essa, sejam escritas, dirigidas e representadas pelas muitas mulheres talentosas na indústria cinematográfica atual, e que também sejam uma homenagem ao feminismo e a tudo o que ele representa para transformar e melhorar a sociedade.

O que acharam de Mrs. America?! Conta pra gente aqui nos comentários, e não esqueçam de conferir as outras análises das produções que estão concorrendo ao Emmy 2020!

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